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segunda-feira, 31 de maio de 2010

Israel: novo massacre humanitário?


Os capítulos da história são tão claros, quanto dramáticos. Primeiro os judeus obtêm a aprovação da ONU para a construção do Estado de Israel. Para isso expulsam milhões de palestinos que ocupavam a região. Em seguida, aliados aos EUA, impedem que o mesmo direito, reconhecido igualmente pela ONU, seja estendido aos palestinos, com a construção de um Estado soberano tal qual goza Israel.

Depois, ocupação dos territórios palestinos, militarmente, seguida da instalação de assentamentos com judeus chegados especialmente dos países do leste europeu, recortando os territórios palestinos.

Não contentes com esse esquartejamento dos territórios palestinos, veio a construção de muros que dividem esses territórios, buscando não apenas tornar inviável a vida e a sustentabilidade econômica da Palestina, mas humilhar a população que lá resiste.

Há um ano e meio, o massacre de Gaza. A maior densidade populacional do mundo, cercada e afogada na sua possibilidade de sobrevivência, é atacada de forma brutal pelas tropas israelenses, com as ordens de que “não há inocentes em Gaza”, provocando dezenas de milhares de mortos na população civil, em um dos piores massacres que o mundo conheceu nos últimos tempos.

Não contente com isso, Israel continua cercando Gaza. Um ano e meio depois nem foi iniciado o processo de reconstrução, apesar dos recursos recolhidos pela comunidade internacional, porque a população continua cercada da mesma maneira que antes do massacre de dezembro 2008/janeiro 2009. As epidemias se propagam, enquanto remédios e comida apodrecem no deserto, do lado de fora de Gaza, cercada como se fosse um campo de concentração pelas tropas do holocausto contemporâneo.

Periodicamente navios tentavam levar comida e remédios à população de Gaza, chegando por mar, de forma pacífica, mas sistematicamente eram atacados pelas tropas israelenses. Desta vez a maior comitiva internacional de paz, com cerca de 750 pessoas de vários países, se aproximou de Gaza para tentar romper o bloqueio cruel que Israel mantêm sobre a população palestina. Foi atacada pelas tropas israelenses, provocando pelo menos 19 mortos e várias de dezenas de feridos.

Quem representa perigo para a paz na região e para a paz mundial? O Irã ou Israel? Quem perpetra massacres após massacres contra a indefesa população palestina? Quem impede que a decisão da ONU seja colocada em prática, senão Israel e os EUA, bloqueando a única via de solução política e pacifica para a região – o reconhecimento do direito palestino de ter seu Estado? Quem comete os piores massacres no mundo de hoje, senão aqueles que foram vítimas do holocausto no século passado e que se transformaram de vítimas em verdugos?

Fonte: Blog do Emir Sader

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Israel nega entrada de Noam Chomsky na Cisjordânia


No dia 15 de maio, o conhecido linguista, filósofo e ativista político estadunidense Noam Chomsky não pode entrar em Israel para dar uma conferência na universidade palestina de Birzeit , junto a Ramala. Depois de ter sido interrogado por mais de três horas, o acadêmico, que é judeu, teve o seu passaporte carimbado com a frase "entrada recusada". A porta-voz do Ministério do Interior israelense, Sabine Haddad, confirmou que a entrada de Chomsky foi recusada "por várias razões", mas não deu detalhes.

Chomsky é um dos maiores críticos de Israel no mundo acadêmico. Assume-se como socialista libertário e simpatizante do anarquismo, tendo publicado várias análises sobre as relações de conivência entre o poder e os meios de comunicação. Para ele, Israel e os EUA impedem a paz no Oriente Médio por não aceitarem a proposta de acordo da Liga Árabe.

Em março, ele recebeu, na Alemanha, o Prémio Eric Fromm 2010 pelo seu trabalho, convicções políticas e sua posição em defesa dos direitos dos pobres e oprimidos.

Fonte: icarabe

terça-feira, 2 de março de 2010

Israel e seus vizinhos




Por Michael Neumann


Nos últimos anos, o sionismo e a ocupação têm sido criticados. A fala laudatória dos EUA pró-Israel não deve enganar ninguém: a maioria, em todo o mundo, está ouvindo também as críticas a Israel, e mais as críticas que a louvação. Mesmo aliados pressupostos eternos e inabaláveis de Israel sabem que é preciso por fim à ocupação da Palestina; a maioria dos israelenses também pensa assim.

Por mais que a maioria dos críticos mais azedos goste de pensar que não, o governo dos EUA – o braço executivo do governo, com certeza – já aprendeu que sim, é preciso por fim à ocupação da Palestina. Quanto à imensa ajuda que não para de chegar a Israel, é preciso considerar dois pontos. Primeiro, os EUA dão praticamente a mesma quantidade de dinheiro e de ajuda militar também aos Estados árabes e ao Paquistão – e vendem armamento de alta tecnologia aos Estados do Golfo. Segundo, a ajuda é parte de um patético esforço para subornar Israel e tentar que encontrem alguma espécie de acomodação razoável com o mundo árabe.

Para uns, a tentativa é patética, porque falsa. Essa visão é perversamente otimista e pressupõe um componente de fé curiosamente abundante na esquerda: a idéia de que os EUA sejam um colosso que poderia, num estalar de dedos, submeter todos os pigmeus que os cercam. Pense-se o que se pensar sobre o poder dos EUA em geral, essa idéia não se aplica ao relacionamento com Israel. Nem o poder de todo o mundo ocidental bastará para submeter Israel.

Israel não é apenas potência nuclear: é uma das principais potências nucleares do planeta. Ainda mais: é a única potência nuclear que brinca com a possibilidade de usar armas atômicas, mesmo que isso implique suicídio. Os estrategistas de Israel, talvez certos de contar com a aprovação divina, chamam a isso “opção Sansão”. Com um pouco de loucura e sorte, Israel pode, sim, detonar um muito assustador primeiro ataque nuclear contra qualquer potência da Terra. Não o fará, é claro, mas esse “é claro” depende de todos termos certeza de que nenhuma potência nuclear usará força militar para obrigar Israel a fazer seja lá o que for. No caso de Israel, nenhuma pressão implica suficiente pressão.
O que aconteceria, então, se os EUA fechassem a torneira da ajuda a Israel? Os que criticam Israel, inclusive alguns israelenses, mostram-se cada dia mais furiosos em sua exigência de que se feche, de vez, aquela torneira. Outra vez, o mesmo otimismo perverso.

Não há dúvidas de que Israel considera imensamente conveniente a ajuda que recebe dos EUA. Mas os EUA também consideram Israel imensamente conveniente. O establishment de defesa israelense não só produz, mas também desenvolve muitas capacidades que são vitalmente importantes para os EUA, dentre as quais os sistemas anti-mísseis, os robôs teleguiados (drones) e inúmeras soluções de ‘ciber-armas’. Por isso, sanções econômicas não funcionarão contra Israel. O país é dono de tecnologia abundantíssima e de armas e equipamento bélico que o mundo faria fila para comprar, praticamente a qualquer preço. Israel não é capaz apenas de sustentar-se financeiramente e economicamente; pode fazê-lo por vias comerciais catastróficas para o Ocidente e contra as quais o Ocidente nada poderia fazer.

Nada disso significa que o conflito Israel/Palestina seja insolúvel. Significa, isso sim, que a solução, seja qual for, não está em "nossas" mãos – dos que criticam, com certeza; mas tampouco está nas mãos das potências ocidentais.

A solução, seja qual for, terá de ser construída em contexto de real equilíbrio de poder no Oriente Médio. A possibilidade de que se alcance esse equilíbrio não é completamente inexistente ou obscura, mas envolve realidades que poucos desejam encarar.

Na melhor (!) das hipóteses, a possibilidade de paz, de fim do "terror" israelense/palestino, está nas mãos dos supostos terroristas, do Hizbollah e seus patrocinadores, entre os quais o Irã. É possível que o Hizbollah tenha poder suficiente para conseguir que os israelenses, como os brancos da África do Sul, sejam obrigados a ler nos muros e encontrem meio de conviver com o povo conquistado. Até a próxima guerra contra o Líbano, ninguém pode avaliar com certeza em que pé está essa correlação de forças.

Mas há outra possibilidade, mais assustadora. E só se converterá em menos assustadora se o Ocidente curvar-se ante o inevitável.

O mundo "árabe", como o Irã, com certeza sabe o quanto é esmagadora e perigosa a vantagem nuclear com que Israel conta. Mas esses países ainda não têm capacidade militar para enfrentar Israel, nem têm poder político para conseguir que outros países o enfrentem. O que acontecerá se se criarem os meios necessários para gerar esse poder político?

De fato, esses meios já estão disponíveis.

Hoje, o mundo – portanto, também o mundo "árabe" – sabe que o Ocidente jamais, nunca, em tempo algum, agirá contra Israel: todas as oportunidades para fazê-lo já vieram e já foram. Mais cedo ou mais tarde, o contexto empurrará cada um dos vizinhos a tentar, cada um, sua alternativa única ou individual. É alternativa cara, não apenas em dólares, mas também, muito provavelmente, em vidas humanas.

As nações árabes e o Irã acabarão por acionar seus direitos de não obedecer aos tratados de não-proliferação de armas nucleares. (São acordos escandalosos, em todos os casos, porque seu único efeito é proteger Israel contra qualquer competição, ao mesmo tempo em que garantem ao país uma carta branca na arena nuclear.) O mundo árabe, provavelmente com apoio de outras nações, poderá então investir num programa coletivo de pesquisa e desenvolvimento de usos da energia nuclear, com o objetivo declarado e explícito de construir tanto meios de defesa e segurança, como meios de uso civil da energia nuclear.

O simples anúncio desses planos – com os efeitos que terão sobre a moral israelense e a convicção do Ocidente – pode gerar resultados consideráveis, praticamente sem custo algum para ninguém. Se Israel persistir em sua obstinação, tratar-se-á de fazer andar os planos, aumentando sempre a pressão no sentido de que se encontre – ou se imponha – uma solução para o conflito Israel/Palestina.

É possível que essa idéia soe a muitos ouvidos como puro extremismo enlouquecido. De fato, o maior extremismo enlouquecido é deixar que Israel primeiro desenvolva e depois ostente suas bombas atômicas, ao mesmo tempo em que a mesma Israel amarra mãos e pés de suas vítimas potenciais. Para desatar essas amarras, basta voltar à política do equilíbrio de poderes que, por séculos, foi considerada a melhor garantia para a paz.

Hoje, essa idéia ainda soa como mera fantasia. Mas o mundo árabe, com apoio do mundo muçulmano não-árabe, andará na direção de implantar essa estratégia no reino das possibilidades reais. Coletivamente, aquelas nações têm toda a riqueza e as habilidades técnicas necessárias. Cada dia mais, todos se dão conta da imperiosa necessidade de por de lado as animosidades e trabalhar pela paz. Deve-se esperar que o mundo árabe, com apoio do mundo muçulmano não-árabe, canse-se, definitivamente, de ser tratado com violência e desprezo.

E qual o papel do ocidente, em tudo isso? Se for incapaz de qualquer participação mais ativa, basta que não se meta. Se insistir, haverá ranger de dentes, sangue, histeria, epilepsia moral. Talvez, depois, a loucura passe e o Ocidente consiga voltar a fazer o que fez tão bem, por tanto tempo: nada.

Tradução de Caia Fittipaldi. O artigo original, em inglês, pode ser lido em: http://www.counterpunch.org/neumann02222010.html
*Michael Neumann é professor de filosofia na Trent University em Ontario, Canadá. É autor de What's Left: Radical Politics and the Radical Psyche and The Case Against Israel e de “What is Anti-Semitism”, em The Politics of Anti-Semitism editado pela editora Counterpunch, NY. Recebe e-mails em mneumann@live.com
Fonte: Revista Fórum

sábado, 3 de janeiro de 2009

Ano Novo...

Ano novo, vida nova, novas esperanças... blá, blá, blá... quantas bobagens! O tempo urge e passa, as coisas não mudam e se repetem. Alguém se esqueceu de avisar aos israelenses que estamos no final do ano, época de natal e confraternização universal. Eles não titubearam nem um pouco em invadir novamente a Faixa de Gaza. Vermes!!!