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quinta-feira, 11 de julho de 2013

CIA não decifra Djavan

LINHA DO EQUADOR – Duas unidades da CIA entraram em colapso na tarde de ontem após sucessivas tentativas de quebrar o código das correspondências eletrônicas entre Djavan e Gilberto Gil. “Logramos êxito em compreender códigos nazistas, letras do Luiz Melodia e peças do Gerald Thomas. Conseguimos encontrar sentido no que dizem Tiago Leifert e Luciana Gimenez. Num esforço sem precedentes, deciframos até mesmo colunas do Merval Pereira. Mas a conversa entre o Sr. Djavan e o Sr. Gil utiliza um aparelho linguístico sofisticado demais”, revelou o espião James Michelin. Intrigado com o que chamou de “questão de segurança nacional”, o Ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, se apressou na contratação de seis mil espiões cubanos. “Parece que há um jovem gênio em Havana que invadiu os computadores da Nasa, encontrou as usinas de enriquecimento de urânio norte-coreanas e, pasmem, decifrou os versos Açaí/ guardiã/ Zum de besouro/ um imã/ Branca é a tez da manhã“, comemorou. Animado com o aquecimento do mercado de espionagem, o governador Sérgio Cabral abriu uma licitação para empresas interessadas em bisbilhotar o Rio de Janeiro. Minutos depois, um homem misterioso realizou o IPO da empresa CIAX na Bovespa. Procurados pelo piauí Herald, Gil e Djavan disseram estar ocupados trocando emails sobre as últimas colunas de Caetano Veloso no Globo. Read more: http://www.humorpolitico.com.br/satira/cia-nao-consegue-decodificar-correspondencia-de-djavan/#ixzz2YlMil5NT

domingo, 17 de junho de 2012

A verdade sobre a ocupação na Líbia

Na segunda-feira (04.06) um fato chocou a Líbia, mas não foi noticiado pela imprensa ocidental porque não foi uma notícia aprovada pelo imperialismo: a tomada do Aeroporto Internacional de Trípoli pela Brigada Al-Awfea [“Legalista”], leal a Kadafi, que se supõe que tenha vindo da cidade de Tarhouna, uma das últimas fortalezas kadafistas a cair quando o país foi atacado pela artilharia aérea de EUA-OTAN. Os habitantes de Tarhouna são líbios negros que foram discriminados na Líbia na época do Rei Ídris, mas foram resgatados no governo da Jamahiriya. O novo aeroporto de Trípoli estava sendo construído antes da guerra de ocupação da Líbia por uma empresa brasileira. Seria o maior e mais moderno aeroporto do mundo, não fossem as bombas terroristas despejadas no país – e no aeroporto - pela OTAN-USA e seus aliados colonialistas. Segundo relatos de moradores, a Líbia hoje é um país mergulhado no caos: falta água, luz, medicamentos e alimentos. Algo impensável na época de Kadafi. Quando a OTAN e seus cúmplices (governos dos EUA, França, Inglaterra, Canadá, Arábia Saudita, Catar e outros asseclas) despejaram toneladas de armamentos de paraquedas, em todas as regiões da Líbia, estavam criando as condições necessárias para o caos agora instalado no país. Mas era este o objetivo, além de assassinar covardemente o líder Muamar Kadafi. O martirizado líder líbio construiu o maior rio artificial do mundo, estava construindo o melhor aeroporto do mundo, enquanto Obama mandou bombardear as estações adutoras de água do rio artificial e a construção do aeroporto. Bombardeou toda a infraestrutura do país para que hoje 8.000 soldados norte-americanos estejam ocupando todos os poços de petróleo da Líbia. Estão roubando petróleo da Líbia. EUA, França e Inglaterra, roubam o petróleo líbio e contabilizam como “despesas de guerra”. Afirmam que o povo líbio pediu para ser bombardeado e que agora precisa pagar os custos e despesas com a guerra de ocupação. A Brigada Al-Awfea declarou que a principal razão para a ação de invadir e tomar o Aeroporto Internacional de Trípoli foi protestar contra o misterioso desaparecimento de seu líder, coronel Abu Ajela Al-Habashi e chamar a atenção do mundo para o sofrimento do povo de Tarhouna e outros líbios negros, no período pós-Kadafi. Foguetes lança-granadas, alguns tanques e fogo de artilharia pesada foram usados para ocupar a entrada e as cercanias do aeroporto. Aviões internacionais foram impedidos de decolar. Os passageiros, inclusive os que já estavam embarcados prontos para decolar, receberam ordens, de homens armados, para desembarcar e retornar aos hotéis. Aos olhos da Brigada Al-Awfea, a tomada do aeroporto foi uma espécie de sátira política, carregada de simbolismo e, sobretudo, de legitimidade. A acusação que mais se faz contra a Brigada Al-Awfea é que prega e difunde estereótipos racistas que, cada dia mais, circulam na Líbia pós-Kadafi. Mesmo assim, a ação no aeroporto gerou pânico entre as autoridades líbias, que bracejam num oceano de confusões. Todas as chegadas internacionais foram desviadas para Mitiga, o aeroporto militar de Trípoli. Não é a primeira vez que elementos descontentes da classe mais baixa da população de Trípoli empreendem ações contra os símbolos usados para propaganda da infraestrutura líbia. Mas a ação da Brigada Al-Awfea contra o Aeroporto Internacional de Trípoli é, até agora, de longe, a mais ousada e temerária. A Líbia atual prepara-se para as eleições nacionais de uma assembleia constituinte, em julho de 2012. As eleições foram adiadas, previstas como estavam para 19 de junho. O atraso indica o estado de confusão e desorganização do Conselho Nacional de Transição. Depois das eleições, a assembleia terá de indicar um primeiro-ministro, um gabinete e uma autoridade constituinte, que redigirá uma nova Constituição para a Líbia. Depois, a Constituição – que se teme que venha a ser fortemente influenciada por grupos ligados à Al Qaeda – será submetida a referendo popular e, se aprovada, haverá eleições gerais num prazo de seis meses, contados a partir do referendo. As próximas eleições gerais estão sendo saudadas como as primeiras eleições livres e justas na história da Líbia. Mas a junta governista - que não governa - não sabe como controlar um país onde a maioria da população está armada e só teme os bombardeios da OTAN. O Partido Justiça e Desenvolvimento, braço político da Fraternidade Muçulmana é o partido maior e mais bem organizado. Outros partidos parecem ter expressão apenas regional, como o Partido Verdade e Democracia de Benghazi ou o Congresso Líbio Amazigh, que tem formação de base étnica. A democracia ocidental é um presente de grego de Obama para o povo líbio. Na época de Kadafi o governo era uma Jamahiriya (Poder Popular). Os habitantes se reuniam em Congressos e Comitês Populares, e decidiam os destinos do país. O Livro Verde ensina que dar uma carta em branco para um político é algo temerário e absurdo porque “a representação é uma impostura”. O poder popular deve ser exercido e não transferido a um representante. Na Jamahirya não havia políticos, mas os Congressos e Comitês Populares podiam destituir e eleger ministros e administradores públicos a qualquer momento. Kadafi dedicou sua vida à construção de um país que não se dobrava às potências ocidentais. Obama dedica sua vida a fortalecer o complexo militar, petrolífero e bancário norte-americano, que estão destruindo o mundo com consumismo exagerado e extinção dos recursos naturais. Durante a guerra de ocupação da Líbia por potências ocidentais criminosas, que assassinaram mais de 200.000 líbios, Kadafi recebeu convites de diversos países para se exilar, e jamais aceitou nem considerou essa possibilidade. Lutou até o final, como um verdadeiro guerreiro, seguindo o exemplo de Omar Moukhtar, e como ele foi martirizado. O advogado das causas populares, Barak Hussein Obama, foi eleito presidente e traiu seus eleitores ao cumprir fielmente a agenda dos banqueiros, indústrias bélica e petroleira, para se manter no poder e usufruir dos privilégios inerentes ao cargo. Kadafi preferia as tendas árabes aos hotéis luxuosos do ocidente. Por todos esses motivos, um Kadafi vale por 100 Obamas. Kadafi é a resistência dos pequenos povos e países submetidos ao terrorismo estatal do imperialismo e das potências colonialistas. Obama é o retrato de um político profissional de um país que sobrevive explorando, roubando e saqueando os pequenos povos e países do mundo.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Lula inaugura a diplomacia da nova era


Por Leonardo Boff

O acordo alcançado por Lula e pelo primeiro ministro turco com o Irã a respeito da produção de urânio enriquecido para fins pacíficos possui uma singularidade que convem enfatizar. Foi alcançado mediante o diálogo, a mútua confiança que nasce do olho no olho e a negociação na lógica do ganha-ganha. Nada de intimidações, de imposições, de ameaças, de pressões de toda ordem e de satanização do outro.

Essa era e continua a sendo a estratégia das potências militaristas e imperiais que não se dão conta de que o mundo mudou. Elas estão encalacrados no velho paradigma do big stick, da negociação com o porrete na mão ou da pura e simples intervenção para a qual tudo vale, a mentira deslavada como no caso da guerra injusta contra o Iraque, a violência militar mais sofisticada contra um dos países mais pobres do mundo como o Afeganistão ou os conhecidos golpes armados pela CIA em vários paises, nomeadamente na América Latina.

Curiosamente, esta estratégia nunca deu fruto nenhum em nenhum lugar. Os USA estão perdendo todas as guerras, porque ninguém vence um povo disposto a dar a sua vida e até suscitar "homens-bomba" para enfrentar um inimigo armando até os dentes mas cheio de medo e exposto à vergonha e à irrisão mundial. O que conseguiram foi alimentar raiva, rancor e espírito de vingança, fermento de todo o terrorismo.

A maior ameaça para estabilidade mundial hoje são os EUA pois a ilusão de serem "o novo povo eleito" - pois assim reza o "destino manifesto" que os neocons, muito fortes, como Bush, acreditam piamente - faz com que se sintam no direito de intervir em todo o mundo. Pretendem levar os direitos humanos quando os violam vergonhosamente, querem impôr a democracia quando, na verdade, criam uma farsa, visam abrir o livre mercado para suas multinacionais para que livremente possam explorar a riqueza do pais, seu petróleo e seu gás.

A diplomacia de Lula se contrapõe diretamente àquela do Conselho de Segurança e a de Barack Obama. A de Lula olha para frente e se adequa ao novo. A de Barack Obama olha para traz e quer reproduzir o velho.

O paradigma velho supõe que haja uma nação hegemônica e imperial, no caso o USA. Esta se rege pelo paradigma do inimigo, bem na linha do teórico da filosofia política que fundamentou os regimes de força como fez com o nazismo, Carl Schmitt(+1985). Em seu livro O Conceito do Politico claramente diz:"a existência política de um povo depende de sua capacidadede definir quem é amigo e quem é inimigo..o inimigo deve ser combatido e psicologicamente deve ser desqualificado como mau e feio". Não fez exatamente isso Bush chamando os paises donde vinham os terroristas de "paises canalhas" contra quem se deve fazer uma "guerra infinita"? Éssa argumentação é sistêmica e funciona ainda hoje na cabeça dos dirigentes norteamericanos. Políticas inspiradas nesse paradigma ultrapassado podem levar a cenários dramáticos com o sério risco de destruir o projeto planetário humano. Esse paradigma é belicista, reducionista e míope pois não percebe as mudanças históricas que estão ocorrendo na linha da fase planetária da história que exige estratégias de cooperação visando proteger a Terra e cuidar da vida.

O paradigma novo, representado por Lula, assume a singularidade do atual momento histórico. Mudou nossa percepção de fundo: somos todos interdependentes, habitando juntos na mesma Casa Comum, a Terra. Ninguém tem um futuro particular e próprio. Surge um destino comum globalizado: ou cuidamos da humanidade para que não se bifurque entre os que comem e os que não comem e protegemos o planeta Terra para que não seja dizimado pelo aquecimento global ou então não teremos futuro algum. Estamos vinculados definitavamente uns aos outros.

Lula em sua fina percepção pelo novo, agiu coerentemente: não se pode isolar e castigar o Irã. Importa traze-lo à mesa de negociação, com confiança e sem preconceitos. Essa atitude de respeito trará bons frutos. E é a única sensata nesta nova fase da história humana. Lula aponta e inaugura o futuro da nova diplomacia, a única que nos garantirá a paz.


(Envolverde/O autor)

Fonte: http://www.envolverde.com.br/materia.php?cod=75077&edt=