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sábado, 2 de junho de 2012

A volta da MINORIA RUIDOSA!

Saudações amigos, colaboradores e seguidores. Após uma temporada na qual um spyware atacou o meu blog, retorno as postagens com toda a força. Esse vírus deve ter sido inoculado pelos políticos de Brasília, pelo pessoal de Sergio Cabral, pela Bancada Evangélica, a Liga dos Católicos ou algo parecido. Mas consegui reverter o mal, portanto, a MINORIA RUIDOSA não vai ficar calada!

quinta-feira, 20 de maio de 2010

IRAN X "MUNDO CIVILIZADO"

Demonização da viagem de Lula ao Irã ancora-se em argumentos falaciosos e tendenciosos

por Luiz Eça*, no Correio da Cidadania
18-Mai-2010

Dificilmente a visita de um chefe de Estado a outro país causou tantas críticas quanto a que Lula está fazendo ao Irã.

Desde Hillary Clinton até deputados brasileiros, passando por Bernard Kouchner (ministro das Relações Exteriores da França), jornalistas nacionais , congressistas e colunistas americanos, entre outros, criticaram o nosso presidente de diversas maneiras.

A maioria considerou essa viagem uma aproximação, digamos, vil, com uma ditadura cruel que prende, mata e tortura opositores. Não se pode negar que estas afrontas aos direitos humanos têm acontecido no Irã, depois das manifestações de repúdio à eleição de Ahmadinejad.

Pelo menos episodicamente, o governo iraniano não ficou omisso. Está processando 12 indivíduos suspeitos de torturar até a morte 3 oposicionistas. Além disso, depois de repetidas denúncias sobre barbaridades cometidas na prisão de Kahizak, ordenou seu fechamento.

Claro, devia fazer muito mais, especialmente porque, ao que se sabe, as violências contra adversários continuam. No entanto, nesse quesito, EUA e Israel ficaram atrás, pois nesses países os violadores dos direitos humanos continuam livres e tranqüilos.

Ao reconhecer as torturas da gestão Bush, Obama declarou que seus autores não seriam punidos. Ele proibiu essas práticas, mas, infelizmente, parece que elas continuam. Só para ficar em exemplos recentes, ainda na primeira semana de maio, a Cruz Vermelha denunciou a existência no Afeganistão de uma prisão secreta para suspeitos na base aérea de Bagran. E 9 ex-prisioneiros, liberados por falta de provas, declararam que foram submetidos a abusos no local. Simon Hersh, o famoso repórter que denunciou My Lay e Abu Ghraib, revelou, em Genebra, na Conferência Global do Jornalismo Investigativo, que inimigos capturados na guerra do Afeganistão, em vários casos, foram executados no próprio campo de batalha pelo exército americano.

Quanto a Israel, as autoridades do emirado de Dubai (grande amigo dos EUA) continuam acusando o Mossad de ter executado um homem do Hamas em plena cidade árabe. Pediram até à Interpol a prisão de vários agentes e do chefe do serviço secreto israelense. Lembramos ainda o inquérito da ONU, presidido por um juiz judeu, que acusou o exército do governo de Telaviv de crimes de guerra e contra a humanidade no ataque a Gaza, o qual vitimou mais de 1.000 civis. Nem os judaicos, nem os oficiais das forças armadas receberam as devidas punições.

Apesar destes fatos criminosos de responsabilidade dos governos dos EUA e de Israel, ninguém jamais pensou em censurar Lula quando viajou para estes países.

Curiosamente, são eles que clamam com maior fúria por sanções ao Irã, que o forçassem a abandonar um programa de engenhos nucleares ainda não provado. Dizem que o enriquecimento do urânio demonstraria as intenções iranianas de produzir armas nucleares. O que seria uma catástrofe nas mãos de um “rogue state” (um estado entre delinqüente e irresponsável) que já prometera jogar Israel no mar.

Embora Ahmadinejad tenha declarado que fora mal entendido, que jamais pretendera atacar Israel, que a História é que acabaria com o regime sionista, por seu caráter racista – o ato de fundação afirma Israel como estado judaico -, a grande imprensa internacional e brasileira ignoraram suas explicações. Como também ignoraram que, na verdade, quem toca os tambores de guerra na região, comportando-se como autênticos ‘rogue states”, são os EUA – com menções ao célebre “todas as opções estão sobre a mesa” - e Israel, com sucessivas ameaças de ataque ao Irã.

Os exemplos são muitos. Novamente mencionaremos apenas os mais recentes.

Neste mês, Gary Samore, coordenador na Casa Branca do controle de armas de destruição em massa, informou à Reuters que seu governo havia pressionado Moscou a não entregar ao Irã o sistema antimíssil S-300, já contratado. “Deixamos claro aos russos que isso traria um impacto em nossas relações bilaterais significativo. Os russos entenderam que as conseqüências seriam severas”. E nós entendemos que o governo Obama está zelando para enfraquecer as defesas iranianas e, por conseqüência, tornar eventuais ataques ao país mais destrutivos. Nada mais bizarro da parte de um Prêmio Nobel da Paz

Na semana que passou, Moshe Ya´alon, vice-primeiro ministro de Israel, anunciou que suas forças aéreas estavam prontas para a guerra contra o Irã. Ya´alon, apesar do alto posto que ocupa num governo que se diz empenhado na paz com os palestinos, já os qualificou como um “câncer”.

Estes fatos não são levados em conta pelos críticos da viagem de Lula, que ajuntam a seus argumentos a consideração de que a amizade com o Irã está afastando o Brasil da comunidade internacional. A maioria dos nossos comentaristas e muitos políticos enchem a boca quando falam nessa “comunidade internacional”, sem perceber que este termo está sendo usado de maneira pelo menos incorreta, para não dizer arrogante e até racista, pois os 118 países não alinhados já se manifestaram contra as sanções. Será que estes 118, por serem asiáticos, africanos e latino-americanos, não integram a “comunidade internacional”? Será que dela só merecem fazer parte os europeus e norte-americanos, talvez, por coincidência, povos basicamente brancos? Aparentemente, eles esqueceram que os tempos dos impérios coloniais já se foram. E que agora países negros, amarelos e vermelhos são membros do mundo civilizado.

A última observação que essa peculiar “comunidade internacional” faz é que, dialogando com o Brasil e a Turquia, co-participante das conversações de paz em Teerã, estão fazendo o jogo dos aiatolás que visam ganhar tempo, adiar ao máximo as sanções contra seu país, até poderem concluir seus artefatos nucleares. Hillary Clinton acaba de telefonar para o presidente turco advertindo-o insistentemente desta falácia islâmica.

Parece um argumento pífio. Se todas as autoridades técnicas concordam que o Irã precisaria de ao menos 5 anos para produzir sua primeira bomba de destruição em massa, seria uma missão impossível para o governo de Teerã conseguir enrolar o mundo por um prazo tão avultado.

O Financial Times de 13 de maio considera que, ao tentar mediar um diálogo com o Irã, o Brasil “desafia a política externa dos EUA”. É verdade, essa política tem um norte hoje muito claro: impor sanções tão terríveis que isolem o Irã do comércio mundial e o levem a uma crise capaz de provocar a queda do regime dos aiatolás. E sua substituição por gente mais cordata.

Alega-se que Obama passou um ano estendo a mão a Ahmadinejad sem obter respostas. Não foi bem assim. Suas mãos estendidas tinham os punhos fechados, ameaçando socos, pois, desde junho de 2009, não houve uma única tentativa de aproximação concreta dos EUA, apenas retórica, coisa em que seu presidente é mestre, enquanto as ameaças, partidas especialmente da gaviã Hillary Clinton, foram constantes.

Não há dúvida de que o Irã vem praticando violências altamente reprováveis contra a oposição. Mas, como diria a filósofa Denise Charuto, “uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa”. As justas críticas às ações repressivas do governo dos aiatolás não o transformam em réu na presente crise nuclear. Até os opositores mais ardorosos de Ahmadinejad defendem o direito do país de ter um programa nuclear pacífico e condenam as sanções que os EUA e seguidores querem lhe impor.

Nesta semana, as coisas podem se encaminhar bem. Já se sabe que o Irã está disposto a fazer concessões às propostas dos chefes do governo do Brasil e da Turquia – de envio do urânio iraniano de baixo enriquecimento ao território turco, onde ficaria até ser trocado com o urânio enriquecido a 20 graus na França ou na Rússia.

Além disso, de Bruxelas, a agência DPA reportou que está sendo agendada uma reunião entre Catherine Ashton, chefe de Política Internacional da União Européia, e o chefe das negociações nucleares do Irã, Saeed Jalili, por iniciativa de Ahmed Davotaglu, ministro das Relações Exteriores da Turquia.

Há possibilidades de que a tão criticada viagem do presidente Lula a Teerã poderá representar um princípio da solução da crise.

*Luiz Eça é jornalista.


Fonte: Correio da Cidadania

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Hollywood enganjada!!!



Texto publicado em "Observatório da Imprensa"

Quando o cinema vai à guerra

Por Lilia Diniz em 7/10/2009


Ditadores e democratas exploraram o potencial mobilizador das telas de cinema desde o seu surgimento, mas durante a Segunda Guerra Mundial, a sétima arte uniu-se aos aparelhos de Estado e foi à luta. O Observatório da Imprensa veiculado terça-feira (06/10) pela TV Brasil exibiu o segundo episódio da série de quatro programas especiais sobre os 70 anos do início do conflito, intitulado "Hollywood de Uniforme".

Desde a ascensão dos regimes fascistas ao poder até o último disparo, centenas de filmes foram produzidos tanto pelos países Aliados, quanto pelas potências do Eixo. De todos os centros de produção cinematográfica, Hollywood foi o mais emblemático. Abrigou imigrantes e refugiados e foi o responsável clássicos, como "Casablanca". E mesmo após os tratados de paz, a guerra continuou presente e foi tema de filmes inesquecíveis, como "A lista de Schindler".

No editorial que abriu o programa, Alberto Dines explicou que o cinema de Hollywood enfrentou o nazismo antes mesmo do início da guerra. Desde a chegada de Hitler ao poder, em 1933, artistas e intelectuais deixaram em massa a Alemanha e se refugiaram em diversos países. "A Alemanha enxotou os seus escritores e artistas. Hollywood, a capital da fantasia, a fábrica do sonho americano, os acolheu de braços abertos e com eles construiu um formidável auditório mundial", disse.

Dines explicou que este centro de produção cinematográfica foi construído por imigrantes que logo perceberam o perigo do nazismo. "A 2ª guerra mundial foi uma guerra total e graças ao cinema, principalmente graças a Hollywood, a retaguarda não ficou distante das frentes de combate. Todos eram soldados", avaliou.

O fascínio das massas

O cinema foi intensamente usado como arma de propaganda política pelo regime nazista. Na década de 1930, Leni Riefenstahl foi escolhida para realizar uma série de filmes para exaltar a superioridade ariana. As imponentes cenas dos documentários "Triunfo da Vontade" e "Olympia", que retratam uma Alemanha organizada e próspera dos anos antes da guerra, foram exibidas repetidamente pelo regime totalitário. "Ela queria ser atriz em Hollywood. Não conseguiu, mas tornou-se a cineasta de Hitler, subordinada diretamente ao Führer", explicou. Leni Riefenstahl não era nazista, mas era "fascinada pela estética das massas". Neste mesmo período, o Reich produziu alguns filmes antisemitas como "Judeu Süss" e "O Judeu Errante".

Mesmo antes do início oficial da guerra, com a invasão da Polônia pela Alemanha em setembro de 1939, Hollywood já voltava-se contra o nazismo. Desde 1937, a Warner Bros. produzia filmes abertamente anti-hitleristas. Luiz Carlos Merten destacou que por força da depressão, outros estúdios preferiam fazer comédias escapistas e musicais, mas a Warner sempre teve uma acentuada preocupação social. "Eles produziam filmes de gângster, eles produziam um ciclo de prisões, um ciclo de filmes sociais, de diretores como Marvin Leroy, Michael Curtiz. E foi a Warner o estúdio que primeiro começou a se preocupar com essa coisa". Outro centro de produção que desde cedo alertou o mundo para o perigo do nazismo foi a United Artists, um estúdio de artistas do qual Charles Chaplin era um dos fundadores.

Alerta ainda antes da guerra

Uma produção deste período deixou o Fürer especialmente furioso: "Confissões de um Espião Nazista". Dines destacou que mesmo com os protestos de Hitler, o filme foi exibido porque "nos Estados Unidos o cinema não era censurado pelo governo". Houve grande polêmica durante o processo de aprovação do roteiro. O crítico de cinema Ely Azeredo explicou que o sistema de censura interna dos estúdios de Hollywood dificultou a exibição dão filme.

"Joseph Brin que era o manda-chuva desse código de produção, procurou aconselhar a Warner de que eles poderiam perder o mercado na Europa com um filme dessa natureza e ponderava que Hitler criou um bem estar para o povo alemão. Enfim, colocando a Alemanha a ombrear com outras nações industriais. E que seria um erro comercial para a própria Warner. Ele falou, falou, mas os irmãos Warner bateram na mesa e disseram: ‘o filme vai’". Já em 1939, a Warner produziu "Sargento York", ambientado na Primeira Guerra Mundial. O personagem principal, interpretado por Garry Cooper, era um pacifista. "Ele tinha aquela decisão de não usar armas, de não combater. Sendo pacifista, ele acaba durante a guerra usando a arma, matando alguns semelhantes, e se convencendo de que em certas ocasiões, para salvar, outras vidas, é preciso matar", disse Ely Azeredo.

Na linha de frente da guerra aberta de Hollywood contra a suástica, estavam refugiados alemães e austríacos, como Fritz Lang, Otto Preminger, Robert Siodmak, Douglas Sirk, Michael Curtiz e Fred Zinneman. "Outro grande nome deste período é Billy Wilder", disse Dines. Seu filme "Cinco Covas para o Egito" tinha como tema a guerra no deserto. "Os aliados acabavam de desembarcar no norte da África. Era preciso comemorar as primeiras vitórias contra os nazistas desde a queda da França. O marechal Rommel havia sido abatido pelos ingleses e Billy Wilder escolhe para personificá-lo um dos maiores cineastas alemães, Erich von Stroheim",explicou Dines. De tanto interpretar nazistas, o ator acabou se transformando em um protótipo do militar alemão.

A contribuição dos refugiados

"Houve um momento em que toda aquela gente, todos aqueles refugiados, que tinham ido da Alemanha, da França todos aqueles diretores, roteiristas, fotógrafos etc, todos em Holywood começaram um trabalho de conscientização, que estava ocorrendo realmente, uma coisa incrível, horrível na Europa. E essa consciência foi se acentuando. O papel desses imigrantes europeus, foi determinante, foi muito forte", explicou Luiz Carlos Merten. Grandes diretores de Holywood fizeram documentários sobre o conflito, John Ford, por exemplo, que fez um filme registrando a batalha de Midlleway.

E entre os refugiados franceses, o preferido de Ely Azeredo é Jean Renoir, que fez um filme sobre a resistência da Noruega. "Em relação aos alemães, em filme pequeno de poucas ambições. Mas ele fez nos Estados Unidos em filme maravilhoso chamado ‘Amor à terra’. Um filme passado entre agricultores sobre o sul dos Estados Unidos, extremamente realista", avaliou o crítico de cinema. Para Azeredo, o cinema americano é um cinema de emigração, nunca é um cinema "All American".

O riso contra a barbárie

Impressionado com a Noite dos Cristais, quando em 1938 uma série de ataques destruiu sinagogas e lojas de judeus na Alemanha, Charles Chaplin decidiu produzir um filme ridicularizando Hitler. Em 1940, estreou "O Grande Ditador". O filme foi censurado em diversos países, inclusive no Brasil. Chaplin vive dois personagens no longa-metragem: um barbeiro judeu e o ditador Hynkel. Dines destacou que a semelhanças entre os bigodes de Chaplin e Hitler não foi casual. "No inicio da carreira como agente provocador, Hitler queria no rosto algo que o tornasse imediatamente reconhecido. Escolheu o bigodinho de Charlie Chaplin, o comediante mais famoso no mundo", disse.

O jornalista destacou que Hitler viu o filme duas vezes e ficou furioso, pois os Estados Unidos e a Alemanha ainda mantinham relações diplomáticas. "O ditador considerou o filme como uma agressão, as alusões eram diretas demais: Hitler era Adenoid Hynkel, Göring era Herring, arenque, Goebbels era Garbish (em inglês, lixo). Ao contrário de "Tempos Modernos", Chaplin usou e abusou do som e da palavra falada. Há dois discursos: um deles do ditador Hynkel, uma sátira em alemão caricatural imitando as falas delirantes e histéricas do Führer. O outro (naturalmente em inglês) é pronunciado através do rádio pelo barbeiro judeu, fingindo que é o ditador. Dirigido à sua amada Hannah que, na realidade, era a então mulher de Chaplin, a rebelde Paulette Goddard. Um dos textos mais bonitos do cinema, seis minutos de amor à humanidade, de fé e esperança num mundo sem guerras", avaliou.

You must remember this

Em 1942, estreou aquele que seria considerado como o filme mais emblemático da Segunda Guerra Mundial: "Casablanca". Protagonizado por Ingrid Bergman e Humphrey Bogart, o clássico da Warner Passado na cidade marroquina em poder dos franceses colaboracionistas mostra o dilema da personagem de Bergman dividida entre duas paixões. "A Suécia era neutra, mas a sueca Ingrid Bergman jamais vacilou em apoiar a causa anti-nazista", disse Dines. A produção do filme foi conturbada.

O roteiro era aprovado apenas na noite anterior às filmagens. "A história é toda implausível, escrita diariamente, a produção do filme inteiramente louca", comentou o crítico de cinema Sérgio Augusto. O final foi decidido pelo diretor Michael Curtiz durante a filmagem da última cena. Inesperadamente, o casal de protagonistas não termina junto. "Só o fato de o casal não ficar unido, haver uma renúncia isso já era uma grande novidade em Hollywood na época", disse Luiz Carlos Merten. O crítico de cinema explicou que o filme é carregado de códigos.

A produção de Hollywood não atingia apenas aos adultos. Ainda crianças no período da guerra, os escritores Luis Fernando Veríssimo e Moacyr Scliar contaram suas impressões para Dines. "Eu fiquei tão entusiasmado com aquilo que, nos meus brinquedos solitários, comecei a matar japoneses e alemães. Tanto, que até chegaram a me levar ao médico porque eu estava excitado demais com a guerra". Um filme que marcou Scliar foi "Passagem para Marselha", protagonizado por Humphrey Bogart, sobre a resistência dos franceses contra o nazismo. "Tem uma cena em que um jovem adolescente atingido por balas alemães morre gritando ‘vive la France e que a gente chorava. Aqueles filmes tinham uma grande capacidade de mobilizar o nosso sentimento, que era um sentimento nacionalista", relembrou.

A mobilização dos artistas

Artistas foram convocados para participar do esforço de guerra. Grandes nomes pegaram em armas e lutaram nos campos de batalha, como Clark Gable. Outro, fizeram parte do esforço de guerra holywoodiano, como Marlene Dietrich e Carmem Miranda. John Wayne, por exemplo, virou herói de guerra na memória dos espectadores, sem ter dado um único disparo durante a guerra, como contou o escritor Ruy Castro. Sérgio Augusto comentou a idéia das Cantinas de Holywood, que uniam oficiais, soldados e artistas em uma cavalariça alugada por Bete Davis. A iniciativa virou um filme: "Um sonho de Holywood". Os atores lavavam pratos e serviam os soldados para transmitir a idéia de união. Em uma cena do filme, ao saber que estava dançando com a atriz Joan Crawford, um soldado desmaia.

***

Hollywood de uniforme

Alberto Dines # editorial do programa n. 523, no ar 06/10/2009

Bem-vindos ao Observatório da Imprensa.

Adolf Hitler começou a guerra através do rádio e quem o enfrentou antes de todos foi o cinema de Hollywood. Os nazistas apostaram na delirante doutrinação da nação germânica certos da sua superioridade: sozinha conquistaria o mundo. Os nazistas não contaram com o mundo, não contaram com a humanidade e sua infinita capacidade de produzir aproximações.

Empenhados em expulsar os indesejáveis, os nazistas esqueceram-se da capacidade de resistência dos refugiados. O Nobel de Literatura Thomas Mann, um dos primeiros a deixar a Alemanha depois da ascensão de Hitler, disse que "os nazistas queimaram os livros que não saberiam escrever". A Alemanha enxotou os seus escritores e artistas. Hollywood, a capital da fantasia, a fábrica do sonho americano, os acolheu de braços abertos e com eles construiu um formidável auditório mundial.

Hollywood foi construída por uma comunidade de imigrantes e estes imigrantes perceberam o perigo antes dos estadistas. O representante da Warner na Alemanha, Joe Kaufmann, foi morto por vândalos nazistas no pogrom da Noite dos Cristais, em 1938. No ano seguinte, Jack Warner começava a produzir filmes antinazistas que culminaram com Casablanca, inesquecível combinação de romance e idealismo político.

A mesma Noite de Cristais levou Charlie Chaplin a transformar o adorável vagabundo chamado Carlitos, num militante humanitário. Hitler era um cinéfilo, assistiu-o, ficou furioso, nada podia fazer apesar do seu poderio militar. Seus histéricos discursos no rádio não chegavam ao mundo, ao contrário do discurso final de Chaplin, transformado num hino internacional da paz.

A Segunda Guerra Mundial foi uma guerra total e, graças ao cinema, principalmente graças a Hollywood, a retaguarda não ficou distante das frentes de combate. Todos eram soldados. Hollywood não permitiu que os campos de extermínio, a solução final e o holocausto fossem encobertos pelas comemorações da vitória. Neste momento, o cinema bélico deu lugar ao cinema-atrocidade.

Esta outra guerra talvez nunca saia de cartaz.

O "velho" e "chato" Simonal


Wilson Simonal sempre foi para mim um grande enigma. Nunca tinha ouvido sua música ( pelo menos achava que nunca tinha ouvido)e pensava se tratar da pior espécie de música brega ou de mau gosto. Quando perguntava a minha mãe, ela dizia que a música dele era legal e que ela cantava para mim e eu adorava...
Desconfia do bom gosto da minha mãe e ia na onda da Rita Lee e de toda a intelligentisia, para as quais o cantor era o pior exemplar da espécie humana. Afinal, Rita Lee dizia que ele era velho e chato na sua música "Arrombou a festa". Era, definitivamente, uma música ultaprassada.
Pior, era a antítese de um Chico Buarque, de um Caetano Veloso ou de um Geraldo Vandré (Depois eu descobri que Chico é Chico, Caetano é um vendido e deslumbrado e Geraldo Vandré e um... chato!).
Até que vieram os finais dos anos 90 e os filhinhos do Wilson se tornaram os darlings do meio artístico.
Aí eu pude sentir a força da música desse artista, sua voz e seu swing. Velha e chata é a Rita Lee! (Mentira, a Rita também é ótima! rs,rs).
Na verdade Simonal era um mulato famoso que andava em carrões e comia uma porção de loura. Isso ninguém perduou...

Com o filme Simonal – Ninguém sabe o duro que dei, começou a reabilitação de Wilson Simonal. Não se conclui outra coisa, quando se lêem os artigos publicados em todo o Brasil. Em todos os jornais, os críticos mais parecem uma orquestra afinada para uma só composição, para um só samba de uma nota só. Em toda a mídia se repetem as saudações ao documentário, à sua imparcialidade etc. etc.

Na Folha de S.Paulo, no texto com o título épico "Simonal refaz saga do cantor", entre outras coisas se escreve:

"Aconteceu no final de 1971. Por suspeitar que estivesse sendo roubado, o cantor teria mandado bater no contador de sua empresa. Só que o homem vai parar no Dops (Departamento de Ordem Política e Social, hoje extinto), onde é torturado. Não demora até que os jornais liguem as pontas – não necessariamente cobertos de verdade – e publiquem a manchete: `O cantor Wilson Simonal é informante dos órgãos de segurança do Estado´...

Mais que biografar a ascensão e queda meteóricas de um ídolo – e isso é feito de maneira empolgante –, o documentário reescreve a saga de Simonal para que, conhecendo finalmente sua história, o Brasil possa absolvê-lo de coisas que talvez ele nem sequer tenha feito."

Preconceitos raciais e sociais

Observem que:

1. O cantor "teria mandado bater no contador". Teria mandado, em lugar de mandou.

2. "...o homem vai parar no Dops (Departamento de Ordem Política e Social, hoje extinto), onde é torturado". Por acidente, ele foi parar no Dops.

3. "...o documentário reescreve a saga de Simonal para que, conhecendo finalmente sua história, o Brasil possa absolvê-lo de coisas que talvez ele nem sequer tenha feito". Absolvê-lo... Não demora, a família entrará com processo na Anistia.

Por falar em anistia, artigo no Jornal do Commercio, do Recife, é mais explícito:

"A chance de anistia de Simonal – Filme conta história de cantor que morreu com fama de dedo-duro, mas foi mesmo uma vítima da intransigência."

No UAI, de Minas, a reabilitação continua:

"Nos dias de hoje, a maioria das pessoas que conhecem o assunto acredita na tese de que Wilson Simonal foi derrubado por uma rede de boatos, somada a preconceitos raciais e sociais que levavam, em muitos grupos, a um estado de desconforto frente ao sucesso do cantor. Simonal pende nitidamente para este lado."

Condenado ao ostracismo

No Jornal do Brasil, do Rio, o mesmo samba:

"Com um design e produção impecáveis, o trio de diretores Cláudio Manuel, Micael Langer e Calvito Leal tenta também trazer à tona a perseguição que o cantor sofreu, após a suspeita de que ele estava a serviço do Dops, na época da ditadura. Recheado de entrevistas, o filme tem o mérito de ser, em grande parte, imparcial. Mas faltam depoimentos e nomes de artistas que efetivamente promoveram o boicote... Numa montagem esperta, o papel de bicho-papão ficou só com os jornalistas do Pasquim que participam do filme: Sérgio Cabral, Ziraldo e Jaguar. Este último, em destaque, é colocado pela edição nos momentos antagônicos, em contraponto a considerações positivas sobre o cantor. Seria alguma forma de revanche? O público é quem decide."

Em O Globo, entre outras louvações, transcrevem-se as palavras de Nelson Motta, "Simonal virou um tabu, um leproso, um pária..." Mas o modo mais parcial vem do Guia da Semana, de São Paulo, em editorial (!):

"No início da década de 70, Simonal percebeu que estava sendo roubado por seu contador. De pavio curto, o cantor contratou um grupo para dar uma surra no traidor. Porém, o episódio envolveu agentes do Dops, e o obscuro fato fez com que se espalhasse a notícia de que o músico era informante do regime militar. Sem provas contra ou a favor do artista, Simonal foi condenado ao ostracismo, morrendo como um desconhecido em 2000."

Só falta absolver o cabo Anselmo

Parece ter desaparecido no espaço o texto de Mário Magalhães, quando era ombudsman na Folha de S.Paulo, em 30 de março de 2008:

"A verdade: em 1974, Simonal foi condenado por surra dada em um contador. No processo, levou como testemunha sua um detetive do Departamento de Ordem Política e Social do Estado da Guanabara. Ele assegurou que o cantor era informante do Dops. Outra testemunha de defesa, um oficial do 1º Exército, jurou que o réu colaborava com a unidade. O juiz sentenciou: Simonal era `colaborador das Forças Armadas e informante do Dops´. Em 1976, acórdão do Tribunal de Justiça do RJ reafirmou a condição de `colaborador do Dops´. Não foram inimigos que inventaram a parceria com o regime, exposta sem reservas pelos amigos de Simonal, que se dizia ameaçado por gente ligada `a ações subversivas´."

Pelo andar da carruagem, não demora vão fazer um documentário que absolva o cabo Anselmo. Com a repercussão em uma só nota de toda a imprensa. Como agora, no filme desta semana: Simonal, a reabilitação.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

As novas perspectivas para o jornalismo

Nos últimos dois ou três anos tornou-se evidente que a chamada "grande imprensa" passa por uma crise de legitimação sem precedentes, açulada pela disseminação cada vez maior da internet 2.0, que aumentou a interatividade e as possibilidades de circulação de conhecimento na rede.

No âmago de tal crise encontra-se um processo de reestruturação mercadológica de veículos tradicionais da mídia brasileira, notadamente a revista Veja – que assimilou práticas e posturas jornalísticas originadas no ambiente neocon norte-americano – e o jornal Folha de S.Paulo – que, com a saída de cena do publisher Octavio Frias de Oliveira e a ascensão de seus herdeiros, operou não apenas uma guinada à direita como a imersão em episódios eticamente inaceitáveis em um veículo de imprensa que se pretende pluralista.

Blogs vs. "grande imprensa"

Por sua vez, a crítica à imprensa tornou-se quase que uma atividade recreativa na internet brasileira, cuja virulência generalizante gerou até mesmo de uma sigla, tão mordaz quanto não distintiva, utilizada para caracterizar a mídia nativa: PIG (Partido da Imprensa Golpista), criada por um leitor do blog de Paulo Henrique Amorim, jornalista consagrado que aderiu ao novo esporte sem abrir mão de uma atuação mainstream numa TV sustentada pelo neopentecostalismo, em que repete várias das vicissitudes criticadas nas arenas virtuais – inclusive na sua.

Também não é sem mordacidade que se constata que sem a "grande mídia" a blogosfera perderia grande parte de seus temas – e de sua graça. Trata-se, é evidente, de um paradoxo – e de uma realidade que muitos blogueiros insistem em fingir não ver. Frise-se que a crítica à imprensa é não apenas bem-vinda, mas, neste momento mais do que nunca, necessária. Só que tem levado a um sentimento antimídia generalizado que produz distorções e equívocos que se perpetuam, como a constatação de que destruir a "grande mídia" é objetivo declarado de mais de um blogueiro.
Ao contrário do que muitos críticos virtuais insistem em afirmar de forma um tanto inconsequente – pois, como sói acontecer com alguma frequência nos setores mais jovens da blogosfera, sem conhecimento de causa – a "grande imprensa" nem sempre foi assim. O modus operandi da plutocracia midiática e de suas famiglias, é verdade, pouco mudou através dos tempos, mas o jornalista – este ente profissional hoje exterminado no Brasil por uma decisão infeliz da pior Alta Corte de nossa história – foi, ao menos até o fim dos anos 1980 e nos parcos limites de sua atuação vigiada, um dos principais agentes de resistência político-ideológica, no mais das vezes identificado com a necessidade de redemocratização do país, com as lutas sociais e como questionamento da aliança entre elite econômica e poder político.

Um dos motivos para tal é que um número considerável de jornalistas provinha da intelectualidade (muitos deles egressos do Partido Comunista, então com forte presença nas hostes culturais) em busca de sustento material, repaginados para consumo diário, como sugere o sociólogo Sergio Miceli em seu imprescindível estudo sobre os intelectuais no Brasil na primeira metade do século 20.
Ao invés de erguer como bandeira a destruição da mídia, como tantos o fazem, talvez fosse mais proveitoso buscarmos sair dessa falsa dicotomia representada pelos dois estereótipos de jornalistas – propositadamente caricaturais e carregados – e conquistar meios efetivos de criar um novo modelo de jornalismo – que aproveite tanto os talentos jornalísticos abundantes na blogosfera quanto aqueles que aguardam nas filas de emprego das corporações do ramo.

É precisamente em relação a tal horizonte que o manifesto de Leandro Fortes é alçado à sua dimensão maior, na proposição de um novo jornalismo, profissional, remunerado, livre das idiossincrasias e do amadorismo (financeiro) da blogosfera – mas honesto, bem-intencionado, encerrado na predição de que "é possível ser jornalista e trabalhar em qualquer lugar sem se submeter ao mau-caratismo. Arriscado, mas possível".

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Alfinetadas do mundo-rock


- Todos os meus discos são uma comédia. (Bob Dylan)

- Bob Dylan me dá nos nervos. Se estivesse comigo numa festa, eu o mandaria calar a boca. (Lou Reed)

- Se as letras dos Rolling Stones quisessem dizer alguma coisa, seriam péssimas. (Truman Capote)

- Rock é música de jeca misturado a jazz. (Paulo Francis)

- O rock é como um orgasmo. Às vezes, um orgasmo é melhor. Em outras, o rock é melhor. (Mick Jagger)

- (Para uma tiete) Seus dentes são lindos, querida. Por que não mandou obturar também o cérebro? (John Lennon)

- Se as pessoas comprassem os discos pela música, o rock já teria acabado há muito tempo. (Malcolm McLaren)

- Não sei uma nota de música. Nem preciso. (Elvis Presley)

- Um repórter de rock é um jornalista que não sabe escrever, entrevistando gente que não sabe falar, para pessoas que não sabem ler. (Frank Zappa)

- Um ouvinte típico de rock é um garoto tão analfabeto que não consegue ler nem o selo do disco que acabou de comprar. (Frank Zappa)

- Nunca gostamos dos Beatles. Eram uns provincianos e não queriam que os outros soubessem disso. (Mick Jagger)

- Tudo o que fazíamos, os Stones tentavam fazer igual - três meses depois. (John Lennon)

- O rock é a Aids da música. (Júlio Medaglia)

- Dizem que Chuck Berry é Deus, mas que merda ele fez? (Elton John)

- Elton John se tornou o viado-padrão. Como Liberace, antigamente. (David Bowie)

Lançamento Literário


O jornalista Altamiro Borges acaba de lançar o livro “A ditadura da mídia”. Faz parte da “Coleção Vermelho”.


“Não é uma obra acadêmica, mas uma peça de denúncia política”, avisa ele. “Não é neutra nem imparcial, mas visa desmascarar o nefasto poder da mídia hegemônica e formular propostas para a democratização dos meios de comunicação.”
O prefácio é do professor e pesquisador Venício A. de Lima, da Universidade de Brasília (UnB) e um dos maiores especialista no tema no país: “O precioso e oportuno ‘A ditadura da mídia’ oferece ao leitor, em linguagem simples e direta, não só um quadro atualizado sobre os grupos que disputam o controle da grande mídia no mundo e em nosso país, como também um roteiro justificado de metas que devem orientar as reivindicaçòes populares na 1* Conferência Nacional de Comunicação".
O jornalista Laurindo Lalo Leal Filho, ouvidor da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), faz um comentário: "O livro ‘A ditadura da mídia’ tem a justa pretensão de se tornar um instrumento de apoio para todos os que lutam pela construção de uma comunicação mais justa e equilibrada em nosso país”.

ver texto completo em: PROJETO PIG 2010

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Mais uma do Língua...

O Carisma Religioso e os Interesses Pagãos da Igreja Católica

Lambido do Blog do Professor Fernando Massote

O carisma religioso com que se cobre a Igreja Católica serve, também, no plano mais político, para despistar o público das manobras da mesma para assegurar seus interesses nada transcendentais ou muito temporais. Vale, a propósito, lembrar a admoestação de Napoleão Bonaparte, segundo a qual “o Papa é um bruxo”. Quase como se recebesse muito apoio popular para representar interesses do diabo…



É importante chamar a atenção para o fato que a Igreja, à diferença do que crêem os seus fiéis, é menos uma emanação dos céus do que o resultado de interesses e articulações muito terrenas… Ela está sempre, bi-milenarmente, atenta ao trabalho de conquista e defesa de suas regalias profanas. Não há como duvidar que a realidade e a atuação da Igreja Católica preencham, com efeito, todos os requisitos que fazem dela um grande partido político interclassista e internacional. Ela tem, para isso, base popular, quadros intermediários, pessoal dirigente preparado e diversificado de primeiro escalão. Uma parte do prelado, dos mais baixos escalões até os mais elevados, representado pelos bispos e cardeais, perpassado por concepções tradicionalistas, se alinha com os grandes interesses estabelecidos da sociedade civil. São os setores conservadores, centristas e direitistas do clero. A outra parte, integrada pelos setores considerados, jornalisticamente, como “progressistas”, se alinha com a gama mais heterogênea dos interesses mais populares da sociedade civil. Esta última é a chamada “esquerda” ou, num vocábulo mais especializado, a ala “modernista” da Igreja.





A ala diretista, classicamente chamada de “integrista”, tradicionalmente posicionada a favor dos interesses dominantes ou mais ricos da sociedade civil, estabelece, dentro da Igreja, uma renhida disputa com a outra, sua antagonista. As duas compõem, não sem conflitos, seus interesses numa “instância” politicamente sintetizadora que o vocabulário mais analítico chama de “jesuítica”. Disciplinadas e enquadradas “jesuiticamente”, ou seja, sempre pelo alto, no interesse da Instituição, a ação das duas alas concorre para o sucesso da pressão que a Instituição católica exerce sobre o poder político “temporal”, em defesa de suas regalias. Desencadeadas uma contra a outra dividem a Igreja e a ameaçam com os cismas. Esta disputa pode chegar a fases extremamente críticas corporificadas nos cismas que já dividiram muitas vezes a Igreja Católica no decurso da chamada “modernidade”, de l492 até a atualidade.





Se os setores mais direitistas ou “integristas” do clero cedem demasiado aos interesses dominantes, a ala progressista ou “modernista”, lesada nos interesses que representa, se opõe e pode mesmo chegar ao cisma. Se, vice-versa, a ala mais progressista ceder “demasiado” (para o “paladar” da ala antagonista) aos interesses “dominados” ou populares, a ala conservadora se opõe e pode também chegar a adotar posturas “cismáticas” como ocorreu, durante os pontificados de Paulo VI e seus sucessores, no caso do bispo suíço Marcel Lefrebve, que se opunha às reformas do Concílio Vaticano II (l961-66). Aos “jesuitas”, considerados como instância moderadora orgânica da Igreja, compete assimilar os contrastes de forma a evitar a explosão da unidade eclesial ou divisão cismática.




Se estes fatos fossem observados mais seriamente, a atenção do público, no nosso país, estimulada pela imprensa falada, escrita e televisionada, estaria centrada no novo acordo entre o Estado e a Igreja que está sendo preparado há tempos e está programado para ser assinado no Brasil na semana que vem.




Não cabe ao nosso blog a tarefa “jesuitica” desempenhada, no Brasil, pela grande imprensa, que em defesa de políticas conciliatórias, censura os posicionamentos mais enérgicos, como ocorre hoje no Senado em torno do caso do coronel José Sarney.





A simples referência a alguns dos itens do documento a ser assinado pela Igreja e o Estado brasileiro bastaria para indicar a natureza dos interesses envolvendo a instituição “religiosa” Igreja Católica: o efeito civil do casamento só religioso ou a validade civil do ato religioso, a possibilidade de dar, na escola, ao aluno, o direito de escolher o que estudar na disciplina da religião e finalmente um elemento crucial para a sobrevivência civil e financeira mais imediata da Igreja que é o que estabelece ou não um vínculo trabalhista entre os padres e irmãs de caridade com as dioceses. Isto porque em vários países, padres e irmãs de caridade entraram na justiça para obter direitos trabalhistas da Igreja: salários, aposentadoria, indenização, etc.





Muitas demandas da Igreja, expressas nas cláusulas do documento a ser assinado, ferem o ideário e a natureza republicana do Estado no Brasil. Ela busca, com o documento, estabilizar e/ou institucionalizar seus interesses tradicionais e mais novos na sociedade brasileira. Alguns exemplos: seu reconhecimento como instituição da sociedade civil nacional como organização que disputa o “público” religioso. Ela busca as regalias que a privilegiam nesta disputa: a validade civil do casamento religioso, a sua presença na disputa do “eleitorado” estudantil para o seu credo nas escolas e o bloqueio, via acordo com o Estado, das reclamações trabalhistas de padres e irmãs de caridade que querem se aposentar, exigir indenizações… Esta foi, aliás, uma das exigências mais propaladas durante a última e recente visita do Papa aos Estados Unidos.





Ceder a estas exigências da Igreja e chegar mesmo a proteger o patrão contra o empregado é coerente com o ideário e as instituições laicas, republicanas e democráticas, universalizantes, do Estado brasileiro?

terça-feira, 9 de junho de 2009

Grande imprensa puta com a Petrobrás!!!!



por Luiz Carlos Azenha

1) Porque perdem o "monopólio da informação" e, com isso, autoridade sobre o público;

2) Porque os leitores agora podem saber quais são TODAS AS PERGUNTAS feitas pelos jornais à Petrobras;

3) Porque comparando todas as perguntas feitas pelos jornais e todas as respostas dadas pela Petrobras com o que é efetivamente publicado os leitores podem descobrir as manipulações feitas com as respostas no processo de edição;

4) Porque essa comparação permite ao público descobrir quais as respostas da Petrobras serão simplesmente omitidas do jornal impresso para não "atrapalhar" a pauta;

5) Porque comparando as perguntas feitas pelos diferentes jornais, o público pode entender que há gente alimentando simultaneamente os jornais com informações em busca de levantar a bola para a CPI;

6) Porque as perguntas fornecem pistas sobre quem está alimentando os jornais com o objetivo de criar o "escândalo" necessário ao sucesso do palanque eleitoral da CPI;

7) Porque essas pistas poderão levar o público a descobrir que os jornais são usados em campanhas eleitorais ou com objetivos inconfessáveis, como o de entregar o pré-sal a empresas estrangeiras;

8) Porque o blog da Petrobras desloca público do jornal impresso para a internet, onde o público poderá receber informações, por exemplo, sobre como a grande imprensa brasileira atacou Getúlio Vargas quando ele criou a Petrobras;

9) Porque todo esse processo pode deixar claro que a grande imprensa não é isenta, nem imparcial, nem honesta; que diz não ter lado, mas tem; que está a serviço de "uma causa", assim como esteve quando fez campanha contra a criação da Petrobras ou em favor do golpe militar de 1964;

10) Porque eles ainda não sairam do século 20.

http://petrobrasfatosedados.wordpress.com/

É por isso que o Viomundo apóia o controle social dos gastos de publicidade de governos, órgãos e empresas públicas.

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Fonte: Viomundo - Luiz Carlos Azenha

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Liberdade ou libertinagem da imprensa?

Chupado de Observatório da Imprensa

LEI DE IMPRENSA

Mistificações em torno da liberdade abstrata

Por Sylvia Moretzsohn em 7/4/2009


A causa da liberdade provoca paixões. Paixões que alucinam. Empolgado na defesa de sua proposta de abolição da Lei de Imprensa, na sessão em que o Supremo Tribunal Federal começava a discutir o tema, o deputado Miro Teixeira exagerou na metáfora clássica do "quarto poder": a imprensa não seria apenas representante do povo, seria o próprio povo. Assim resumiu O Globo a fala do deputado, na edição de quinta-feira (2/4):

"A imprensa são os olhos do povo. Requeiro que desapareça a possibilidade de pena a jornalista ou responsável pela publicação sempre que houver causalidade com o direito do povo e que nós possamos ter um país em que o povo possa controlar o Estado e não que o Estado possa controlar o povo, como temos hoje".

E o povo, como todo mundo sabe, "se vê" na Globo.

Caberia perguntar, então, qual o sentido da democracia e da realização regular de eleições diretas para os mais variados cargos legislativos e executivos do poder do Estado, qual o sentido da existência dos mais diversos movimentos sociais e organizações da sociedade civil, se quem nos representa – perdão: quem incorpora nossa identidade – são as empresas de comunicação?

Grandes empresas privadas de comunicação, segundo o modelo vigente no país.

Grandes empresas privadas podem ser a referência de expressão do interesse público?

Quem sabe a pergunta nem faça sentido, pois é forçoso reconhecer que, identificada com o "povo", a imprensa estabeleceria essa "linha direta" – portanto, sem mediações – comprometida com a expressão daquilo que outro deputado, em outra ocasião, chamou de "instintos mais primitivos". Afinal, o "povo" é assim.

Entretanto, vindo de quem vem, o raciocínio nem é tão surpreendente. Num passado relativamente recente, numa das muitas vezes em que os exageros televisivos expressavam precisamente esses "instintos" e levaram à discussão sobre a necessidade de se estabelecer limites para a programação, Miro Teixeira, então ministro das Comunicações, argumentava singelamente que "o melhor controle é o controle remoto" [CartaCapital, "Globo: questão de Estado", 1/10/2003]. Era uma declaração absolutamente coerente com a lógica neoliberal da democratic marketplace, na qual o cidadão é assimilado ao consumidor e o consumidor "tem sempre razão". Hoje, porém, com o abalo provocado por uma crise financeira global de consequências ainda imprevisíveis, conviria refrear um pouco esse ardor em torno do mercado.

Liberdade de expressão x liberdade de imprensa

Retornemos ao argumento original. Esse "direito do povo" a que o deputado se refere é o direito à liberdade de expressão, automaticamente identificado ao da liberdade de imprensa. Seria importante desfazer o equívoco, porque afinal se trata de duas coisas diferentes: bastaria indagar, por exemplo, se o jornalista funcionário de uma empresa goza de tal liberdade; ou mesmo se "o povo" não teria a sua liberdade de expressão restrita quando envia uma carta não publicada ou – nesses tempos de "cidadãos-repórteres" – manda uma colaboração ou denúncia que acaba descartada. (Neste segundo caso, a resposta óbvia é não, porque não há jornalismo sem edição, e editar significa fazer escolhas. Jornais devem zelar por sua linha editorial. Além disso, em qualquer suporte diferente da internet, têm espaço limitado).

Mas essa confusão é muito adequada quando se deseja tratar abstratamente desse tema tão delicado que é a liberdade de imprensa, esquecendo-se convenientemente as condições concretas em que se pratica o jornalismo e os interesses envolvidos no negócio da imprensa, especialmente num contexto de forte concentração dos meios de comunicação.

veja texto completo no Observatório da Imprensa

sábado, 11 de abril de 2009

Os Judas estão à solta - Cuidado!









São muitos os judas, escolha um para malhar!

Hoje é dia de malhar os Judas...








Sábado de Aleluia, tradicionalmente, é o dia de malhação do Judas. Mas, coitado do cara, ele merece ser tão malhado? Acho que trata-se mais de um bode expiatório que esconde os verdadeiros crápulas. Os traidores estão à solta!

sábado, 4 de abril de 2009

2000 anos de crime terror e repressão

Há cerca de 2000 anos, nascia na Galiléia um fundador de seita, que acabaria crucificado uns trinta anos mais tarde. Algumas de suas últimas palavras na cruz foram "Dêem-me de beber". E só. A seita que ele tinha fundado tornar-se-ia, com o passar dos anos, a maior de todos os tempos. Ela tomará o poder político dentro do Império Romano, abolirá a liberdade de religião, depois ajuntará montanhas de cadáveres: os seus membros massacrarão milhões de "infiéis", "hereges", "feiticeiras" e outros, depois se matarão entre eles próprios, levando a Europa às guerras mais ferozes que ela conheceu. Um passado destes poderia incitar à modéstia, mas os cristãos reivindicam, pelo contrário, o monopólio da ética. Proclamam que adoram o Deus único, que deus é "amor", e se consideram melhores que o resto da humanidade.
Única ideologia capaz de dividir com o comunismo e o nazismo o pódio dedicado às ideologias mais mortíferas da história humana, o cristianismo mantém-se uma ideologia dominante em muitos países ocidentais, como o "gendarme do mundo", os EUA. Chegou a hora de abrir o "Livro Negro do Cristianismo: 2000 anos de terror, perseguições e repressão", que resume algumas das piores atrocidades cometidas em nome dessa ideologia que pretende promover o amor ao próximo.

Ver texto completo no blog da Raquel

quarta-feira, 1 de abril de 2009

O dia da farsa!


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Há 45 anos atrás, este país viveu a maior farsa de sua História. E esta farsa se deu justamente no dia primeiro de abril, dia internacional da mentira. Gorilas fardados juntaram-se a uma burguesia retrógrada, com amplo apoio de uma classe média medíocre, iniciando-se, assim, uma ditadura desavengonhada.
Na sequência, segui-se uma escalada de violência desmedida e perseguições políticas atrozes, inclusive sobrando para os aliados de primeira hora (leia-se J.K e Carlos Lacerda, por exemplo). Sobrou cassação e porrete!
À classe trabalhadora foi oferecido um achatamento salarial sem precedentes, à classe média a engabelação (mais uma mentira) do "milagre econômico" (a conjuntura econômica internacional era propícia ao "milagre"), aos elementos pouco ou nada conformados, porrada e tortura.
Esta mentira, esta farsa, foi estrategicamente vendida como verdade absoluta pelos veículos de comunicação em geral e a Rede Globo de Televisão em particular. As organizações Globo tiveram um crescimento exponencial no período, transformando-se na maior rede de televisão do país com influência em todo o território nacional.
Os artífices do movimento de 1964 (militares, empresários oportunista e inescrupolosos e a velha oligarquia), com o golpe, deram sentido ao dia primeiro de abril. Esta farsa durou 21 anos e até hoje tem consequências funestas para a sociedade brasileira.

terça-feira, 31 de março de 2009

No dia em que a liberdade foi-se embora

Por Celso Lungaretti

Eu tinha 13 anos em 31 de março de 1964.

Puxando pela memória, só consigo me lembrar de que, naqueles dias, a TV vendia o golpe de estado em grande estilo, insuflando tal euforia patrioteira que os cordeirinhos faziam fila para atender ao apelo: "Dê ouro para o bem do Brasil!".

Matronas iam orgulhosamente tirar suas alianças e oferecê-las para os novos redentores da Nação, torcendo para que as câmeras as estivessem focalizando naquele momento solene.

Desde muito cedo eu peguei bronca dessas situações em que a multidão se move segundo uma coreografia traçada por alguém acima dela, com cada pessoa esforçando-se para parecer mais sincera no papel representado... de forma tão exagerada que acaba se mostrando, isto sim, artificial e canastrônica.

De paradas de 7 de setembro a procissões, eu não suportava a falsa uniformidade. Gostava de ver cada indivíduo sendo ele mesmo, igual a todos e diferente de todos ao mesmo tempo.

E, na preparação do clima para a quartelada, houvera a Marcha da Família, com Deus, pela Liberdade, com aquelas senhoras embonecadas e aqueles senhores engravatados me parecendo sumamente ridículos.

Aqui cabe uma explicação: duas fortes influências me indispunham contra a marcha da classe média baratinada.

Minha família era kardecista e, quando eu tinha oito, nove anos, me levava num centro espírita cujo orador falava muito bem... e era exacerbadamente anticatólico.

A cada semana recriminava a riqueza e a falta de caridade da Igreja, contrastando-a com a miséria do seu rebanho. Cansava de repetir que Cristo expulsara os vendilhões do tempo, mas estes estavam todos encastelados no Vaticano.

Vai daí que, cabeça feita por esse devoto tardio do cristianismo das catacumbas, eu jamais poderia aplaudir um movimento de católicos opulentos.

E eu devorara a obra infantil de Monteiro Lobato inteira. Com ele aprendera a prezar a simplicidade, desprezando a ostentação e o luxo; a respeitar os sábios e artistas, de preferência aos ganhadores de dinheiro.

Mas, afora essa rejeição, digamos, estética, eu não tinha opinião sobre o golpe.

Escutava meu avô dizendo que, se viesse o comunismo, ele teria de dividir sua casa com uma família de baianos (o termo pejorativo com que os paulistas designavam os excluídos da época, predominantemente nordestinos).

Registrava a informação, que me parecia um tanto fantasiosa, mas não tinha certeza de que o meu avô estivesse errado.

O certo é que os grandes acontecimentos nacionais me interessavam muito pouco, pois pertenciam à realidade ainda distante do mundo adulto.

Na canção em que Caetano descreve sua partida de Santo Amaro da Purificação para tentar a sorte na cidade grande, ele lembrou que "no dia em que eu vim-me embora/ não teve nada de mais", afora um detalhe prosaico: "senti apenas que a mala de couro que eu carregava/ embora estando forrada/ fedia, cheirava mal".

Da mesma forma, o dia que mudou todo meu futuro -- seja o 31 de março festejado pelos tiranos, seja o 1º de abril em que a mentira realmente tomou conta da Nação -- não teve nada de mais.

Gostaria de poder afirmar que percebi, logo naquele momento, estarmos começando a carregar uma fedorenta mala sem alça, da qual não nos livraríamos por 21 longos anos.

Mas, seria abusar da licença poética e eu não minto, nem para tornar mais vistosas as minhas crônicas.

Os mentirosos eram os outros. Os fardados, as embonecadas e os engravatados.

domingo, 8 de março de 2009

A BESTA MEDONHA!

Tendo como lema em seu brasão episcopal In obsequio Jesu Christi (A serviço de Jesus Cristo), esse atordoado ser, representante desse “Conto da Carochinha” que é o cristianismo, resolveu “punir” com a excomunhão (pena eclesiástica que exclui crédulos do gozo da totalidade dos bens espirituais) todos os envolvidos com o aborto levado a efeito na menina de nove anos, 1,37 m de altura e 33 quilos, que estava grávida de gêmeos após estupros contínuos por parte do próprio padrasto. Estão condenados, por ordem dessa aberração cromossômica que ocupa o posto deixado pelo inesquecível Dom Hélder Câmara, os advogados, juízes, familiares da criança e equipe médica que viabilizaram esse aborto em tempo recorde, impossibilitando a ação funesta desse psicopata. Psicopata, sim! Não acredito que alguém que é obrigado a abdicar das delícias do sexo por toda a vida tenha algum grau de normalidade. Mesmo que se, em vez de resignar-se com essa castração compulsória, houver optado por aderir à prática comum aos conventos, sacristias e seminários, onde rola o maior auê quando as luzes são apagadas. A prova das alucinações intelectuais que a falta de sexo ou seu uso com imenso sentimento de culpa é capaz de provocar em quem se relaciona assim com esse prazer, é que, esse representante do Vaticano aqui em Pernambuco, absolveu da excomunhão o padrasto das crianças abusadas. No plural sim, já que, há mais de quatro anos, abusava também de uma irmã da grávida, que tem sérios problemas mentais.


Ainda bem que a autoridade moral desse suposto donzelo não vai além do seu próprio quarto de dormir, senão teríamos que assistir a essa criança de apenas nove anos, gerar em seu frágil corpo, dois embriões que, no seu impúbere útero, foram assentados por quem lhe devia abrigo.

Essa anomalia que perambula arrastando sapatos lilás pela nave central das igrejas católicas pernambucanas, e exibindo ameaçadoramente imenso crucifixo pendente sobre o peito, bem que tentou amedrontar familiares da pequena e indefesa criança, mas, o Ministério Público, o Judiciário e a Junta Médica não lhe deram tempo de usar sua arma preferida: a palavra mentirosa e mórbida desferida contra pessoas intelectualmente desprevenidas.

veja o blog vassoura de bruxa

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quinta-feira, 5 de março de 2009

"Deu" no Esporte Espetacular

COMÉDIA DE ERROS ESPETACULAR


Em cada momento o pugilista Erislandy Lara conta uma versão diferente sobre o que ocorreu em agosto/2007, quando tentou desertar durante o Pan e a Polícia Federal o localizou numa pousada de Niterói, juntamente com seu colega Guillermo Ringodeaux, despachando ambos a toque de caixa para Cuba.

O governo errou ao não dar tempo para que a OAB e a Anistia Internacional cumprissem seu papel de orientar os boxeadores, avaliando junto com eles as opções existentes e indicando-lhes a decisão mais adequada a seus interesses.

Se mesmo assim eles fizessem a escolha errada, azar. Quem é burro, pede a Deus que o mate e ao diabo que o carregue, costumava dizer o Paulo Francis.

Mas, do jeito como as coisas se passaram, ficará sempre a suspeita de que o governo não fez tudo que deveria para evitar que tomassem uma decisão desastrosa.

O certo é que receberam tratamento de párias ao voltarem para casa. Foram impedidos de exercer sua profissão, tiveram de viver de biscates e fugiram novamente assim que puderam.

Nada disso se modificaria caso, como Lara declarou ao Esporte Espetacular, o refúgio lhe tivesse sido oferecido pelo presidente Lula em pessoa. Não é esse o papel de um presidente da República, exceto em repúblicas das bananas.

O auê virtual com que alguns celebraram a declaração do pugilista foi de uma ingenuidade atroz, somente comparável à do Depto. de Esportes da Rede Globo (que assumiu uma reportagem com evidente cunho político e dela se desincumbiu bem ao estilo dos marinheiros de primeira viagem).

O perspicaz Juca Kfouri manifestou de pronto seu ceticismo quanto à alegada participação de Lula no trato dessas miudezas.

Estava certo: o Planalto acabou mesmo desmentindo a versão de Lara, qualificada de "fantasiosa". Só o Ministério da Justiça e a Polícia Federal estiveram em contato com os pugilistas.

Mas, a evidente desarticulação do boxeador serve, pelo menos, para demonstrar que o governo tem atenuantes no episódio. Três outros esportistas cubanos, que sabiam o que queriam, levaram a bom termo a deserção e obtiveram o refúgio.

Lara e Ringodeaux não foram vítimas apenas das trapalhadas alheias, mas também das próprias.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Deu no Jornal Nacional

Como comentou o Observatório da Imprensa, o Jornal Nacional da Venus Platinada (leia-se TV Globo) deu uma tremenda "barrigada" com o caso da advogada Ana Paula:

CASO PAULA OLIVEIRA
Afobação em lugar da investigação

Por Alberto Dines em 16/2/2009
Comentário para o programa radiofônico do OI, 16/2/2009

A imprensa se afobou e as autoridades brasileiras se precipitaram no caso da jovem advogada que denunciou ter sido atacada por neonazistas na Suíça. A notícia controversa foi dada como verdadeira, em primeira mão, pelo Globo Online, na quarta-feira (11/2). Toda a imprensa embarcou na história. Só na sexta-feira a TV Globo colocou em dúvida a versão da jovem. O caso mistura xenofobia de verdade, emocionalismo e pouca disposição para investigar. Enganada por sua própria afobação, a imprensa pode inverter os sinais. (L.M.C.)

Nada há de definitivo sobre as denúncias de Paula Oliveira contra os neonazistas suíços que a teriam atacado. Médicos garantem que ela não abortou, a polícia acha que os ferimentos teriam sido auto-infligidos. Mesmo assim diversos articulistas dos jornalões de domingo (15/2) tentaram diminuir a importância desta reviravolta.

Um deles afirmou que esta era uma questão secundária porque o caso de Paula Oliveira é "verossímil" numa Europa conturbada pela violência política. Outra colunista admitiu que Paula pode ter errado, mas "o erro maior está lá, na Europa".

Vamos com calma: a União Européia não esconde a sua preocupação com a xenofobia e o racismo. O erro maior é mentir, inventar, criar um caso diplomático e produzir um vexame internacional.

Erro maior é uma imprensa que não investiga antes de denunciar.

Erro maior cometem as autoridades que botam a boca no trombone antes mesmo de averiguar o que se passou.

A verdade é que a xenofobia européia e a antixenofobia brasileira estão ficando muito parecidas. A emoção nunca pode substituir a razão.

"Sim" vence na Venezuela

Os venezuelanos aprovaram no domingo, em referendo, uma emenda constitucional que permite ao presidente Hugo Chávez se candidatar à reeleição quantas vezes quiser, abrindo a possibilidade de governar o país por mais uma década. A presidente da autoridade eleitoral informou que 54,4% dos venezuelanos votaram a favor da proposta que suprime os limites à reeleição de todos os cargos de eleição popular, contra 45,6%. Logo após o resultado, o presidente já se disse candidato a um novo mandato no pleito de 2012 e celebrou o que classificou como a consolidação do socialismo no país.
A despeito dos detratores do Presidente Hugo Chávez, leia-se a mídia comprometida com os interesses neoliberais, deve-se admitir que o governo venezuelano realizou seu prebescito dentro do processo democrático. Foi a maioria que escolheu apostar no projeto político do presidente.
Comentário de Chávez:
- Hoje começa o terceiro ciclo histórico, de 2009 a 2019 (...). Abrimos a porta do futuro para continuar transitando a caminho da dignidade (...) e esse caminho não tem outro nome: é socialismo.
É... parece que os porcos capitalistas e as oligarquias históricas da América Latina vão ter que engolir mais essa do intragável (para eles) líder popular...

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Crise? What crise?

Crise? Que crise?

O mundo globalizado parece atravessar uma crise financeira gigantesca, pelo menos é isto que nos informa de maneira dramática e desesperada os meios de comunicação. Na esteira desta crise, empresas anunciam demissões em massa – grandes empresas estão mandando gente embora aos borbotões. No Brasil a mídia escrita e televisiva anuncia com grande alarde o número da crise, justificando as demissões e criticando de maneira velada os investimentos “irresponsáveis” do governo na área social. No entanto, o que me parece (e eu não sou especialista no assunto e estou emitindo uma simples opinião) é que esta suposta crise é mais “psicológica” do que real. Os números da econômica, no Brasil, são bastante positivos: no último trimestre o país obteve um crescimento satisfatório da produção industrial com muitas empresas diversificando os investimentos. Setores como o automobilístico continuam crescendo como antes e outros setores continuam expandindo. Segmentos da classe C e D participam ativamente da economia ampliando o consumo e introduzindo novos itens no seu dia-a-dia. A inadimplência diminuiu e as compras a crédito (talvez reflexo do fator psicológico da “crise”) estão mais restritas.
Apesar disso, os jornais televisivos, principalmente, continuam falando em crise afetando todos os segmentos sociais e econômicos, até o Carnaval da Bahia! Pois bem, peguemos o exemplo das emissoras de TV, as que mais reclamam da “crise”: Nos últimos tempos as três maiores redes de televisão tiveram um faturamento recorde com anúncios (o que de fato as sustentam). O SBT de Sílvio Santos, que tem perdido espaço nos últimos anos, faturou com publicidade a fabulosa quantia de 700 milhões de reais. Isto não impediu que a emissora anunciasse o corte pela metade do salário de uma de suas maiores estrelas, Hebe Camargo (coitada da perua!). A Record, que vem crescendo bastante ultimamente, faturou nada menos que um bilhão e oitocentos milhões de reais. A Globo, com suas cinco emissoras – líder absoluta - faturou, pasmem!, 9,5 bilhões! Não parece que elas choram de barriga cheia? E as grandes corporações mundiais, anunciando cortes gigantescos de funcionários? Não parece desculpa para demitir em massa? A crise anunciada não parece desculpa para tubarões grandes engolirem tubarões médios e pequenos? Há algo de podre no reino da Dinamarca.