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domingo, 7 de novembro de 2010

Internet tem janela para controle cultural e político




A entrevista com o sociólogo Sergio Amadeu [foto] foi feita pelo Rodrigo Vianna, do Escrevinhador – e disseminada em lista pelo Castor Filho:


Você poderia explicar o que é o Plano Nacional de Banda Larga e qual a sua importância?

O Plano Nacional de Banda Larga é um conjunto de ações do governo para levar a internet com velocidade razoável para todo território nacional. Hoje grande parte do nosso território tem acesso apenas à conexão discada. Isto impede que se faça uma série de coisas: acesso à prestação de serviços online, acesso à multimídia…

Portanto o Plano Nacional tenta levar as redes de alta velocidade a todos municípios, a todas periferias das grandes cidades porque as empresas operadoras de telefonia, responsáveis pela banda larga, não fizeram isso até hoje. Nada impedia que essas operadoras levassem banda larga para o nordeste ou mesmo para a Cidade Tiradentes. Há mil restrições em locais onde não é rentável ter banda larga. Aí vem a questão: a banda larga que foi implementada no Brasil é cara e de baixa qualidade, muito instável.

O Plano Nacional de Banda Larga amplia a rede de banda larga fazendo parcerias também com pequenos empreendedores, com empresas estatais e retomando a Telebrás – não como a empresa estatal que era mas como um gestor do sistema. Este será mais amplo em relação ao gerado pelas privatizações, que é um sistema de grande operadoras que querem uma alta taxa de remuneração e por isso deixam abandonadas as regiões carentes.

O Plano Nacional de Banda Larga no fundo é o reconhecimento de que a Anatel não conseguiu que a empresas operadoras, simplesmente por medidas regulatórias, expandissem a banda larga. Até porque a banda larga, ao contrário da telefonia fixa, não tem metas de universalização. Então as operadoras cobram o que querem e não são obrigadas a cobrir todo o território. Já o reconhecimento de que elas não estão dando conta dessa necessidade urgente do nosso país, fez com que o governo retomasse a Telebrás pra criar uma competição justa e importante com essas operadoras. E elas vão ter baixar preço, vão ter que ampliar sua malha.

E que deficiências você vê no projeto do governo?

O que o governo está propondo ainda não é o ideal porque ele está trabalhando com 512k de velocidade, isso é completamente insuficiente. Em relação ao custo, não sabemos ao certo mas deve ser em torno de 15 ou 25 reais, que não é o ideal para a realidade socioeconômica brasileira.

Acho que a gente tem que observar que as operadoras fracassaram nesse modelo só do mercado, nada impede ou impedia que colocassem banda larga em todo o lugar então o que o governo está fazendo é uma ação competitiva também que é necessária ao modelo de privatização que houve.

Se você tirar todos os impostos do custo de banda larga hoje, você ainda tem um dos serviços mais caros do mundo. O argumento das operadoras é que são muito tributadas, podem até ser mas não é esse o problema. O problema é que eles tem um modelo de remuneração absurdo, eles querem controlar o tráfego da rede. É uma coisa muito absurda, um dos dirigentes dessas operadoras dizia “olha vocês não podem navegar no horário que vocês querem, vocês tem que navegar no horário que tem menos tráfego”. Ora, eu pago caro e ele ainda quer dizer que horário eu devo usar.

Se deixarem que as forças de mercado atuem livremente nós estamos perdidos, nós não vamos conseguir ter atendidas as necessidades informacionais da sociedade. É básico isso. E por isso que o plano é bem interessante apesar de que espero que ele melhore, que o governo reconheça a necessidade de preços mais baixos e banda mais alta.

A retomada da Telebrás é o ponto do plano que está sendo mais atacado.

Claro, porque as operadoras queriam receber o dinheiro, queriam tirar o imposto e manter praticamente os preços que elas praticam. Ou seja, o governo daria bilhões para elas fazerem no modelo absurdo, de desrespeito ao consumidor que elas vêm praticando.

Então seguindo a lógica de vários outros países extremamente modernos, como a Holanda, o governo montou uma empresa que vai articular a competição. Daí é obvio que as operadoras disseram “não, isso é incorreto”. Incorreto para o modelo de privatização que houve no Brasil que premiou essas empresas sem exigir padrão de qualidade e baixo preço.

A Telebrás será uma empresa de gerenciamento e de articulação. Tem vários pequenos provedores de conexão que ficam sufocados por essas grandes empresas. Com a Telebrás , eles poderão competir com as grandes. Isso é bom. A Telebrás poderá ajudar também as prefeituras que desejarem abrir o sinal, já que hoje as que fazem isso são altamente taxadas pelas operadoras. Então elas sufocam as possibilidades de uso coletivo, de um programa social e de direito humano à comunicação que é dar o sinal de rede gratuitamente.

Das grandes operadoras, quantas são que dominam o mercado nacionalmente?

Elas estão se fundindo, hoje talvez sejam quatro no máximo. É um mercado oligopolizado, ou seja, poucos ofertantes de serviço. Isso é um problema. E eles tem muito dinheiro.

O processo de convergência de digital, ou seja de tudo ir pras redes digitais, gera uma economia de rede mais forte. Ou seja as empresas vão se coligar, é uma tendência mundial. E o capital é concentrador, enquanto houver capitalismo vai ser concentrador. Só uma operadora em São Paulo fatura mais que todo setor de radiodifusão no Brasil, que deve ter faturado 18 bilhões. Só uma operadora fatura mais, ou seja, tem muito mais poder econômico.

Quais obstáculos estão postos para a implementação do Plano Nacional de Banda Larga?

A Dilma ganhando, eu acho que fica tudo bem mas se ela perder, o plano vai ser feito do jeito que as operadoras querem. E para eles é uma briga econômica. Tomara que dê certo mas vai ter que dar porque isso é estratégico. As empresas já estão percebendo isso. Vai ter que ter, não tem jeito.

O que significa a democratização do acesso à internet? Como as pessoas se beneficiam disto?

Eu acho, apesar de ser bastante controverso, que as pessoas ganharam mais poder comunicativo. A internet, por ser uma rede distribuída, dá mais condições das pessoas se comunicarem, muito mais que no período antes da internet. O telefone não permitia que eu mandasse uma informação que pudesse ser vista por milhares de pessoas, hoje você tem pontos na rede que tem capacidade de dialogar com muitas pessoas. Então ela aumentou o poder comunicativo, sem dúvida nenhuma.

Por outro lado, ela reduziu este mesmo poder de grandes grupos. A Globo é muito mais poderosa que um blogueiro, não tem cabimento achar que não. Mas ela começa a enfrentar movimentos e críticas, ela começa a enfrentar ondas na rede. Como foi o #dilmafactsbyfolha . A Folha atua como um partido politico, não só ela mas principalmente. Então ela faz combinações com as campanhas de José Serra e Geraldo Alckmin, ela coloca as manchetes de acordo com a campanha…E ela fez uma manchete completamente descabida e aí gerou um reação. Ninguém sabe exatamente com quem começou mas se você for ver foi de uma pessoa comum indignada e as pessoas acharam legal e começaram a falar, a tirar sarro da Folha. A manchete era “Dilma erra e dá prejuízo de 1 bilhão para consumidor” e o pessoal começou a colocar toda a culpa do que acontecia na Dilma. Isso gerou uma desmoralização da Folha de S.Paulo e isso não tende a diminuir. Esta retirada de poder dos grupos é importante. Agora isso quer dizer que vai acabar a empresa jornalistica? Claro que não. Só que essas empresas, se elas forem querer atuar achando que tem o poder que tinha antes, elas vão de dar mal. Elas terão que conviver com a rede. Então acho que isso beneficia muito a nossa sociedade.

A mídia de massas era importante por um lado porque fiscalizava os governos mas quando ela queria atuar de modo classista contra interesses populares e democráticos, ela atua com a maior tranquilidade. Então hoje você tem um jogo mais complexo. E eu acho isso extremamente positivo, teremos uma diversidade maior de atores. Isso é o que está acontecendo hoje.

Quais são os obstáculos que estão postos e quais iniciativas de cerceamento da liberdade na internet?

Existem governos, como o da China, e grupos de pessoas ou políticos conservadores que querem transformar os protocolos, o controle que é dado tecnicamente na internet em controle político e cultural.

É difícil a gente falar isso: a rede amplia a liberdade de expressão, amplia a capacidade de interação entre as pessoas, ela é uma rede que permite a liberdade nesse sentido. Mas ela é uma rede também de controle. Ela é uma rede cibernética: de comunicação e controle.

Atualmente você pega um grupo como o Google que conseguiu atrair a atenção e interesse das pessoas, que passaram a entregar as suas informações voluntariamente, porque era legal usar o Gmail,o Youtube, o Orkut, as aplicações, o mecanismo de busca…É uma empresa que não obrigou ninguém a passar tanta informação para eles mas eles são um repositório de informações jamais alcançado por alguém história da humanidade.

Nunca tivemos uma situação onde pudessemos falar tanto e nunca fomos tão controlados. É uma aparente contradição mas não é. A própria rede para ser dispersa, tem que ser extremamente controlada. Mas na hora que eu transformo esse controle tecnológico, que é tipico da cibernética, em controle cultural e começo a dizer que deve passar por determinados lugares, que tem que definir o comportamento político cultural das pessoas. Daí eu tenho algo extremamente grave. Então nós estamos com um grande problema hoje. E uma das grandes expressões desse problema de transformação do controle tecnológico em controle político se dá em torno da neutralidade da rede.

Você pode explicar o conceito de neutralidade da rede?

A internet ela pode ser entendida como uma rede lógica, uma rede de informações. Para usarmos a internet, utilizamos a infraestrutura de telecomunicações, ou seja, os controles do que a gente chama de camada física da rede. Essas operadoras de telecom querem controlar o fluxo de informações que passa por seus cabos.

A internet até hoje não funcionou assim porque uma camada era neutra em relação às outras. Daí o termo neutralidade da rede. Ou seja, até hoje não era permitida a discriminação dos pacotes [de informação], seja por origem, destino, conteúdo…

Agora essas operadoras dizem “não, nós estamos com um problema: as pessoas tão baixando vídeo e compete com um tráfego importante de dados. Os vídeos tem que pagar para andar na minha rede”. É como se fossem pedágios virtuais nesse sentido. E elas querem assim: se o blog do Sergio Amadeu não tiver acordo com uma operadora americana, não vão abrir o blog com a mesma velocidade do MSN, que tem um acordo.

Então nós vamos implantar estradas pedagiadas, vamos implantar as regras de mercado dentro do ciberespaço. O ciberespaço sempre permitiu ação do mercado mas ele não é o mercado, ele é o espaço comum, onde todos eram tratados de maneira equânime. E as operadoras com essa tentativa de restrição, estão interferindo diretamente no meu interesse, na minha liberdade de me comunicar.

Isso coloca em risco a criatividade da rede. Se eu criar uma nova aplicação, o que vai acontecer? Uma operadora pode dizer “não sei o que é isso, não vou deixar passar”. O Twitter poderia não existir, o Youtube…Pois todo mundo que quiser criar algo vai ter que ser sócio deles, senão não vai poder caminhar nas redes. Isso é uma aberração.

Defender a neutralidade na rede, é defender a liberdade de expressão, de criação, de invenção. E é uma das coisas mais importantes no mundo da internet hoje.

Que iniciativas existem nesse sentido?

Nos EUA, a Justiça deu ganho de causa à empresa Conquest que alegava poder privilegiar determinados pacotes de informação em detrimento a outros em sua rede. E a FCC, a Anatel deles, está contra essa decisão e tem ações legais no parlamento americano para aprovar projetos que garantam a neutralidade na rede, contra a discriminação dos pacotes.

No Brasil colocamos no Marco Civil da Internet que um dos princípios da internet no Brasil é a neutralidade na rede. Isso colocaria, ao menos no nosso território, uma situação difícil para operadoras que começassem a interferir nos pacotes. É um movimento no qual a gente tenta aprovar leis em todos os países importantes do mundo pra garantir a neutralidade da rede.

Porque isso não depende de cada país já que o acesso não tem fronteiras, certo?

Essa questão é bem interessante. O que a gente quer fazer em cada país é garantir que a internet continue livre e não fazer uma lei para dizer “meu país é diferente”. Então é um espírito de uma parte da opinião pública mundial que luta por isso. Olha que interessante: a internet é transnacional mas se os EUA aplicarem o processo de quebrar a neutralidade, eles vão impor essa lógica no mundo inteiro pois é la que estão os maiores provedores de conteúdo e as principais redes sociais.

Então, na verdade, temos que lutar com leis contra o poder de oligopólio desse controladores das redes físicas. A rede física é que controla os cabos, satélites, cabos submarinos…Esses caras são oligopólios no mundo, é mais fácil a gente convencer o governo americano a fazer algo do que a convencermos uma operadora dessa. Porque eu não posso elegê-los, eu não posso controlá-los. Eles não se guiam por preceitos democráticos, é a ditadura do capital. Então é muito grave, daí estranhamente para defender a liberdade transnacional, a gente recorre às leis nacionais. Dizendo “neste pedaço da terra, o fluxo é livre, naquele também, naquele também” e se esses países forem os mais importantes, a gente venceu a batalha.

E qual o interesse das operadoras em fazer isso? Tem a ver com o interesse da indústria fonográfica em barrar o download de músicas, por exemplo?

O interesse maior é eles ganharem mais dinheiro, é cobrar. E aí tem a indústria do copyright, que pensa “bom, se eles puderem controlar a rede, eu faço um acordo com eles pra não passar protocolo bitorrent pela rede deles e aí eu acabo com a pirataria”. É ilusão dos caras isso. Mas o principal interesse das operadores é aumentar seu controle, eles pegam o controle técnico que tem – os computadores sabem que pacotes estão passando – e aí eles ganham mais dinheiro.

E para ganhar mais dinheiro eles destroem a liberdade de expressão, de criação. Eles passam a ter um controle grande porque se eu inventar a Web 3D, vou ter fazer um acordo com ele porque se não eles podem barrar meu conteúdo. Vamos ter cercas digitais e eles só abrem a porteira mediante pagamento ou acordo. Isso é um controle gigantesco sobre a criatividade.

No mundo, as operadoras estão se concentrando – vão ser de 10 a 12 grandes operadoras, que tem mais poder que estados. E é um poder sobre a comunicação e então a gente tem que superar essa nossa dependência desse tipo de companhia – não sei ainda qual seria a solução mas a situação atual é grave. Essas empresas são estratégicas do ponto de vista do direito a comunicação hoje e elas tem que ter o controle social.

Quem são as grandes empresas de telecom? Quem são esses grupos que controlam o mercado?

Tem algumas empresas grandes dos EUA, a AT&T, Conquest, Verizon…Alguns grupos europeus como a Telefônica, a Vodafone e algumas alemãs. Tem duas grande chinesas, muito grandes. Mas o que está acontecendo é que essas empresas estão se coligando, então o grande perigo é essa enorme concentração. É um setor estratégico, eles tem toda a infraestrutura da rede. Por exemplo, como é que a China faz: eles não deixam que alguns IPs sejam lidos, o fluxo de alta velocidade vem e ao entrar na China, tem um computador que filtra. É o chamado grande firewall chinês, a grande barreira.

É possível haver uma regulação a nível mundial? Alguma instância de decisão?

Não, acima dos Estados Nacionais tem acordos. Seria uma boa ideia a gente tentar fazer um acordo em defesa da liberdade na internet mas é muito difícil. No momento nós temos que ganhar a opinião pública em cada país. Porque aí as sociedades em cada local brigam. Na Espanha tem uma briga forte em defesa da neutralidade da rede. Na França infelizmente a gente perdeu para o Sarkozy, que criou lei absurdas. Mas a gente tem um movimento mundial.

Você pode explicar sobre a lei aprovada na França e que foi debatida no parlamento de vários países europeus?

A grande iniciativa hoje é chamada “three strikes”, são as três batidas. Eles identificam que você está baixando, por exemplo, um arquivo de música. Então ele violam a sua privacidade para ver que tipo de arquivo você está baixando. Se for um arquivo protegido pelo copyright, ou melhor dizendo cerceado pelo copyright, eles te mandam um aviso “você está violando a lei” – é a primeira batida. Se você continuar, eles te mandam um segundo aviso e na terceira vez eles cortam a sua conexão, em geral por um ano.

Qual o problema disso? Pense na minha casa que tem três pessoas usando a internet, só eu baixei a música. Na hora que me desconectam, são prejudicadas outras pessoas que não tem nada a ver com isso. Quer dizer, é uma lei inexequível. Tanto é que na França ela foi aprovada há mais de um ano mas não foi aplicada.

A grande questão em relação ao IP [Internet Protocol, número de identificação de um computador na rede] é a seguinte: para você navegar na internet você tem que ter um número de IP, então é muito fácil identificar o IP, a máquina e a região em que está. O grande problema é você individualizar o IP, ou seja, vincular um IP a uma identidade civil. Daí toda aquela navegação, tudo o que aquele IP fez pode ser rastreado por outros e não só autoridades. Basta que eu sabia que o IP xis é do Sergio Amadeu. Eu acabo seguindo o rastro digital. Então é uma coisa bem complicada do ponto de vista da privacidade.

Fonte: Viomundo

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Concordata Brasil-Santa Sé: uma afronta ao Estado laico?



Marina Lins

A Igreja Católica reafirma o seu poder. A concordata que cria o Estatuto Jurídico da Igreja Católica no Brasil, assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pelo papa Bento XVI em 2008, acaba de ser aprovada na Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados. Uma das questões previstas pelo acordo é a adoção do ensino religioso – católico e de outras confissões, segundo o texto – nas escolas públicas do país.
A concordata ainda precisa passar pelas comissões de Trabalho, Administração e Serviço Público, de Educação e Cultura, de Constituição e Justiça e de Cidadania, além de ser votada em plenário antes de entrar em prática. Mesmo acusada de contrariar o princípio da laicidade do Estado, definido pela Constituição brasileira, tudo indica que ela será aprovada o mais rápido possível.

Além de instituir o ensino religioso nas escolas públicas, o acordo também propõe a adoção de regras para assuntos como casamento, imunidade tributária para as entidades eclesiásticas, prestação de assistência espiritual em presídios e hospitais, garantia do sigilo de ofício dos sacerdotes e visto para estrangeiros que venham ao Brasil realizar atividade pastoral.

Responsável pela redação do parecer favorável, o deputado Bonifácio de Andrada (PSDM-MG) alega que o documento não fere a Constituição e ainda estimula o ecumenismo. Contudo, essa afirmação vem gerando controvérsias. Entidades que lutam pela qualidade e universalização do ensino público, como a Ação Educativa, e que defendem os direitos das mulheres e dos homossexuais acreditam que os princípios da Igreja Católica serão impostos nas salas de aula, gerando retrocesso em algumas conquistas desses grupos.

Este ponto de vista é compartilhado por Luiz Antônio Cunha, professor da UFRJ e coordenador do Observatório da Laicidade do Estado (OLE). Entrevistado pelo Olhar Virtual pouco antes de mediar a mesa-redonda “A Concordata Brasil-Santa Sé: Política, Direito e Religião”, o professor alegou que a concordata é um retrocesso no processo de formação do Estado laico. Além disso, afirmou que os interesses da Igreja Católica prevalecerão sobre os das demais instituições religiosas e que a Lei Geral das Religiões é um simulacro da Concordata feito por deputados evangélicos.

Olhar Virtual: Quais são as consequências da Concordata Brasil-Santa Sé para o Estado laico?

Luiz Antônio Cunha: A concordata é um meio de retrocesso na construção do Estado laico no Brasil. Isso porque o Estado laico é um processo, e não uma situação do tipo tem ou não tem. É um processo como a democracia, é uma construção histórica. E por que essa concordata é um retrocesso? Porque é uma volta atrás à conquista que nós já tínhamos no Brasil, que é o Estado não se envolver com os conflitos do campo religioso. E essa concordata exatamente significou o envolvimento do Estado de uma maneira muito interessada nos conflitos religiosos, na medida em que ele assumiu pretensões hegemônicas da Igreja Católica.

Olhar Virtual: Por que o governo brasileiro decidiu assinar a concordata? Quais foram seus interesses?

Luiz Antônio Cunha: O governo brasileiro foi levado a atender esses interesses devido a grandes pressões exercidas pelo papa Bento XVI e especialmente por um cardeal brasileiro que faz parte da “entourage” mais próxima do papa, o cardeal Hummes. Ele é o prefeito da Sagrada Congregação para o clero, uma pessoa bem colocada na estrutura de poder do Vaticano. Exerceram uma grande pressão sobre o presidente da República e sobre o ministério.

Olhar Virtual: Quais foram os interesses da Igreja Católica ao assinar a concordata?

Luiz Antônio Cunha: Eu acredito que seja principalmente uma demonstração de força dentro do campo religioso. No momento, as igrejas evangélicas estão aumentando muito rapidamente o seu número de adeptos e crescendo bastante, principalmente nas áreas metropolitanas, nas áreas de expansão econômica. Correlativamente, os adeptos do catolicismo estão diminuindo. Então, numa situação dessas, a Igreja Católica resolveu fazer uma grande demonstração de força. O fato de levar o governo brasileiro a assinar o acordo dessa forma foi uma expressão dessa força.

Olhar Virtual: Alguns alegam que a concordata é ecumênica? É verdade?

Luiz Antônio Cunha: Essa afirmação é falsa. Nesse tratado só aparecem os interesses da Igreja Católica, não existe nenhuma referência a um interesse do governo brasileiro, e toda a instituição religiosa aí nomeada é a Igreja Católica. Então essa afirmação que a concordata é ecumênica é totalmente falsa. Por exemplo, no que diz respeito ao artigo 11, que trata do ensino religioso nas escolas públicas, o que aparece é “o ensino religioso católico e de outras confissões”. É muito claramente direcionado aos interesses da Igreja Católica, como, aliás, toda concordata em qualquer país do mundo.

Olhar Virtual: A Lei Geral das Religiões pode ser considerada uma resposta de outras instituições religiosas?

Luiz Antônio Cunha: A Lei Geral das Religiões é um simulacro da concordata, foi uma tentativa de alguns setores evangélicos do Congresso de fazer uma espécie de compensação. “Já que a Igreja Católica está conseguindo essa demonstração de força, vamos fazer uma outra, de modo que, em contrapartida, a gente consiga mostrar que temos tanta força quanto ela.” É o mesmo texto da concordata substituindo a expressão “Igreja Católica” por “Instituições Religiosas”. Na realidade, as instituições evangélicas levaram um trote porque o Congresso Nacional aprovou por decreto legislativo a concordata e o presidente da República não pode vetar um decreto legislativo, só pode endossar ou homologar. A tal Lei Geral das Religiões é um projeto de lei ordinário e está no Congresso por tempo indeterminado, até pode sofrer vetos por este ou pelo próximo presidente da República, não sabemos.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

New kids on the blog!!!


Um novo blog surge na rede. Trata-se de Covil da Intriga, o espaço para execrar as ervas daninhas que polulam nas mídias desse país.
Leiam o editorial:

Saudações, leitores!

Hoje estava eu vindo da faculdade em um ônibus refrigerado doido de vontade de mijar. Saltei do dito cujo e corri para o primeiro banheiro que pude entrar. Como tudo hoje é difícil, até encontrar um banheiro de botequim para tira água do joelho, tive que correr até o supermercado do bairro e dar aquela aliviada no banheiro do estabelecimento que, diga-se de passagem, não perde em nada para os mictórios dos pés sujos mais movimentados.
Bem, depois de aliviar a bexiga e sacudir o bilau (e lavar a mão, é claro), saí do banheiro e já estava me dirigindo para o meu doce lar quando vi os meus amigos A.E e M.I no caixa do supermercado.
Foi aquela alegria, digna de comemoração!
Fomos ao primeiro cospe-grosso que encontramos e pedimos uma gelada.
Papo vai, papo vem...
Malhamos Deus e o mundo!
Começamos pela mocréia da Uniban que virou celebridade, passamos pelo mala do Caetano Veloso, execramos a Rede Globo, a Globo Filmes, e os demais judas de plantão.
Nisso tivemos a idéia - aliás quem teve foram os meus dois amigos! - de construir um blog onde pudéssemos compartilhar com vocês todas as nossas opniões sobre a canalhice que impera no país. Prometemos não deixar pedra sobre pedra!
Então, se divirtam ou se irritem, fiquem à vontade.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Aprendendo a lidar com a liberdade na rede





Por Leticia Nunes, de Nova York em 9/9/2009

A internet abriu as portas e janelas da comunicação global, facilitou o contato entre pessoas separadas por fronteiras e oceanos, permitiu que qualquer um com um computador e uma conexão pudesse expressar suas opiniões. A contrapartida é que qualquer um com um computador e uma conexão pode discordar das opiniões dos outros e expressar suas próprias, sem precisar mostrar a cara. Faz parte do jogo. Sites que permitem comentários passaram a ter de lidar com os exageros e as exaltações dos leitores.

O curioso é quando alguém diz o que quer e ouve o que não quer. Na vida real, é fácil desligar o telefone, fechar a porta de casa, tapar os ouvidos. Na rede, fica tudo gravado para todo mundo ver e também dar o seu pitaco. E os pitacos costumam crescer como bolas de neve. Quando a apresentadora Xuxa se irritou, dias atrás, com internautas que debocharam de um erro de português de sua filha no Twitter, disse que eles não mereciam o contato com ela. Encastelada há tantos anos, a "rainha dos baixinhos" entrou de gaiata no fantástico reino das redes sociais onde, com um login e uma senha, todos são iguais.

Basta

Mais curioso ainda é quando isso acontece com alguém já acostumado ao ambiente online. E que fique claro que não defendo a falta de educação, os insultos e ofensas na rede. Internautas que se protegem atrás de seus computadores para passar dos limites do bom convívio social são pessoas covardes na vida real. Mas o que aconteceu com a jornalista americana Sarah Lacy na semana passada exemplifica bem a dinâmica do diálogo na internet. Sarah escreveu o que queria em um momento de irritação, e ouviu críticas e mais críticas. Até que as críticas viraram insultos e os insultos chegaram ao blog de seu marido (que não tinha nada a ver com a história), no que ela viu como o momento de dar um basta.

Sarah escreve sobre tecnologia para o site TechCrunch, tem um blog e é autora de um livro sobre o Vale do Silício. Desde o início de setembro, ela virou também objeto de ódio de internautas brasileiros. A história começou com o planejamento de uma viagem para o Brasil. A visita ao país fazia parte de uma série de viagens para a preparação de um livro sobre companhias empreendedoras em mercados emergentes.

Em um artigo no TechCrunch, Sarah conta que estava tão empolgada com a ida ao Brasil, marcada para este mês, que passou quatro meses aprendendo o português. Mas o zelo não foi tanto na hora de tirar o visto para entrar no país. Ela diz que seu visto deveria sair um dia antes da data marcada para a viagem. Por um desses azares da vida, o governo brasileiro havia decidido, na mesma época da viagem de Sarah, trocar o sistema dos computadores, o que causou problemas e atrasou a emissão de vistos. Sim, essas coisas costumam dar raiva, nos sentimos perseguidos, perguntamos por que tinha que acontecer justamente conosco.

Irritação

Sarah gastou mais de mil dólares para reorganizar seus planos e teve de desmarcar entrevistas e encontros. Tudo muito frustrante. A irritação da jornalista era compreensível. O problema foi quando ela resolveu expressar sua irritação na internet. No artigo no TechCrunch publicado em 3/9, em que conta por que não iria mais ao Brasil, Sarah destilou todo o seu ódio. Chamou o país de "maldito", citou a violência e os seqüestros e pichou a bandeira brasileira. Mesmo assim, ela diz que ainda espera viajar ao Brasil no fim do ano.

Os brasileiros não gostaram e lotaram o texto de Sarah com comentários. Alguns educados, outros nem tanto. Muitos internautas culparam a jornalista por não ter tirado o visto com mais antecedência. Outros lembraram que tirar o visto americano também não é nenhum mar de rosas. Sarah foi chamada de arrogante e egoísta. Diversos blogs repercutiram a polêmica.

Em post publicado em seu blog no domingo [6/9], Sarah conta que as pessoas ficaram "loucas" com a história, entrando até no blog de seu marido para insultá-la. "Já fui atacada em Austin, Israel, China e África por coisas aparentemente inofensivas que fiz ou escrevi, mas ninguém nunca tinha ido atrás do meu marido. Agora ele está com raiva e preocupado por minha segurança, e tenta me convencer a não viajar mais para o Brasil, a cortar o país do livro de vez", diz a jornalista. Por "motivos óbvios", afirma ela, seu último post sobre o assunto não permitia comentários de leitores. Quem quisesse falar alguma coisa, que tivesse cojones e lhe mandasse um e-mail.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

ORGULHO LGBT


Parada do Orgulho LGBT-Rio tem nova data


Grupo Arco-Íris
transfere a passeata para dia 1º de novembro e divulga
agenda de eventos

Devido à ampla
agenda de atividades culturais, sociais, políticas e
acadêmicas que farão parte da programação oficial da
14ª Parada do Orgulho LGBT-Rio, o Grupo Arco-Íris de
Cidadania LGBT adia a manifestação que se dará na orla de
Copacabana. Além disso, tendo como base o alto índice do
contágio no Rio de Janeiro da gripe A (H1N1) e este evento
de grande dimensão - que no ano passado reuniu 1,5 milhões
de participantes - aglomerar pessoas oriundas de diversas
localidades, o Grupo resolveu como medida preventiva,
transferir o evento. Fontes governamentais informam que
ainda existe uma possibilidade de um pico do surto da gripe
na segunda quinzena de setembro, podendo se arrastar ainda
na primeira quinzena de outubro. A nova data é dia 1º de novembro (domingo),
véspera de feriado, período que os fluminenses e os
turistas poderão aproveitar os points da Cidade
Maravilhosa.


“O Grupo
Arco-Íris tem como missão contribuir para a melhoria da
qualidade de vida da população e isso implica que nós
não podemos ficar omissos diante de um grave problema de
saúde coletiva, visto nossa trajetória de ações
preventivas em DST e HIV/AIDS”, afirma a presidente do
Grupo Arco-Íris de Cidadania LGBT, Gilza Rodrigues. A
presidente ainda completa: “A parada vai ser linda. Este
ano temos muitas surpresas! O cenário político do Rio de
Janeiro auxilia na produção de nosso evento. Pela primeira
vez, teremos a participação das três esferas
governamentais de maneira bastante proativa: prefeitura,
governo estadual e federal. Isto porque teremos atividades
acontecendo em espaços culturais da cidade, administrados
por órgãos do poder público como os Teatros João
Caetano, Gláucio Gill, Carlos Gomes e Sérgio Porto; e
outros equipamentos culturais, como: Terreirão do Samba;
Centro de Artes Calouste Gulbenkian; Sala Baden Powell;
entre outros”.


O coordenador geral da 14ª Parada do Orgulho LGBT-Rio, Cláudio
Nascimento, informa sobre a nova identidade visual da
campanha publicitária da 14ª Parada do Orgulho LGBT-Rio,
que utilizará um layout mais solar e colorido, sem perder o
seu sentido de reivindicação e luta pelos direitos LGBT.
“A homofobia é uma dura realidade em nosso país.
Continuaremos com a Campanha Não Homofobia, através da
coleta de assinaturas virtuais para cobrar a
criminalização da homofobia pelo Senado Federal.
Entretanto, utilizaremos outra estratégia: mostraremos o
futuro que queremos alcançar. A campanha publicitária
desse ano tem como slogan: eu tenho o direito de viver e
amar livremente. Diga não a homofobia. Uma forte
mensagem para convocar e transformar corações e mentes”.
A campanha publicitária foi idealizada pelo publicitário
Bruno Bertani, da Indústria Nacional
Design.


A 14ª Parada do
Orgulho LGBT-Rio conta com o patrocínio do Governo Federal,
através da Petrobrás; do Governo do Estado do Rio de
Janeiro, através das Secretarias Estaduais de Assistência
Social e Direitos Humanos, Cultura, Turismo, Esporte e
Lazer; Saúde e Defesa Civil; da Prefeitura Municipal do Rio
de Janeiro, através das Secretarias Municipais de Turismo,
Esporte e Lazer, Cultura; Assistência Social e Saúde; e
pela iniciativa privada possui o apoio da Vale. Ainda
conta com o apoio dos órgãos de controle urbano,
acautelamento de menores, limpeza, defesa civil e segurança
pública.


Informações
para a imprensa:
Márcia Vilella
Diego Cotta
Target
Assessoria de Comunicação
Telefone: 21
8158 9692 | 8158 9715 | 2284 2475
target@target.inf.br |
www.target.inf.br




PROGRAMAÇÃO
OFICIAL DA 14ª PARADA DO ORGULHO LGBT – RIO
2009

Data: 5 de outubro, às
19h

Local: Teatro
Carlos Gomes - Centro
Show de abertura
da Programação Oficial da 14ª. Parada do Orgulho LGBT-Rio
2009

Data: 5 de outubro a 5 de
novembro

Local: Galeria
do Centro Cultural Sergio Porto - Humaitá
Exposição:
“Nossa história, nossa força, nossa voz: 14 anos de
Parada do Orgulho LGBT-Rio”

Data: 9 e 10 de outubro, das
14h às 22h
Local:
Castelinho do Flamengo e outros locais a
confirmar.
Mostra de Filmes
Metáforas da Diversidade

Data: 9 de outubro, a partir de
23h30

Local: Cine
Ideal - Centro
Pride Ideal
Nacional com o DJ Edson Pride e a cantora Joe
Welsh

Data 11 de outubro, a partir de
23h30

Local: Cine
Ideal - Centro
Cine Ideal com
orgulho, com DJs Dupla Altar

Data: 14, 21 e 28 de outubro,
às 19h

Local: Sala Cecília Meirelles – Auditório Guiomar Novaes -
Lapa
Encontro de
Voluntários da Parada e de sua
programação

Data: de 22 a 25 de outubro,
às 19h

Local: Teatro
Gláucio Gil - Copacabana
Semana
Auto-Retratos – espetáculos e shows de resgate da cultura transformista do Rio

Data: 26 a 30 de outubro, das
15h às 22h

Local:
Castelinho do Flamengo e outros locais a
confirmar
Ciclo Arco-Íris
Pensando a Cidadania LGBT
Seminário
Estadual AIDS e Saúde LGBT

Data: 27 e 28 de outubro, às
19h

Local: Sala
Baden Powell - Copacabana
Vozes da
Diversidade – show musical com cantores e cantoras
LGBT

Data: 29 de outubro, às
21h

Local: Cine
Ideal - Centro
Festa Oficial de
Celebração da 14ª Parada do Orgulho LGBT Rio – 2009

(com a
Premiação das Cantoras Lésbicas da cena LGBT e
Lançamento da Quinta Lés)

Data: 30 de outubro, às
20h

Local: Teatro
João Caetano - Centro 8º Prêmio
Arco-Íris de Direitos Humanos
Data: 31 de outubro, das 10h às 22h

Local:
Terreirão do Samba e Centro de Artes Calouste Gulbenkian -
Centro (à confirmar) Feira Arco-Íris
de Cultura LGBT
Lesbifest –
Festival de Cultura e Diversidade entre lésbicas e mulheres
bissexuais

Data: 31 de outubro, às
22h

Local: Boate
1140 – Praça Seca - Jacarepaguá
Festa
Pré-Parada

Data: 1 de novembro, das 09h
às 18h

Local: Praia de
Copacabana, Posto 6 - Copacabana
Ação Orgulho,
Cidadania e Direitos Humanos (tendas de serviços e
informações para a população em geral)

Data: 1 de novembro, às
13h

Local: Praia de
Copacabana, Posto 6 - Copacabana
14ª Parada do
Orgulho LGBT-Rio 2009

Data: 1 de novembro, às 22h


Local: Le Boy -
Copacabana
Festa de
Encerramento da 14ª Parada do Orgulho LGBT – Rio
2009

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Adriano - Imperador do Brasil


Adriano, pela etimologia significa: “O que possui pele morena”. Pela história, associamos tal nome ao imperador que governou Roma entre 117 e 138. No Brasil, hoje, Adriano é um jogador de futebol que gerou espanto.

Chupado do Projeto PIG



Nos últimos dias um assunto extravasou do noticiário esportivo para a primeira página dos jornais e a chamada de abertura dos telejornais. Adriano, centroavante brasileiro de 27 anos, atleta com contrato milionário com a Internazionale de Milão, após três dias sumido, foi localizado na favela carioca de Vila Cruzeiro.



Quatro dias depois do sumiço, convocou uma coletiva à imprensa e afirmou que não encontrava mais motivação no futebol e que iria interromper suas atividades futebolísticas. Na entrevista, falando com calma e lucidez visíveis, declarou que fora negociado com o futebol europeu aos 19 anos de idade, que a fama e o dinheiro vieram muito rápido, causando um choque, que se sentia só no meio do futebol e dos famosos e que se sente mais feliz na favela onde nasceu e foi criado.



Sexta-feira santa! Uma procissão veio a público recriminá-lo, diagnosticá-lo como doente e recomendar seu tratamento: “o prefeito de joelhos, o bispo de olhos vermelhos, e o banqueiro com um milhão”, diria Chico. Zagalo – visivelmente gagá – disse que Adriano precisava de tratamento, opinião endossada, com o bom humor de sempre, por Murici Ramalho. Parreira começou bem, falando da solidão em que pode se encontrar um jogador nessas condições, para emendar de forma catastrófica dizendo que por isso o sujeito caminhava para a bebida, as drogas e os falsos amigos. Pelé, com a sapiência que lhe é peculiar vaticinou: “isso depõe contra o país”, e viva Romário, que já dizia: “Pelé calado é um poeta”! Uma alma lúcida parece ter iluminado o treinador da Inter, José Mourinho, que afirmou: “é perfeito se você perde o jogador e reencontra o homem”.



Por que as declarações de Adriano incomodaram tanto? Sigo algumas pistas.



Vivemos numa época em que às classes dominantes interessa vender a ilusão de que há saída – individual – para a condição proletária em nosso país (miséria, vida na favela, precarização do trabalho e desemprego estrutural). Uma saída materializada no empreendedorismo, no estímulo à (re)qualificação profissional dos “pobres”, através das ONGs e dos poucos braços de políticas públicas focalizadas, que despertam a vocação para a música ou os esportes (carnaval, funk, rap e futebol ou basquetebol, tanto faz), e exemplificada pelo sucesso de alguns poucos cantores de pagode e jogadores de futebol. Quando um “ídolo” desfaz, com lucidez, o mito, é preciso patologizá-lo: está doente, depressivo, alcoólatra, viciado, etc.



Num momento em que a favela é oficialmente associada ao crime e seus moradores divididos, pelo discurso oficial, entre traficantes e coniventes/candidatos com o/ao tráfico, um exemplo de “sucesso” como Adriano afirmar de público que prefere a Vila Cruzeiro à Milão é extremamente perigoso. Trata-se de uma clara defesa da sociabilidade comunitária construída pela classe trabalhadora na favela, em contraposição ao simulacro de vida burguesa ao qual meia dúzia de pobres “afortunados” (pelo talento ou pela sorte) teve acesso quando elevados à categoria de “ídolos”. E desmascarar fantasias é algo extremamente perigoso. Clínica nele!



Os paparazzi já se cansaram de nos mostrar que Adriano é chegado a uma cerveja e já tomou alguns porres. Como eu e como muitos(as) de vocês que estão lendo este texto. O interessante é perceber que, para explicar sua opção pelo abandono do futebol, de Milão, e da fama, busquem justificativa nas drogas (não no álcool, droga legal, mas nas ilegais) e na sua suposta associação com traficantes. Aliás, estranho é que não questionem porque ele, Kaká, Ronaldinho, e tantos outros, tenham saído daqui tão magrinhos e hoje apresentem um físico tão “bombado”. Drogas? O problema são as vendidas na favela.



Sou flamenguista, única declaração de fé que faço sem maior vacilação. Assisti ao despontar de Adriano, como jogador de futebol, das arquibancadas do Maracanã. Xinguei aqueles ladrões travestidos de “dirigentes” que, de seus postos na Gávea, venderam aquela “promessa” entre tantas outras, como mercadoria que são, para o futebol europeu.



E é como torcedor e como homem (no sentido genérico de um ser social que busca se encontrar com sua humanidade) que me sinto feliz ao ouvir a entrevista de Adriano, que não se conformou com a fama, o sucesso, a riqueza, e busca, sabe-se lá onde – talvez em Vila Cruzeiro – a felicidade. Sejamos todos como Adriano, o lúcido!



(*) Marcelo Badaró Mattos é professor de História.

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Fonte: Fazendo Media

P.S: Felizmente, para a alegria da Nação Rubro-Negra, Adriano está de volta ao Mengão, e fazendo gol! Seja feliz, Imperador, no time mais popular do mundo!!!

domingo, 8 de março de 2009

A BESTA MEDONHA!

Tendo como lema em seu brasão episcopal In obsequio Jesu Christi (A serviço de Jesus Cristo), esse atordoado ser, representante desse “Conto da Carochinha” que é o cristianismo, resolveu “punir” com a excomunhão (pena eclesiástica que exclui crédulos do gozo da totalidade dos bens espirituais) todos os envolvidos com o aborto levado a efeito na menina de nove anos, 1,37 m de altura e 33 quilos, que estava grávida de gêmeos após estupros contínuos por parte do próprio padrasto. Estão condenados, por ordem dessa aberração cromossômica que ocupa o posto deixado pelo inesquecível Dom Hélder Câmara, os advogados, juízes, familiares da criança e equipe médica que viabilizaram esse aborto em tempo recorde, impossibilitando a ação funesta desse psicopata. Psicopata, sim! Não acredito que alguém que é obrigado a abdicar das delícias do sexo por toda a vida tenha algum grau de normalidade. Mesmo que se, em vez de resignar-se com essa castração compulsória, houver optado por aderir à prática comum aos conventos, sacristias e seminários, onde rola o maior auê quando as luzes são apagadas. A prova das alucinações intelectuais que a falta de sexo ou seu uso com imenso sentimento de culpa é capaz de provocar em quem se relaciona assim com esse prazer, é que, esse representante do Vaticano aqui em Pernambuco, absolveu da excomunhão o padrasto das crianças abusadas. No plural sim, já que, há mais de quatro anos, abusava também de uma irmã da grávida, que tem sérios problemas mentais.


Ainda bem que a autoridade moral desse suposto donzelo não vai além do seu próprio quarto de dormir, senão teríamos que assistir a essa criança de apenas nove anos, gerar em seu frágil corpo, dois embriões que, no seu impúbere útero, foram assentados por quem lhe devia abrigo.

Essa anomalia que perambula arrastando sapatos lilás pela nave central das igrejas católicas pernambucanas, e exibindo ameaçadoramente imenso crucifixo pendente sobre o peito, bem que tentou amedrontar familiares da pequena e indefesa criança, mas, o Ministério Público, o Judiciário e a Junta Médica não lhe deram tempo de usar sua arma preferida: a palavra mentirosa e mórbida desferida contra pessoas intelectualmente desprevenidas.

veja o blog vassoura de bruxa

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SALVE O DIA INTERNACIONAL DA MULHER

DIA INTERNACIONAL DA MULHER


Não levo fé em dia disso ou dia daquilo. Para mim, todos os dias são dias para lembrar, refletir, comemorar. Dia dos Amigos que nada! Todos os dias são próprios para fazer amigos. Dias dos Namorados uma ova! Vamos namorar e amar todos os dias! Natal, Dia das Mães, dos Pais, dos Avôs, das Crianças. Façamos todos os dias presentes e solidários. Todavia, felizmente ou infelizmente, precisamos marcar certas datas para que possamos fazer uma parada reflexiva e chamar a atenção para uma tomada de consciência. O Dia Internacional da Mulher é uma data especial, não para dar atenção às mulheres somente neste dia, mas na qual - homens e mulheres - possamos refletir um pouco sobre o nosso modo de vida e a nossa relação com nossos semelhantes e dessemelhantes.
Nesta sociedade patriarcal, hipócrita e machista, muitas vezes pensamos somente em nossas necessidades mesquinhas e esquecemo-nos de ouvir o outro, envergonhamo-nos de nos aconchegar, deixar ser penetrado em vez de querer só penetrar, numa atitude fálica, agressiva, arrogante, própria do mundo masculinizado - deixamos, assim, de sermos generosos e compreensivos.
Neste dia – 08 de março – paremos um pouco e pensemos naquela que se sacrifica para dar a Vida, naquele ser do qual todos os homens são gerados – as mulheres! Elas têm muito a nos ensinar: a generosidade, a compreensão, a ternura... Talvez assim possamos dar um pouco de alento a este mundo tão embrutecido e paranóico!
SALVE O DIA INTERNACIONAL DA MULHER!

quinta-feira, 5 de março de 2009

"Deu" no Esporte Espetacular

COMÉDIA DE ERROS ESPETACULAR


Em cada momento o pugilista Erislandy Lara conta uma versão diferente sobre o que ocorreu em agosto/2007, quando tentou desertar durante o Pan e a Polícia Federal o localizou numa pousada de Niterói, juntamente com seu colega Guillermo Ringodeaux, despachando ambos a toque de caixa para Cuba.

O governo errou ao não dar tempo para que a OAB e a Anistia Internacional cumprissem seu papel de orientar os boxeadores, avaliando junto com eles as opções existentes e indicando-lhes a decisão mais adequada a seus interesses.

Se mesmo assim eles fizessem a escolha errada, azar. Quem é burro, pede a Deus que o mate e ao diabo que o carregue, costumava dizer o Paulo Francis.

Mas, do jeito como as coisas se passaram, ficará sempre a suspeita de que o governo não fez tudo que deveria para evitar que tomassem uma decisão desastrosa.

O certo é que receberam tratamento de párias ao voltarem para casa. Foram impedidos de exercer sua profissão, tiveram de viver de biscates e fugiram novamente assim que puderam.

Nada disso se modificaria caso, como Lara declarou ao Esporte Espetacular, o refúgio lhe tivesse sido oferecido pelo presidente Lula em pessoa. Não é esse o papel de um presidente da República, exceto em repúblicas das bananas.

O auê virtual com que alguns celebraram a declaração do pugilista foi de uma ingenuidade atroz, somente comparável à do Depto. de Esportes da Rede Globo (que assumiu uma reportagem com evidente cunho político e dela se desincumbiu bem ao estilo dos marinheiros de primeira viagem).

O perspicaz Juca Kfouri manifestou de pronto seu ceticismo quanto à alegada participação de Lula no trato dessas miudezas.

Estava certo: o Planalto acabou mesmo desmentindo a versão de Lara, qualificada de "fantasiosa". Só o Ministério da Justiça e a Polícia Federal estiveram em contato com os pugilistas.

Mas, a evidente desarticulação do boxeador serve, pelo menos, para demonstrar que o governo tem atenuantes no episódio. Três outros esportistas cubanos, que sabiam o que queriam, levaram a bom termo a deserção e obtiveram o refúgio.

Lara e Ringodeaux não foram vítimas apenas das trapalhadas alheias, mas também das próprias.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Em busca da verdade perdida

Em certas ocasiões, quando todas as opressões do mundo contemporâneo parecem destituir de sentido toda a nossa existência, ficamos a nos perguntar se a razão da existência do homem, o seu destino, é ser um eterno prisioneiro de suas crenças, de suas convicções. Até que ponto essas convicções determinam e delimitam a experiência humana e criam axiomas irrefutáveis? Em que proporção essas crenças delimitam as nossas ações e decisões? Como o homem pode exercer, sem culpas, o seu livre-arbítrio (se é que o homem realmente detém este livre-arbítrio)? São estas e algumas outras questões pertinentes à vida para as quais o homem não encontra solução e são umas das principais fontes de angústia e sofrimento humano. Não temos a pretensão de resolver esses dilemas (quem nos dera!), mas recorreremos a alguns homens do passado que fizeram esta tentativa.
Inicialmente, recorreremos a Ortega y Gasset. Para ele, a vida humana constitui uma realidade radical, da qual todas as demais realidades, efetivas ou pressupostas, aparecem nela. Nossa vida, nós a vivemos porque fazemos coisas; somos obrigados a cumprir tarefas que são a razão de ser de nossa existência. Porém, estas tarefas nos são condicionadas por uma série de convicções sobre coisas e pessoas ao nosso redor. Podemos, então, escolher entre uma ação e outra e, assim, viver.
A nossa existência, portanto, é regida pelas nossas crenças; as nossas convicções são as bases de nossa experiência de vida. A esse conjunto de crenças, Ortega chama de “repertório”, por se constituírem em um emaranhado que não possui uma articulação lógica. São, às vezes, incongruentes, contraditórias ou desconexas. Diferem-se das idéias, que, ao serem pensadas, podem ser descartadas ou não. A crença é a idéia em que se acredita (e não pode ser descartada). Acreditar não é mais um mecanismo intelectual, mas uma função para orientar nossa conduta, nossas tarefas. (ORTEGA Y GASSET, s/d, pp. 27-28).
Então, o homem que se sente, como a mosca de Nietzsche, o centro do Universo, não passa de um burro de antolhos?
Segundo Sigmund Freud, o sofrimento do homem provém de três direções: primeiro, do próprio corpo, pela decadência e pela ansiedade; em seguida, do mundo externo, através de uma força de destruição esmagadora; e, finalmente, pelo seu relacionamento com os outros homens. A pressão externa fez com que o homem moderasse as suas reivindicações de prazer. Para que o homem pudesse viver em sociedade teve que abandonar seu extinto de agressividade e abrandar sua compulsão sexual. A possibilidade de vida comunitária entre os seres humanos teve, como pressuposto, um conceito duplo: primeiramente a compulsão para o trabalho, criada pela necessidade externa; em seguida vem o amor, que fez o homem relutar em privar-se de seu objeto sexual, a mulher; esta, por sua vez, precisou privar-se daquela parte de si própria que lhe fora separada, o filho. O amor, então, impõe restrições à civilização, querendo conservar seus membros juntos a si; ao mesmo tempo, a civilização impõe regras e proibições restritivas ao amor (uma dessas restrições seria a excitação visual em detrimento à excitação olfativa do desejo sexual). O argumento de Freud, portanto, seria de que, para sermos felizes, teríamos que abandonar a civilização. (FREUD, l978, p. 170).
Então, tentemos entender: o homem é regido por um conjunto de regras, às vezes desconexas, mas altamente hierarquizadas e estas mesmas regras, fundamentais para a sobrevivência do homem na sociedade, é que tornam fonte de sofrimento para este mesmo homem.
Estamos sempre a nos perguntar onde está a origem da felicidade. Como conhecer a essência da verdade, que nos proporcionaria o pleno prazer. Segundo Alexandre Koyré, essas perguntas foram feitas aos antigos sábios. Sócrates, por exemplo, fugia às respostas. O seu papel não era emitir opiniões ou formular teorias, mas examinar os outros homens. Platão conhecia a doutrina de Sócrates, porém, o modo de exposição desta doutrina não a tornou acessível a todos, não é difícil imaginarmos que Platão não desejasse esta acessibilidade. (KOYRÉ, 1963, p.15).
Para Platão, a ciência verdadeira é aquela que emana da alma, do seu próprio trabalho interior, onde estão as respostas. Para obtermos as respostas é preciso conhecer o que estamos procurando, pois como saberíamos que encontramos o que procuramos, se não soubéssemos o que realmente buscamos? (idem, p. 19). Na verdade, procuramos saber o que já sabemos, ou melhor, “procuramos recordar um saber esquecido (...). O saber e inato à alma” (idem, p. 20).
A ciência é a única coisa que pode ser ensinada. A virtude só pode ser ensinada se for ciência, caso contrário, é impossível. Deve ser por isso que os homens de Estado puderam governar as cidades com sucesso; porque possuíam a opinião verdadeira (virtude), no entanto foram incapazes de transmiti-la aos seus sucessores, talvez por não se tratar de ciência. (idem, p.24).
Devemos nos perguntar, então, o que entendemos como virtude. Para esta questão devemos usar o raciocínio correto e não o discurso persuasivo, a simples retórica. Devemos encarar a virtude como verdade, ou seja, alguma coisa a mais que o simples sucesso pessoal, conforme pensava Ménon (idem, p.25).
Procurar a verdade, tentar acordar n’alma a “recordação” do saber é uma tarefa extremamente difícil; implica esforço. Tem que se buscar a essência e não significações banais que possam redundar em simplificações de conceitos importantes como, por exemplo, a virtude. A virtude, como ciência que é, só pode ser ensinada para quem compreender a sua essência.
Compreender a essência da verdade, eis a questão pertinente a Platão. Em “A República”, os homens que estavam no interior da caverna só conseguiam ver as sombras, os contornos das coisas. Não havia, para eles, o dês-velamento. Este, causava-lhes dor e estranhamento. O deslumbramento os impedia de fixar os objetos cujas sombras viam outrora. (v. 515d).
Segundo esta concepção, todos os homens podem ter o domínio do saber. Nada escapa à humanidade, todas as imagens, todos os signos, todo o conhecimento, enfim, toda a verdade não passaria de recordação, do mesmo modo, segundo Salomão, “toda a novidade não passa de esquecimento”. (MANGUEL, s/d, p.27).
Nietzsche, no entanto, apesar de seguir uma linha de pensamento semelhante, não parece que concorde com essa “essência” que transcende as coisas. Segundo o filósofo alemão, e nos parece válida esta opinião, a verdade não passa de arbitrariedade. Recordemos suas palavras:
“O que é verdade, portanto? Um batalhão móvel de metáforas, metonímias, antropomorfismo, enfim, uma soma de relações humanas, que foram enfatizadas poética e retoricamente, transpostas, enfeitadas, e que, após longo uso, parecem, a um povo, sólidas, canônicas e obrigatórias: as verdades são ilusões, das quais se esqueceu que o são, metáforas que se tornaram gastas e sem força sensível, moedas que perderam sua efígie e agora só entram em consideração como metal, não mais como moedas.” (NIETZSCHE, s/d, p.56).
Temos, portanto, algumas proposições a respeito da “realidade do real” e da possibilidade do homem, através da busca da verdade, atingir o nirvana. A busca da perfeição e do pleno gozo, eis o ideal de vida da humanidade. Vimos, através deste pequeno ensaio, variados pontos de vista sobre o assunto; por mais que busquemos resposta para nossas indagações, no entanto, percebemos que estamos longe da compreensão e do entendimento que levaria tranqüilidade ao nosso espírito. Mas não desistamos da luta! Talvez pegando um pouco de cada ensinamento, pesando aqui e ali, e tentarmos extrair deles a sua substância, quem sabe reformulando todo o nosso conjunto de crenças e reformularmos o nosso ideal de vida, e possamos avançar um pouco nesse caminho. É extremamente difícil, não nos iludamos. O homem, cada vez mais, torna-se obcecado por transformações políticas e sociais ou por ascensão social, confunde felicidade com melhoria material; busca respostas através de doutrinações ideológicas, tanto de esquerda, quanto de direita; substitui a Fé pela Razão e vice-versa. Estamos longe de obtermos respostas, continuaremos por muito tempo perdidos e confusos nos nossos dilemas. Mas o que fazer? Fazem parte da própria natureza humana essas angústias. É isso que torna o homem um ser diferente de todas as demais espécies vivas do planeta.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Cosmogonia cristã, releitura do paganismo.

O cristianismo se constitui por meio de apropriações das genealogias e das estruturas religiosas das civilizações da Antiguidade e das tradições pagãs. Ao longo de seu advento no tempo e no espaço, o cristianismo legitimou-se aproveitando as estruturas religiosas pré-existentes, relendo e reinterpretando os mitos e as mitologias, alterando seus significados e negando-lhes certos aspectos com o objetivo de reiterar seus dogmas e preceitos. Muito da cosmogonia cristã pode ser encontrada em diversas tradições pagãs. As histórias bíblicas são reinvenções de mitos e histórias pagãs que se perderam no tempo. Rituais como missa, culto a santidades, procissões e festas são recriações de cerimônias e rituais de cultos aos deuses pagãos. Desse modo, quando comemoramos datas como Natal, Folia de Reis, Carnaval ou Páscoa, podemos estar resignificando para nosso conforto espiritual rituais de religiões tão obscuras que já se perderam suas origens e achar que estamos perpetuando as tradições original e legitimamente cristãs.