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terça-feira, 5 de março de 2013

Para lembrar Hugo Chavez

O documentário A revolução não será televisionada, filmado e dirigido pelos irlandeses Kim Bartley e Donnacha O’Briain, apresenta os acontecimentos do golpe contra o governo do presidente Hugo Chávez, em abril de 2002, na Venezuela. Os dois cineastas estavam na Venezuela realizando, desde setembro de 2001, um documentário sobre o presidente Hugo Chavez e o governo bolivariano quando, surpreendidos pelos momentos de preparação e desencadeamento do golpe, puderam registrar, inclusive no interior do Palácio Miraflores, seus instantes decisivos, respondido e esmagado pela espetacular reação do povo. É apresentado o cenário em que se desencadeiam os acontecimentos de abril de 2002. A Venezuela está entre os cinco maiores países produtores de petróleo do mundo, sendo um dos maiores fornecedores dos Estados Unidos. Ao assumir a presidência, em 1998, Hugo Chavez passou a defender a distribuição dos rendimentos auferidos com o petróleo para investimentos sociais voltados à maioria do povo e intensificou as críticas às políticas liberais inspiradas nos EUA, o que levantou a ira das classes dominantes locais e do imperialismo norte-americano, acostumados a governos submissos. A partir de então, o governo de Hugo Chavez e a “revolução bolivariana” passariam a enfrentar, diariamente, uma verdadeira cruzada na mídia empreendida pelos cinco canais de televisão privada do país. A cruzada foi respondida com o avanço da mobilização e a organização da grande massa de explorados do país, abrangendo mais de 80% da população pobre. Em 1999 foi aprovada, por meio de referendo popular, a nova Constituição da Venezuela. Ela ampliou a participação política das massas populares através da organização dos círculos bolivarianos pelos bairros e favelas. Com bastante propriedade, o documentário consegue mostrar a permanente campanha de mentiras urdida pelos meios de comunicação contra o governo de Hugo Chavez, as relações da grande mídia com a elite econômica, militares dissidentes e a articulação dos EUA na manipulação dos fatos. Evidencia também a intervenção direta do imperialismo norte-americano na organização do golpe, em sua preparação e organização na embaixada americana em Caracas que foi, posteriormente, comprovada com documentos. Como disse o então diretor da CIA George Tenet, em entrevista na TV Venezuelana, dias antes do golpe, Chavez “não está preocupado com os interesses dos EUA”. As articulações que envolveram a grande mídia na tentativa golpista foram por ela mesma reveladas, momentos depois de empossarem Pedro Carmona. Momentos, aliás, muito bem registrados no documentário: mostram a arrogância do procurador, designado por Carmona, ao anunciar a dissolução do Congresso, da Corte Suprema e revogar a Constituição, e depois de algumas horas, todo assustado, ao ser preso, num canto de uma sala do palácio. Outro aspecto importante do documentário é a revelação da manipulação dos canais de televisão comerciais sobre os responsáveis pelos assassinatos dos manifestantes em 11 de abril de 2002. Todos os canais privados de televisão que, junto à imprensa escrita e radiofônica, justificaram o golpe de estado de 11 de abril com uma edição de imagens em que aparece um grupo de apoiadores de Chavez, situados na Ponte Llaguno de Caracas, realizando disparos. Estas imagens foram utilizadas para afirmar que "Chávez foi quem ordenou disparar contra a multidão". "A revolução não será televisionada" demonstra, ao apresentar a edição completa da seqüência de imagens (manipulada na edição das TVs), que os grupos situados sobre a Ponte Llaguno de Caracas respondem ao fogo de franco-atiradores (estes sim atiram nos manifestantes) e não disparam sobre os manifestantes. O ponto alto do documentário é registrar a força das massas exploradas que derrotam os golpistas e restituem o governo a Hugo Chavez. O povo enfrentou e passou por cima de toda a mentira, fraude, manipulação da informação, da repressão iminente e mostrou que é mais forte. Não aceitou as “notícias”, recusou-as e saiu às ruas na manhã de sábado, 13 de abril, para denunciar que Chavez “não renunciou! Está seqüestrado!” e “não te queremos Carmona! Ladrão!”. Centenas de milhares de pessoas nas ruas cercam o Palácio Miraflores para exigir “Queremos a Chavez!” e clamar “Chavez amigo, o povo está contigo!”. Um ponto importante a ser identificado e debatido: durante a noite do dia 11 de abril e na madrugada do dia 12, o Palácio Miraflores foi cercado e os golpistas ameaçaram bombardeá-lo caso Chavez não renunciasse. Chavez resistia e afirmara que não renunciaria. As horas passam e o prazo dado pelos golpistas estava por terminar. A maioria do governo considerou que não havia saída: “O jogo acabou... é a vitória da morte” afirmara seu Ministro do Desenvolvimento. O Conselheiro Político expressou que “os adversários eram muito poderosos e não deu tempo... Não organizamos uma política de comunicações”. Por volta das 3:30 h da madrugada, Chavez comunica que sairia e se entregaria, mas sem renunciar, para ficar claro que se tratava de um golpe. Um sinal de que aquele não seria o desfecho final é manifestado pelo próprio Chavez, na saída do Palácio, diante da afirmação de um aliado que grita: “Presidente voltaremos”. Chavez afirma “Ora! Nem fomos embora”. Porém a decisão de se retirar e ceder às chantagens revela uma certa subestimação da capacidade do povo empreender resistências vigorosas e múltiplas a ponto de derrotar os golpistas. E mais: indica que a organização das massas exploradas para resistir a estas situações não era uma possibilidade presente na consciência política das forças que apóiam o governo de Hugo Chavez. Portanto, não poderiam vislumbrá-la e dela lançar mão. Apenas se conformaram: “Não havia saída”, “O jogo acabou”. Para eles, não faltava uma política para organizar as classes dominadas, mas sim o que “não organizamos [foi] uma política de comunicações”. A preparação e organização dos trabalhadores e das massas populares para fazer frente ao antagonismo das classes dominantes e do imperialismo norte-americano, que a luta de classes coloca na ordem do dia, não pode depender da iniciativa “espontânea” das massas exploradas. O fato de, neste episódio, elas terem se levantado e vencido o golpe não poderia justificar a manutenção desse nível de organização política. Debilidade que se evidenciaria perigosa para a defesa dos interesses do povo venezuelano. Estes pontos estimulam todos os revolucionários e verdadeiros democratas a refletirem sobre a luta antiimperialista. A experiência recente da América Latina é rica neste sentido. Cabe aprender com os erros e não se contentar com as insuficiências que batalhas vitoriosas possam ocultar, desviando o povo do caminho da luta pela libertação nacional. Ao contrário dos governos que estão até a alma comprometidos em garantir os interesses do capital financeiro internacional, o governo Chavez segue tomando medidas que atingem o imperialismo e as classes dominantes da Venezuela. Os acontecimentos registrados pelo documentário levaram o presidente Hugo Chavez e a maioria de seu governo a avançarem e implementarem medidas de estímulo à organização política do povo venezuelano a fim de resistir à ofensiva do imperialismo e impulsionar a “revolução bolivariana”. Ficha Técnica: Filmado e dirigido por: Kim Bartley e Donnacha O’Briain Produção: Power Picture associada à Agencia de Cinema da Irlanda Edição: Angel H. Zoido Produtor Executivo: Rod Stonemann Produzido por: David Power Irlanda, 2003. Duração:74 minutos, legendas em português. Link para download via torrent do filme legendado: A Revolução Não Será Televisionada Filme completo: http://youtu.be/MTui69j4XvQ

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Legalização da maconha muda os debates internacional sobre drogas

Há uma semana atrás, os eleitores no Estado de Washington e Colorado votaram por grandes margens para acabar com a criminalidade de adultos que usam e portam uma quantidade de maconha para consumo pessoal. Esses votos históricos têm reverberado por todo o mundo e têm mudado os termos do debate na Guerra às Drogas. Os usuários já podem contar com as leis Washington I-502 e 64 do Colorado, leis estas que alterarão o debate internacional sobre as implicações de longo alcance sobre a legalização das drogas.
Em âmbito municipal, o Departamento de Polícia de Seattle emitiu uma mensagem afirmando que o simples cheiro de maconha, sozinho, detectadas por um oficial K-9 ou um oficial humano, não é mais "causa provável" para instigar uma investigação. Esse é um efeito direto sobre todos os consumidores de cannabis em Washington, que agora não podem ser coagidos a uma busca de drogas sob ameaça de cães farejadores. (Eles também parecem afirmar que a posse de uma onça de maconha ou um quilo de haxixe ou 2 litros de ¼ * óleo de haxixe é perfeitamente legal, mesmo na ausência de qualquer loja legal para comprá-los.)
Sob o ponto de vista jurídico, os promotores em três condados de Washington inocentaram as acusações de porte de maconha contra cerca de 250 pessoas. A maconha não é legal em Washington, até 06 de dezembro, mas os promotores notaram que iriam contra a vontade do povo e seria difícil de de um júri condenar alguém por porte de maconha. Assim, 250 pessoas foram imediatamente afetadas pela legalização. Pessoas que não serão mais encaradas como criminosas pelo uso de uma planta; condenados a, em cada aplicação de trabalho, ter de apresentar certificado de segurança, verificação de antecedentes, e diversos outros aborrecimentos evitáveis.
No nível estadual, o governador Chris Gregoire de Washington e John Hickenlooper governador do Colorado estão lutando para obter a orientação do Departamento de Justiça dos EUA sobre a forma como o governo federal vai cumprir a Lei de Substâncias Controladas em face do desafio ao estado aberto pela lei federal. A Iniciativa 502 define e distingue maconha de outras partes da planta cannabis. Propõe a legalização de pequenas quantidades de maconha produtos relacionados para a maioria dos adultos, de taxá-los, e designar a receita para a saúde e prevenção de abuso de substâncias e educação.
Em nível nacional, os representantes democratas do estado de Colorado, Diana DeGette, Ed Perlmutter, e Jared Polis, estão trabalhando em projetos de lei na Câmara dos Deputados para alterar as Lei de Substâncias Controladas para permitir que os estados possam definir as suas próprias políticas sobre a maconha. Mais uma vez, com dois estados em jogo, a necessidade de tal legislação é duas vezes mais óbvia e terá delegações de dois Estados "lutando por isso". Este é o início do desenrolar da Lei de Substâncias Controladas de Richard Nixon, emitida em 1970, que, ridiculamente,coloca maconha ao lado de drogas pesadas como heroína, LSD e PCP.
A nível internacional, os presidentes do México, Belize, Honduras e Costa Rica têm chamado a atenção da Organização dos Estados Americanos e das Nações Unidas para rever a proibição das drogas ao nível global. Os líderes latino-americanos questionam como eles podem continuar a ver os seus países dilacerados pela proibição do cultivo e tráfico de algo que poderia se tornar legal, uma vez que atinge dois estados americanos. Este é o início do questionamento sobre a Convenção Única de 1961 sobre Estupefacientes. Tratado que liga os EUA e o mundo à visão de Harry J. Anslinger de proibição global das drogas.
Este pode ser o início de uma nova concepção sobre a legalização e a moralização do uso da maconha. E uma proposta pela legalização da maconha em todo o mundo, em qualquer nível, mesmo que seja apenas um grama em casa, com a posse de uma licença. É o início da derrubada de dominós que terminará com a proibição da maconha mais rápido do que ninguém pensava ser possível. Sendo legal, as pessoas usuárias não serão criminosas, assim como não são criminosas as pessoas consumidoras de tabaco e álcool.

domingo, 23 de janeiro de 2011

TV Brasil é alternativa à mídia privada

A mídia em geral e a TV em particular têm intensificado suas tentativas de tornar a nossa sociedade contemporânea em uma sociedade de reprodutores de idéias alheias. Não é de hoje que esse blog manifesta sua ira contra a mídia controladora. O texto abaixo foi reproduzido no blog do Altamiro Borges. Altamiro já tinha tirado de outro blog... É assim que o blogosfera funciona...


"Reproduzo artigo de Jacson Segundo, publicado no Observatório do Direito à Comunicação:

Mesmo com índices de audiência ainda baixos se comparados com as emissoras comerciais abertas, a TV Brasil, carro-chefe da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), tem se mostrado uma alternativa cultural e informativa para muitas pessoas. Ela é a televisão nacional que mais exibe filmes brasileiros, produções independentes e tem uma elogiada programação infantil.

É a única que mantém um programa de crítica de mídia (Observatório da Imprensa) e tem uma janela direta para os telespectadores, por meio do quadro Outro Olhar, em que qualquer cidadão pode ter seu vídeo exibido em horário nobre pelo telejornal da emissora. Também talvez seja um dos únicos canais que privilegia o continente africano, com produções que falam da África e um correspondente de jornalismo na região.

"Quem assiste percebe que ali há um certo oásis na TV”, diz o jornalista e ouvidor-geral da EBC, Laurindo Leal Lalo Filho. Segundo Lalo, as maiores audiências e elogios da TV Brasil vêm dos conteúdos que o telespectador não encontra em outras emissoras. É o caso da programação infantil, que tem os índices de audiência mais elevados da TV. E seguindo a mesma lógica, de ser complementar, que fez com que a empresa começasse a transmitir jogos do campeonato brasileiro da série C este ano.

Jornalismo

Como ainda não é um órgão totalmente autônomo do governo federal, desde o nascimento a EBC tem sofrido críticas de alguns setores sobre sua possível falta de isenção em relação ao Executivo. Mas, concretamente, esses casos não têm chegado à Ouvidoria da empresa. O ouvidor-geral Laurindo Leal afirma que a questão do jornalismo governista não aparece nas reclamações dos telespectadores. “Passamos o período eleitoral sem grandes problemas”, relata.

O maior volume de reclamações que chegam aos ouvidos de Lalo não é referente ao que acontece no país. “O mais problemático é a cobertura internacional. Ela repete muitas vezes as posições das agências internacionais. No jornalismo é a grande reclamação”, sentencia.

No entanto, mesmo que não se transformem em reclamações formais, não é difícil assistir a matérias nos jornais da TV Brasil que têm enfoque quase idêntico aos feitos nos telejornais comerciais. Talvez isso aconteça pela dificuldade dos profissionais da empresa em diferenciar o jornalismo da emissora das televisões estatais e privadas.

É por esse motivo que o Conselho Curador aprovou em junho de 2010 um parecer cobrando que seja produzido um novo manual de jornalismo – em substituição ao Manual da Radiobrás - para guiar todos seus veículos. O prazo para confecção do material se encerra em 15 de junho deste ano. Para auxiliar nessa reflexão, o Conselho Curador também pretende realizar um seminário internacional sobre jornalismo público neste semestre.

O Conselho Curador, que é o órgão que representa a sociedade na EBC, também tem começado a olhar com mais cuidado a programação da TV, fazendo análises mais densas sobre as qualidades e falhas dos conteúdos exibidos. No ano passado, os conselheiros se dividiram em grupos temáticos para tornar a avaliação dos programas mais precisa. Além disso, o Conselho tem contratado acadêmicos para contribuir nesse processo com pesquisas.

Os 15 representantes da sociedade no Conselho são dos poucos que têm acesso aos índices de audiência da TV Brasil, já que a direção da empresa não divulga esses números. Segundo a presidente do Conselho, Ima Vieira, é possível verificar que a audiência cresceu nos últimos três anos, mas ainda é necessário atingir muito mais gente do que se atinge atualmente. “Não podemos desprezar esse indicador, pois embora nossa missão não seja fazer comunicação para todos ao mesmo tempo, não podemos produzir conteúdo para ninguém ver”, avalia Ima.

Participação social

O trabalho do Conselho vai além de monitorar os veículos da EBC. Sua atuação perpassa todos outros setores da empresa e sua existência é um principais elementos que distinguem uma TV pública das privadas e estatais. Para o ouvidor Laurindo Leal, a dinâmica do Conselho tem evoluído. “Hoje ele atua. Tem câmaras setoriais, se reune para discutir temáticas, produz documentos, solicita informações”, elogia Lalo.

De fato, quando foi criado, em 2007, o Conselho era mais fechado. Nem as atas das reuniões eram públicas. Além disso, a primeira gestão, presidida pelo economista Luiz Gonzaga Beluzzo, teve 19 dos seus 22 membros indicados pelo presidente da República. Outros dois pelo Congresso e um pelos trabalhadores da EBC.

Em 2009, quando o mandato de alguns conselheiros se encerrou, o processo de escolha foi um pouco diferente. Foram abertas indicações feitas pela sociedade para que o presidente Lula definisse os nomes. Mesmo assim, essas indicações ainda passaram pelo filtro do Conselho e pela escolha do presidente.

Se depender da posição da presidente do órgão, é possível que a próxima eleição de conselheiros seja ainda mais aberta à sociedade. “Acredito que é possível discutir mecanismos que garantam uma participação mais direta da sociedade na escolha e nomeação dos próximos conselheiros”, opinou Ima Vieira.

Para Ima, o Conselho também deve permear mais as decisões da EBC. Ela também defende que os responsáveis pelas diretorias diretamente ligadas ao conteúdo deveriam ser aprovados ou no mínimo referendados pelo órgão, já que é ele o responsável por zelar pela área finalística da empresa.

Além de garantir a autonomia e a independência do Conselho Curador existem outras maneiras de aumentar a incidência da população nos rumos da EBC. Uma delas é a realização de audiências públicas. Outra é o fortalecimento da Ouvidoria da empresa que, além do ouvidor-geral, conta com três ouvidores-adjuntos: um para a Agência Brasil, um para as oito rádios da EBC e outro para a TV Brasil.

Na Agência Brasil existe um canal em que o leitor pode postar seu comentário. Da mesma forma existe um programa que debate as reclamações e sugestões dos ouvintes das rádios. Apenas a TV ainda não conta com um espaço público para a Ouvidoria. A promessa desse programa é antiga e, segundo Lalo, ele só ainda não foi ao ar por falta de condições operacionais. “Já tem até material gravado. Estamos dependendo de acertos finais”, garantiu. Ele terá 15 minutos de duração e será exibido semanalmente."

domingo, 7 de novembro de 2010

Internet tem janela para controle cultural e político




A entrevista com o sociólogo Sergio Amadeu [foto] foi feita pelo Rodrigo Vianna, do Escrevinhador – e disseminada em lista pelo Castor Filho:


Você poderia explicar o que é o Plano Nacional de Banda Larga e qual a sua importância?

O Plano Nacional de Banda Larga é um conjunto de ações do governo para levar a internet com velocidade razoável para todo território nacional. Hoje grande parte do nosso território tem acesso apenas à conexão discada. Isto impede que se faça uma série de coisas: acesso à prestação de serviços online, acesso à multimídia…

Portanto o Plano Nacional tenta levar as redes de alta velocidade a todos municípios, a todas periferias das grandes cidades porque as empresas operadoras de telefonia, responsáveis pela banda larga, não fizeram isso até hoje. Nada impedia que essas operadoras levassem banda larga para o nordeste ou mesmo para a Cidade Tiradentes. Há mil restrições em locais onde não é rentável ter banda larga. Aí vem a questão: a banda larga que foi implementada no Brasil é cara e de baixa qualidade, muito instável.

O Plano Nacional de Banda Larga amplia a rede de banda larga fazendo parcerias também com pequenos empreendedores, com empresas estatais e retomando a Telebrás – não como a empresa estatal que era mas como um gestor do sistema. Este será mais amplo em relação ao gerado pelas privatizações, que é um sistema de grande operadoras que querem uma alta taxa de remuneração e por isso deixam abandonadas as regiões carentes.

O Plano Nacional de Banda Larga no fundo é o reconhecimento de que a Anatel não conseguiu que a empresas operadoras, simplesmente por medidas regulatórias, expandissem a banda larga. Até porque a banda larga, ao contrário da telefonia fixa, não tem metas de universalização. Então as operadoras cobram o que querem e não são obrigadas a cobrir todo o território. Já o reconhecimento de que elas não estão dando conta dessa necessidade urgente do nosso país, fez com que o governo retomasse a Telebrás pra criar uma competição justa e importante com essas operadoras. E elas vão ter baixar preço, vão ter que ampliar sua malha.

E que deficiências você vê no projeto do governo?

O que o governo está propondo ainda não é o ideal porque ele está trabalhando com 512k de velocidade, isso é completamente insuficiente. Em relação ao custo, não sabemos ao certo mas deve ser em torno de 15 ou 25 reais, que não é o ideal para a realidade socioeconômica brasileira.

Acho que a gente tem que observar que as operadoras fracassaram nesse modelo só do mercado, nada impede ou impedia que colocassem banda larga em todo o lugar então o que o governo está fazendo é uma ação competitiva também que é necessária ao modelo de privatização que houve.

Se você tirar todos os impostos do custo de banda larga hoje, você ainda tem um dos serviços mais caros do mundo. O argumento das operadoras é que são muito tributadas, podem até ser mas não é esse o problema. O problema é que eles tem um modelo de remuneração absurdo, eles querem controlar o tráfego da rede. É uma coisa muito absurda, um dos dirigentes dessas operadoras dizia “olha vocês não podem navegar no horário que vocês querem, vocês tem que navegar no horário que tem menos tráfego”. Ora, eu pago caro e ele ainda quer dizer que horário eu devo usar.

Se deixarem que as forças de mercado atuem livremente nós estamos perdidos, nós não vamos conseguir ter atendidas as necessidades informacionais da sociedade. É básico isso. E por isso que o plano é bem interessante apesar de que espero que ele melhore, que o governo reconheça a necessidade de preços mais baixos e banda mais alta.

A retomada da Telebrás é o ponto do plano que está sendo mais atacado.

Claro, porque as operadoras queriam receber o dinheiro, queriam tirar o imposto e manter praticamente os preços que elas praticam. Ou seja, o governo daria bilhões para elas fazerem no modelo absurdo, de desrespeito ao consumidor que elas vêm praticando.

Então seguindo a lógica de vários outros países extremamente modernos, como a Holanda, o governo montou uma empresa que vai articular a competição. Daí é obvio que as operadoras disseram “não, isso é incorreto”. Incorreto para o modelo de privatização que houve no Brasil que premiou essas empresas sem exigir padrão de qualidade e baixo preço.

A Telebrás será uma empresa de gerenciamento e de articulação. Tem vários pequenos provedores de conexão que ficam sufocados por essas grandes empresas. Com a Telebrás , eles poderão competir com as grandes. Isso é bom. A Telebrás poderá ajudar também as prefeituras que desejarem abrir o sinal, já que hoje as que fazem isso são altamente taxadas pelas operadoras. Então elas sufocam as possibilidades de uso coletivo, de um programa social e de direito humano à comunicação que é dar o sinal de rede gratuitamente.

Das grandes operadoras, quantas são que dominam o mercado nacionalmente?

Elas estão se fundindo, hoje talvez sejam quatro no máximo. É um mercado oligopolizado, ou seja, poucos ofertantes de serviço. Isso é um problema. E eles tem muito dinheiro.

O processo de convergência de digital, ou seja de tudo ir pras redes digitais, gera uma economia de rede mais forte. Ou seja as empresas vão se coligar, é uma tendência mundial. E o capital é concentrador, enquanto houver capitalismo vai ser concentrador. Só uma operadora em São Paulo fatura mais que todo setor de radiodifusão no Brasil, que deve ter faturado 18 bilhões. Só uma operadora fatura mais, ou seja, tem muito mais poder econômico.

Quais obstáculos estão postos para a implementação do Plano Nacional de Banda Larga?

A Dilma ganhando, eu acho que fica tudo bem mas se ela perder, o plano vai ser feito do jeito que as operadoras querem. E para eles é uma briga econômica. Tomara que dê certo mas vai ter que dar porque isso é estratégico. As empresas já estão percebendo isso. Vai ter que ter, não tem jeito.

O que significa a democratização do acesso à internet? Como as pessoas se beneficiam disto?

Eu acho, apesar de ser bastante controverso, que as pessoas ganharam mais poder comunicativo. A internet, por ser uma rede distribuída, dá mais condições das pessoas se comunicarem, muito mais que no período antes da internet. O telefone não permitia que eu mandasse uma informação que pudesse ser vista por milhares de pessoas, hoje você tem pontos na rede que tem capacidade de dialogar com muitas pessoas. Então ela aumentou o poder comunicativo, sem dúvida nenhuma.

Por outro lado, ela reduziu este mesmo poder de grandes grupos. A Globo é muito mais poderosa que um blogueiro, não tem cabimento achar que não. Mas ela começa a enfrentar movimentos e críticas, ela começa a enfrentar ondas na rede. Como foi o #dilmafactsbyfolha . A Folha atua como um partido politico, não só ela mas principalmente. Então ela faz combinações com as campanhas de José Serra e Geraldo Alckmin, ela coloca as manchetes de acordo com a campanha…E ela fez uma manchete completamente descabida e aí gerou um reação. Ninguém sabe exatamente com quem começou mas se você for ver foi de uma pessoa comum indignada e as pessoas acharam legal e começaram a falar, a tirar sarro da Folha. A manchete era “Dilma erra e dá prejuízo de 1 bilhão para consumidor” e o pessoal começou a colocar toda a culpa do que acontecia na Dilma. Isso gerou uma desmoralização da Folha de S.Paulo e isso não tende a diminuir. Esta retirada de poder dos grupos é importante. Agora isso quer dizer que vai acabar a empresa jornalistica? Claro que não. Só que essas empresas, se elas forem querer atuar achando que tem o poder que tinha antes, elas vão de dar mal. Elas terão que conviver com a rede. Então acho que isso beneficia muito a nossa sociedade.

A mídia de massas era importante por um lado porque fiscalizava os governos mas quando ela queria atuar de modo classista contra interesses populares e democráticos, ela atua com a maior tranquilidade. Então hoje você tem um jogo mais complexo. E eu acho isso extremamente positivo, teremos uma diversidade maior de atores. Isso é o que está acontecendo hoje.

Quais são os obstáculos que estão postos e quais iniciativas de cerceamento da liberdade na internet?

Existem governos, como o da China, e grupos de pessoas ou políticos conservadores que querem transformar os protocolos, o controle que é dado tecnicamente na internet em controle político e cultural.

É difícil a gente falar isso: a rede amplia a liberdade de expressão, amplia a capacidade de interação entre as pessoas, ela é uma rede que permite a liberdade nesse sentido. Mas ela é uma rede também de controle. Ela é uma rede cibernética: de comunicação e controle.

Atualmente você pega um grupo como o Google que conseguiu atrair a atenção e interesse das pessoas, que passaram a entregar as suas informações voluntariamente, porque era legal usar o Gmail,o Youtube, o Orkut, as aplicações, o mecanismo de busca…É uma empresa que não obrigou ninguém a passar tanta informação para eles mas eles são um repositório de informações jamais alcançado por alguém história da humanidade.

Nunca tivemos uma situação onde pudessemos falar tanto e nunca fomos tão controlados. É uma aparente contradição mas não é. A própria rede para ser dispersa, tem que ser extremamente controlada. Mas na hora que eu transformo esse controle tecnológico, que é tipico da cibernética, em controle cultural e começo a dizer que deve passar por determinados lugares, que tem que definir o comportamento político cultural das pessoas. Daí eu tenho algo extremamente grave. Então nós estamos com um grande problema hoje. E uma das grandes expressões desse problema de transformação do controle tecnológico em controle político se dá em torno da neutralidade da rede.

Você pode explicar o conceito de neutralidade da rede?

A internet ela pode ser entendida como uma rede lógica, uma rede de informações. Para usarmos a internet, utilizamos a infraestrutura de telecomunicações, ou seja, os controles do que a gente chama de camada física da rede. Essas operadoras de telecom querem controlar o fluxo de informações que passa por seus cabos.

A internet até hoje não funcionou assim porque uma camada era neutra em relação às outras. Daí o termo neutralidade da rede. Ou seja, até hoje não era permitida a discriminação dos pacotes [de informação], seja por origem, destino, conteúdo…

Agora essas operadoras dizem “não, nós estamos com um problema: as pessoas tão baixando vídeo e compete com um tráfego importante de dados. Os vídeos tem que pagar para andar na minha rede”. É como se fossem pedágios virtuais nesse sentido. E elas querem assim: se o blog do Sergio Amadeu não tiver acordo com uma operadora americana, não vão abrir o blog com a mesma velocidade do MSN, que tem um acordo.

Então nós vamos implantar estradas pedagiadas, vamos implantar as regras de mercado dentro do ciberespaço. O ciberespaço sempre permitiu ação do mercado mas ele não é o mercado, ele é o espaço comum, onde todos eram tratados de maneira equânime. E as operadoras com essa tentativa de restrição, estão interferindo diretamente no meu interesse, na minha liberdade de me comunicar.

Isso coloca em risco a criatividade da rede. Se eu criar uma nova aplicação, o que vai acontecer? Uma operadora pode dizer “não sei o que é isso, não vou deixar passar”. O Twitter poderia não existir, o Youtube…Pois todo mundo que quiser criar algo vai ter que ser sócio deles, senão não vai poder caminhar nas redes. Isso é uma aberração.

Defender a neutralidade na rede, é defender a liberdade de expressão, de criação, de invenção. E é uma das coisas mais importantes no mundo da internet hoje.

Que iniciativas existem nesse sentido?

Nos EUA, a Justiça deu ganho de causa à empresa Conquest que alegava poder privilegiar determinados pacotes de informação em detrimento a outros em sua rede. E a FCC, a Anatel deles, está contra essa decisão e tem ações legais no parlamento americano para aprovar projetos que garantam a neutralidade na rede, contra a discriminação dos pacotes.

No Brasil colocamos no Marco Civil da Internet que um dos princípios da internet no Brasil é a neutralidade na rede. Isso colocaria, ao menos no nosso território, uma situação difícil para operadoras que começassem a interferir nos pacotes. É um movimento no qual a gente tenta aprovar leis em todos os países importantes do mundo pra garantir a neutralidade da rede.

Porque isso não depende de cada país já que o acesso não tem fronteiras, certo?

Essa questão é bem interessante. O que a gente quer fazer em cada país é garantir que a internet continue livre e não fazer uma lei para dizer “meu país é diferente”. Então é um espírito de uma parte da opinião pública mundial que luta por isso. Olha que interessante: a internet é transnacional mas se os EUA aplicarem o processo de quebrar a neutralidade, eles vão impor essa lógica no mundo inteiro pois é la que estão os maiores provedores de conteúdo e as principais redes sociais.

Então, na verdade, temos que lutar com leis contra o poder de oligopólio desse controladores das redes físicas. A rede física é que controla os cabos, satélites, cabos submarinos…Esses caras são oligopólios no mundo, é mais fácil a gente convencer o governo americano a fazer algo do que a convencermos uma operadora dessa. Porque eu não posso elegê-los, eu não posso controlá-los. Eles não se guiam por preceitos democráticos, é a ditadura do capital. Então é muito grave, daí estranhamente para defender a liberdade transnacional, a gente recorre às leis nacionais. Dizendo “neste pedaço da terra, o fluxo é livre, naquele também, naquele também” e se esses países forem os mais importantes, a gente venceu a batalha.

E qual o interesse das operadoras em fazer isso? Tem a ver com o interesse da indústria fonográfica em barrar o download de músicas, por exemplo?

O interesse maior é eles ganharem mais dinheiro, é cobrar. E aí tem a indústria do copyright, que pensa “bom, se eles puderem controlar a rede, eu faço um acordo com eles pra não passar protocolo bitorrent pela rede deles e aí eu acabo com a pirataria”. É ilusão dos caras isso. Mas o principal interesse das operadores é aumentar seu controle, eles pegam o controle técnico que tem – os computadores sabem que pacotes estão passando – e aí eles ganham mais dinheiro.

E para ganhar mais dinheiro eles destroem a liberdade de expressão, de criação. Eles passam a ter um controle grande porque se eu inventar a Web 3D, vou ter fazer um acordo com ele porque se não eles podem barrar meu conteúdo. Vamos ter cercas digitais e eles só abrem a porteira mediante pagamento ou acordo. Isso é um controle gigantesco sobre a criatividade.

No mundo, as operadoras estão se concentrando – vão ser de 10 a 12 grandes operadoras, que tem mais poder que estados. E é um poder sobre a comunicação e então a gente tem que superar essa nossa dependência desse tipo de companhia – não sei ainda qual seria a solução mas a situação atual é grave. Essas empresas são estratégicas do ponto de vista do direito a comunicação hoje e elas tem que ter o controle social.

Quem são as grandes empresas de telecom? Quem são esses grupos que controlam o mercado?

Tem algumas empresas grandes dos EUA, a AT&T, Conquest, Verizon…Alguns grupos europeus como a Telefônica, a Vodafone e algumas alemãs. Tem duas grande chinesas, muito grandes. Mas o que está acontecendo é que essas empresas estão se coligando, então o grande perigo é essa enorme concentração. É um setor estratégico, eles tem toda a infraestrutura da rede. Por exemplo, como é que a China faz: eles não deixam que alguns IPs sejam lidos, o fluxo de alta velocidade vem e ao entrar na China, tem um computador que filtra. É o chamado grande firewall chinês, a grande barreira.

É possível haver uma regulação a nível mundial? Alguma instância de decisão?

Não, acima dos Estados Nacionais tem acordos. Seria uma boa ideia a gente tentar fazer um acordo em defesa da liberdade na internet mas é muito difícil. No momento nós temos que ganhar a opinião pública em cada país. Porque aí as sociedades em cada local brigam. Na Espanha tem uma briga forte em defesa da neutralidade da rede. Na França infelizmente a gente perdeu para o Sarkozy, que criou lei absurdas. Mas a gente tem um movimento mundial.

Você pode explicar sobre a lei aprovada na França e que foi debatida no parlamento de vários países europeus?

A grande iniciativa hoje é chamada “three strikes”, são as três batidas. Eles identificam que você está baixando, por exemplo, um arquivo de música. Então ele violam a sua privacidade para ver que tipo de arquivo você está baixando. Se for um arquivo protegido pelo copyright, ou melhor dizendo cerceado pelo copyright, eles te mandam um aviso “você está violando a lei” – é a primeira batida. Se você continuar, eles te mandam um segundo aviso e na terceira vez eles cortam a sua conexão, em geral por um ano.

Qual o problema disso? Pense na minha casa que tem três pessoas usando a internet, só eu baixei a música. Na hora que me desconectam, são prejudicadas outras pessoas que não tem nada a ver com isso. Quer dizer, é uma lei inexequível. Tanto é que na França ela foi aprovada há mais de um ano mas não foi aplicada.

A grande questão em relação ao IP [Internet Protocol, número de identificação de um computador na rede] é a seguinte: para você navegar na internet você tem que ter um número de IP, então é muito fácil identificar o IP, a máquina e a região em que está. O grande problema é você individualizar o IP, ou seja, vincular um IP a uma identidade civil. Daí toda aquela navegação, tudo o que aquele IP fez pode ser rastreado por outros e não só autoridades. Basta que eu sabia que o IP xis é do Sergio Amadeu. Eu acabo seguindo o rastro digital. Então é uma coisa bem complicada do ponto de vista da privacidade.

Fonte: Viomundo

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Da série "Os desajustados"

De céticos e cínicos

por Emir Sader


Algumas vozes espalham o ceticismo na imprensa, nas universidades, de repente passam do ceticismo ao cinismo, já não importa nada, tudo é ruim, cambalache, tudo é igual, o mundo vai para o pior dos mundos possíveis.

Foi uma atitude que foi amadurecendo ao longo das ultimas décadas, passou-se a achar que o século XX foi um século muito ruim para a humanidade, o pior dos séculos, etc. Uma atitude de melancolia, de desencanto, de desânimo, de abandono da luta, traduzida no ceticismo, na crítica, que se alastra para jovens gerações, precocemente envelhecidas.

Todos os governos, todos os partidos, todos os processos traem, decepcionam, se corrompem. O socialismo teria dado em totalitarismo – e se soma nisso à direita. Os sindicalistas só querem defender seus interesses. A esquerda e a direita são iguais, etc., etc.

Como as teorias parecem ser maravilhosas e as práticas concretas, não, preferem ficar com as teorias – se possível, misturando um pouco de Nietzsche, de Foucault, de Tocqueville. Pronto, o pessimismo está constituído como visão trágica do mundo.

Encontra-se lugar na velha imprensa para escrever, contanto que não se critique a própria velha imprensa, e se concentre em criticar a esquerda – a URSS, Cuba, a Venezuela, Lula, o PT. Terminam fortalecendo o desinteresse pela política, fortalecendo a direita e desalentando os jovens, enquanto ainda mantêm seu prestígio com eles. Depois de um certo momento já se confundem diretamente com a direita.

O ceticismo pode ser liberal, certamente não é marxista. O marxismo parte da realidade concreta, mas sempre na perspectiva da sua transformação. Esse pessimismo, somado ao catastrofismo, fortalece o mundo tal qual ele é, promove a impotência diante da realidade.

Uma análise dialética da realidade supõe a apreensão das contradições que articulam o concreto, desembocando em linhas de ações e não na perplexidade, na impotência, na passividade, na melancolia e no ceticismo.

No momento em que o povo brasileiro, no seu conjunto, pela primeira vez, começa a melhorar substancialmente suas condições de vida e o expressa em um apoio como nenhum governo teve, é triste ver uma parte da intelectualidade de costas para o povo, melancolicamente continuando a pregar que tudo está muito ruim, pior do que antes, brigando com a realidade, em um isolamento total em relação ao povo e ao pais realmente existente.

O otimismo, por si só, não é revolucionário, mas todos os grandes líderes revolucionários foram e são otimistas, porque acreditam sempre nas possibilidades de transformação revolucionária da realidade. Enquanto o ceticismo leva à inação e, muitas vezes, até mesmo ao cinismo.

Fonte: blog do Emir Sader - Carta Maior

quinta-feira, 13 de maio de 2010

122 anos de 13 de maio - parte I




Renda de negros cresce 222% em 8 anos


Os consumidores negros e pardos devem fechar 2010 com uma renda de R$ 546 bilhões no bolso, o que equivale a 40% do total previsto para todas as famílias (negras e não negras) do país, de R$ 1,38 trilhão.

Isso significa que, a cada R$ 10 disponíveis para o consumo neste ano no Brasil, R$ 4 estarão em poder de trabalhadores negros e pardos (com ou sem carteira assinada). No total da população, eles representam 51%. Em 1998, eram 45%.

As projeções da renda disponível neste ano foram feitas pelo Data Popular, instituto de pesquisas e consultoria, a partir dos rendimentos das famílias da Pnad de 2008, última disponível pelo IBGE.

Os valores foram atualizados para 2010 e consideram a inflação medida pelo IPCA no período, os reajustes concedidos ao salário mínimo nos últimos dois anos e a previsão de crescimento do país de 5% neste ano.

Em 2002, a massa de renda total de negros e pardos foi de R$ 170 bilhões. Se confirmada a previsão deste ano (R$ 546 bilhões), o crescimento será de 222% em relação àquele ano.

O resultado chama a atenção porque o salário de um negro ainda é cerca da metade do de um branco. Mesmo assim, a massa de renda dos negros já representa 40% do total.

O que explica essa aparente contradição é que no total de rendimentos das famílias não entram somente salários. No cálculo estão todas as fontes de receita -como trabalhos avulsos (bicos) e temporários.

A disparidade salarial obrigou as famílias negras a estimularem também o trabalho de crianças e adolescentes para complementar a renda.

"Em uma família branca, que, em geral, é menos numerosa, é comum encontrar só o pai como gerador de renda", diz Renato Meirelles, sócio-diretor do instituto. "Na família negra, os filhos trabalham. Se não for assim, não terão como pagar a faculdade e melhorar de vida."

O aumento de emprego formal e o maior acesso à educação e ao crédito são as principais razões para explicar a alta no poder de consumo dos negros. De 1998 a 2008, a proporção de negros e pardos com ensino superior completo no total de adultos (25 anos ou mais) passou de 2,2% para 4,7%.

"As políticas públicas que vêm sendo desenvolvidas desde o final do governo FHC também contribuem para ajudar na inserção do negro no mercado de trabalho", diz Meirelles.

"Antes, havia mais negros na informalidade, com renda ainda menor. Hoje não há como falar sobre a nova classe média brasileira sem falar no negro."

A classe C negra deve ter disponível renda de R$ 187 bilhões neste ano -ou 43,8% da renda total prevista para a classe C (com renda de 3 a 10 mínimos).

Mas as empresas ainda estão longe de atender ao anseio desse consumidor. "Ter uma política de inclusão não significa somente ter um sabonete específico ou colocar o negro como garoto-propaganda. Isso é um avanço, mas é preciso entender os valores e a cultura negra."

Alcir Gomes Leite, diretor-executivo e sócio da DM9, diz que empresas e marcas estão "aprendendo" a olhar para a classe C independentemente de sua cor.

"Ainda existem erros absurdos de criar estereótipos para essa classe, que tem hábitos e um jeito próprio de ser. O Brasil é um país de classes C e D, acho estranho considerar que são nichos de mercado."

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

A gente tem juízo mas não usa!


Entra ano sai ano, a mesma coisa! O brilho da festa mercantilista do Natal/Ano Novo é ofuscado pelas tragédias ocasionadas pelas tempestades do Verão...
Em meio ao pipocar dos fogos de Copacabana barracos e mansões deslizam por morro abaixo!
Mas, fazer o que? A Natureza busca manter o equilíbrio que o Homem insiste em alterar. Sabemos que não podemos construir nas encostas e continuamos a construir (quando não sabemos, ninguém vem nos avisar que não podemos). Não queremos construir nas encostas, mas ninguém nos oferece alternativas para morarmos em lugar seguro.
Temos técnicos das mais variadas especialidades que poderiam implementar um planejamento urbano adequado, porém interesses políticos, econômicos e pragmáticos impedem esses planejamentos...
Dessa vez a Natureza foi democrática e atingiu ricos e pobres.
Os telejornais fazem a festa, massificando nossa mente com as tragédias das enchentes e das avalanches para logo a seguir anunciar as boas novas do Carnaval...
Enfim, a gente tem juízo mas não usa!

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

A ABERT não está aberta às críticas!

Foi realizada recentemente a Conferencia Nacional de Comunicação,
com participação do governo e de vários setores da sociedade: Empresários,
partidos políticos, trabalhadores do setor, etc. A ABERT- Associação Brasileira
das Emissoras de Rádio e Televisão(comandada pelos grandes monopólios de
telecomunicações, como a Globo) boicotou o a Conferencia por temer que fossem
aprovados instrumentos de controle SOCIAL sobre as atividades nada
transparentes e isentas deles. Querem liberdade total para continuar a fazer
com as mentes dos incautos o que quiserem. Tenhamos cuidados com elas!

*OPINIÃO DA ABERT
18.12.09*
*
*Há quatro meses, a Abert, em conjunto com outras cinco entidades
empresariais, decidiu não participar da Conferência Nacional de Comunicação
por considerar que o temário do encontro atentava contra princípios
constitucionais caros à democracia brasileira.
Hoje, os resultados da Confecom demonstram que as nossas preocupações se
justificavam.
Como previmos, algumas propostas aprovadas na Conferência, como a criação de
um Conselho Federal de Jornalismo e um Conselho Nacional de Comunicação -
"meios eficientes para o efetivo controle social da mídia", segundo o
próprio texto aprovado -, ignoram a liberdade de imprensa e de expressão,
propõem mecanismos de controle sobre os jornalistas e as empresas de
comunicação, e ainda impõem amarras à ação da iniciativa privada.
Em resumo, desrespeitam a Carta Magna de 1988, que consolidou garantias
importantes aos brasileiros.
Entendemos que é salutar o debate sobre um tema relevante como a
comunicação. Desde o início acreditamos que seria uma boa oportunidade para
discutir os meios e modos de construção da cidadania na era digital, como
determina o Decreto Presidencial.
Entretanto, na prática, o debate e seus objetivos se diminuíram à medida que
setores buscaram impor a toda sociedade sua visão de mundo, com acentuado
viés intervencionista, autoritário e ideológico.
O documento final da Conferência será divulgado somente na próxima semana.
As propostas, que não têm caráter deliberativo, deverão ser encaminhadas ao
Poder Executivo e ao Congresso Nacional, fórum adequado para a sua análise.
A Abert reitera seu compromisso com a defesa da liberdade de expressão e de
imprensa, o direito à informação e à opinião e a livre iniciativa. E
acredita que o país continuará avançando do ponto de vista político, social
e econômico, como um exemplo de democracia no continente.

Daniel Pimentel Slaviero
Presidente

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Criminalização da Pobreza e Processo de Desumanização dos Excluídos


Por Najla Passos
ANDES-SN

Todos os dias, a mídia convencional silencia o clamor por vida e dignidade que ecoa dos morros cariocas, dos assentamentos dos sem-terra, das aldeias indígenas da Amazônia, dos vários rincões de pobreza do país. Nas páginas dos jornais, nas telas da TV, pobreza e violência se confundem de forma visceral.

O fenômeno, batizado de "criminalização da pobreza", é recente, conforme afirmou o coordenador da Rede de Comunidades Contra a Violência, Maurício Campos, na mesa Mídia e Criminalização da Pobreza e dos Movimentos Sociais, durante o 15º Curso Anual do NPC, no Rio de Janeiro, de 11 a 15/11.

Entretanto, esse fenômeno faz parte de um processo tão antigo quanto a história da humanidade e, especialmente neste caso, do país. Fenômeno esse que desumaniza o outro, exclui o diferente, coisifica os de baixo e registra a história apenas do ponto de vista das classes hegemônicas. Sempre, é claro, com a ajuda definitiva dos aparelhos do Estado, incluindo aí o sistema educacional e, de forma cada vez mais definitiva e fundamental, a mídia.

Identidade nacional
Na mesa Cultura Brasileira e Identidade Nacional, o professor de Sociologia da Universidade de Campinas - Unicamp, Renato Ortiz, lembrou que a construção da identidade nacional é feita pelas idéias hegemônicas de cada época.

Não por acaso, o negro foi tão silenciado na literatura brasileira que se propunha a dar significado ao surgimento da nação brasileira.

Em O Guarani, de José de Alencar, tida como obra fundante da brasilidade, não havia personagens negros. A raça brasileira nascia de uma união entre o branco e o índio. Mas não o índio real, e sim um índio mitificado, cheio de sentimentos nobres e cristãos, que mais lembrava os dos cavaleiros medievais europeus.

"No século 19, auge da Teoria Evolucionista (de Darwin), acreditava-se que a mistura de uma raça superior (Branca) com duas inferiores (Negra e Indígena) resultaria em um ser ainda mais inferior. Então, o pensamento hegemônico excluiu o índio da construção da identidade da nova nação", ensinou Ortiz.

Prova disso é o fato que, quando Euclides da Cunha, um pouco mais tarde, já na virada do século, se baseia nos pensamentos feitos hegemônicos na sua época para julgar os sertanejos que combateram na revolta de Canudos, ele chega a afirmar, no clássico "Os Sertões", que a mestiçagem é um retrocesso e, o mestiço, quase sempre um desequilibrado.

"Como nas somas algébricas, as qualidades dos elementos que se justapõem, não se acrescentam, subtraem-se ou destroem-se segundo os caracteres positivos e negativos em presença. E o mestiço – mulato, mameluco ou cafuz -, menos que um intermediário, é um decaído, sem a energia física dos ascendentes selvagens, sem a altitude intelectual dos ancestrais superiores. Contrastando com a fecundidade que acaso possua, ele revela casos de hibridez moral extraordinários: espíritos fulgurantes, às vezes, mais frágeis, irrequietos, inconstantes, deslumbrando um momento e extinguindo-se prestes, feridos pela fatalidade das leis biológicas, chumbados ao plano inferior da raça menos favorecida", eterniza o mestre em uma das mais vigorosas obras do cânone brasileiro.

Assim, o processo do ocultamento do negro só virá a ser revertido bem mais tarde, nos Anos 30, quando se tornou impossível ignorar sua presença na formação da brasilidade. Os intelectuais do pensamento hegemônico, na esteira do clássico "Casa Grande e Senzala", de Gilberto Freire, criam, então, o mito da democracia racial, que propõe que, no Brasil, à revelia de quaisquer evidências históricas, brancos, negros e índios vivem de forma equilibrada e harmônica.

Feridas abertas da nação
Para a professora de História da Universidade Cândido Mendes - UCAM, Beatriz Vieira, tudo o que é silenciado pela cultura acaba gerando traumas que podem perpassar muitas gerações. "A escravidão é, provavelmente, um dos momentos mais traumáticos da nossa história. E sua abolição, em função da forma como foi concebida, deixando os negros abandonados e sem referência de pertencimento, gerou suicídios, exclusão social e uma onda de enorme repressão na virada do século".

Ainda de acordo com a pesquisadora, em nome da "civilidade", o escravo liberto era, por exemplo, proibido de circular no centro do Rio de Janeiro, a capital da recém instaurada República. "Os negros foram levados para subúrbios cada vez mais distantes. Chegou a ser editada uma lei que proibia os homens de andarem no centro do Rio sem portar terno e gravata. Um processo civilizatório equivocado, que tentava equiparar o Rio de Janeiro à Paris".

Foi justamente nessa época que o Brasil foi palco de expressivas revoltas dos chamados excluídos. "Vacina, Canudos, Contestado, os movimentos cangaceiros e messiânicos são processos de tentativa de libertação de grupos que não podiam mais ser considerados mercadoria, em função do fim da escravidão, mas também não eram consumidores, não eram cidadãos", lembra Beatriz.

Ela reforça que, após os Anos 30, a afirmação do mito da democracia racial e o ocultamento do racismo, em nome da unidade nacional, aprofundaram ainda mais o trauma da nação. O samba, o carnaval e o futebol foram inseridos no processo de construção nacional e o pensamento hegemônico passou a afirmar que a cultura negra era, sim, valorizada. "Mas, com isso, não se falava mais em racismo. A ditadura militar, inclusive, proibiu textualmente que se abordasse o assunto".

A voz do morro
A professora de Antropologia da Universidade Federal Fluminense - UFF, Adriana Facina, reforça que a discussão sobre cultura, no mundo atual, é importantíssima, justamente porque é extremamente politizada. "A cultura não é algo descolado do mercado, dos conflitos. É o coração disso tudo, de um mundo em que os movimentos de massa perderam força, que não se consegue mais articulá-los pelos métodos tradicionais".

Autora de estudos sobre o funk carioca, ela acrescenta que a construção da identidade nacional se deu com processos de exclusão, higienização e domesticação da cultura popular, abarcando, inclusive, construções de valores subjetivos, como, por exemplo, o que é considerado culturalmente feio, bonito, elevado ou lixo cultural.

"Criou-se normatizações para definir o que pode e o que não pode ser aceito. E o problema é que mesmo nós, intelectuais contra-hegemônicos, muitas vezes adotamos esses padrões de comportamento e deixamos de fora o que nos parece estranho, diferente. E isso pode gerar uma interpretação exclusivamente oficial do popular", alerta.

Para Adriana, não há como pensar a cultura nacional sem considerar o fenômeno da diáspora africana. "São muitas as expressões desse processo diaspórico pelo mundo, como o blues, o soul, o samba, o funk... O discurso de defesa da cultura popular pode se tornar muito opressivo se não considerar esses fenômenos transnacionais, até porque ele faz com que se perca o diálogo com os potenciais agentes de transformação social da nossa sociedade: os excluídos, os favelados, os pobres".

Criminalização e mídia
Retomando o pensamento de Maurício Campos, é preciso estar atento para o fato que, nesse processo de criminalização da pobreza e de construção do discurso opressor da defesa da cultura popular, a mídia exerce papel fundamental. Repeti-lo, portanto, é incorporar o pensamento hegemônico e silenciar as vozes que vêm dos excluídos, postando-se de costas para os tantos rincões miseráveis do país.

De acordo com ele, um dos mecanismos utilizado pela imprensa para convencer a população da necessidade de criminalizar os pobres e os movimentos sociais é identificá-los, individual e coletivamente, com atividades já socialmente definidas como criminosas: furtos, assaltos, seqüestros, tráfico de drogas.

Outra é a definição ideológica – e posteriormente criminal – de atividades características da população pobres como práticas criminosas: ocupação de terras e prédios públicos, trabalho ambulante, manifestações culturais como o funk, etc. Qualquer semelhança entre esses exemplos e as manchetes estampadas nos jornais não é mera coincidência.

Ainda conforme o coordenador da Rede de Comunidades Contra a Violência, a mídia se utiliza de vários artifícios para contribuir com a criminalização da pobreza e dos movimentos sociais. E precisamos, sempre, estar atentos a eles.

O primeiro é a veiculação sistemática de notícias sobre crimes, associando-os exclusivamente às favelas, aos bairros pobres, aos assentamentos. Outro é privilegiar a versão oficial, normalmente da Polícia, em detrimento das demais.

"A mídia convencional não dá espaço para os pobres envolvidos se manifestarem. E como ensinaram os nazistas, a melhor forma de contar uma mentira e mostrar apenas um pedaço da verdade. Afinal, as drogas e as armas não são produzidas nas favelas, mas quando se fala em narcotráfico, é em favelas que todo mundo pensa automaticamente", denuncia.

Por fim, Maurício Campos lembra que a banalização e naturalização dos casos de violência e violação dos direitos humanos dos pobres e negros também contribuem para esse contexto, tornando o público cada vez mais imune ao seu apelo humanístico.

Fonte: ANDES-SN

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

New kids on the blog!!!


Um novo blog surge na rede. Trata-se de Covil da Intriga, o espaço para execrar as ervas daninhas que polulam nas mídias desse país.
Leiam o editorial:

Saudações, leitores!

Hoje estava eu vindo da faculdade em um ônibus refrigerado doido de vontade de mijar. Saltei do dito cujo e corri para o primeiro banheiro que pude entrar. Como tudo hoje é difícil, até encontrar um banheiro de botequim para tira água do joelho, tive que correr até o supermercado do bairro e dar aquela aliviada no banheiro do estabelecimento que, diga-se de passagem, não perde em nada para os mictórios dos pés sujos mais movimentados.
Bem, depois de aliviar a bexiga e sacudir o bilau (e lavar a mão, é claro), saí do banheiro e já estava me dirigindo para o meu doce lar quando vi os meus amigos A.E e M.I no caixa do supermercado.
Foi aquela alegria, digna de comemoração!
Fomos ao primeiro cospe-grosso que encontramos e pedimos uma gelada.
Papo vai, papo vem...
Malhamos Deus e o mundo!
Começamos pela mocréia da Uniban que virou celebridade, passamos pelo mala do Caetano Veloso, execramos a Rede Globo, a Globo Filmes, e os demais judas de plantão.
Nisso tivemos a idéia - aliás quem teve foram os meus dois amigos! - de construir um blog onde pudéssemos compartilhar com vocês todas as nossas opniões sobre a canalhice que impera no país. Prometemos não deixar pedra sobre pedra!
Então, se divirtam ou se irritem, fiquem à vontade.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Cala a boca, Requião!


A televisão emburrece. Dá cãimbra no cérebro, todos sabemos. Ver telejornais causa ânsia de vômito. É revoltante ouvir/ver o festival de asneira que sai daquela caixa de Pandora. Claro que há exceções, poucas, mas há!
Ontem assistindo o CQC na Rede Bandeirantes fiquei indignado como certos políticos e pessoas influentes tem o talento e a cara de pau de falar asneira quase que impunemente.
Estava no "top five" do CQC, uma espécie de "febeatevi - festival de besteira que assola a televisão". O inominável e escroto Requião, político do Paraná, fazendo campanha pelo combate ao câncer de mama.
O filósofo de terceira começou seu discurso dizendo que a tal doença não era problema apenas das mulheres, mas de muitos homens hoje em dia e completou: "também com essas paradas gays acontecendo toda hora..."
Não sei se era para rir ou chorar!

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

As novas perspectivas para o jornalismo

Nos últimos dois ou três anos tornou-se evidente que a chamada "grande imprensa" passa por uma crise de legitimação sem precedentes, açulada pela disseminação cada vez maior da internet 2.0, que aumentou a interatividade e as possibilidades de circulação de conhecimento na rede.

No âmago de tal crise encontra-se um processo de reestruturação mercadológica de veículos tradicionais da mídia brasileira, notadamente a revista Veja – que assimilou práticas e posturas jornalísticas originadas no ambiente neocon norte-americano – e o jornal Folha de S.Paulo – que, com a saída de cena do publisher Octavio Frias de Oliveira e a ascensão de seus herdeiros, operou não apenas uma guinada à direita como a imersão em episódios eticamente inaceitáveis em um veículo de imprensa que se pretende pluralista.

Blogs vs. "grande imprensa"

Por sua vez, a crítica à imprensa tornou-se quase que uma atividade recreativa na internet brasileira, cuja virulência generalizante gerou até mesmo de uma sigla, tão mordaz quanto não distintiva, utilizada para caracterizar a mídia nativa: PIG (Partido da Imprensa Golpista), criada por um leitor do blog de Paulo Henrique Amorim, jornalista consagrado que aderiu ao novo esporte sem abrir mão de uma atuação mainstream numa TV sustentada pelo neopentecostalismo, em que repete várias das vicissitudes criticadas nas arenas virtuais – inclusive na sua.

Também não é sem mordacidade que se constata que sem a "grande mídia" a blogosfera perderia grande parte de seus temas – e de sua graça. Trata-se, é evidente, de um paradoxo – e de uma realidade que muitos blogueiros insistem em fingir não ver. Frise-se que a crítica à imprensa é não apenas bem-vinda, mas, neste momento mais do que nunca, necessária. Só que tem levado a um sentimento antimídia generalizado que produz distorções e equívocos que se perpetuam, como a constatação de que destruir a "grande mídia" é objetivo declarado de mais de um blogueiro.
Ao contrário do que muitos críticos virtuais insistem em afirmar de forma um tanto inconsequente – pois, como sói acontecer com alguma frequência nos setores mais jovens da blogosfera, sem conhecimento de causa – a "grande imprensa" nem sempre foi assim. O modus operandi da plutocracia midiática e de suas famiglias, é verdade, pouco mudou através dos tempos, mas o jornalista – este ente profissional hoje exterminado no Brasil por uma decisão infeliz da pior Alta Corte de nossa história – foi, ao menos até o fim dos anos 1980 e nos parcos limites de sua atuação vigiada, um dos principais agentes de resistência político-ideológica, no mais das vezes identificado com a necessidade de redemocratização do país, com as lutas sociais e como questionamento da aliança entre elite econômica e poder político.

Um dos motivos para tal é que um número considerável de jornalistas provinha da intelectualidade (muitos deles egressos do Partido Comunista, então com forte presença nas hostes culturais) em busca de sustento material, repaginados para consumo diário, como sugere o sociólogo Sergio Miceli em seu imprescindível estudo sobre os intelectuais no Brasil na primeira metade do século 20.
Ao invés de erguer como bandeira a destruição da mídia, como tantos o fazem, talvez fosse mais proveitoso buscarmos sair dessa falsa dicotomia representada pelos dois estereótipos de jornalistas – propositadamente caricaturais e carregados – e conquistar meios efetivos de criar um novo modelo de jornalismo – que aproveite tanto os talentos jornalísticos abundantes na blogosfera quanto aqueles que aguardam nas filas de emprego das corporações do ramo.

É precisamente em relação a tal horizonte que o manifesto de Leandro Fortes é alçado à sua dimensão maior, na proposição de um novo jornalismo, profissional, remunerado, livre das idiossincrasias e do amadorismo (financeiro) da blogosfera – mas honesto, bem-intencionado, encerrado na predição de que "é possível ser jornalista e trabalhar em qualquer lugar sem se submeter ao mau-caratismo. Arriscado, mas possível".

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Aprendendo a lidar com a liberdade na rede





Por Leticia Nunes, de Nova York em 9/9/2009

A internet abriu as portas e janelas da comunicação global, facilitou o contato entre pessoas separadas por fronteiras e oceanos, permitiu que qualquer um com um computador e uma conexão pudesse expressar suas opiniões. A contrapartida é que qualquer um com um computador e uma conexão pode discordar das opiniões dos outros e expressar suas próprias, sem precisar mostrar a cara. Faz parte do jogo. Sites que permitem comentários passaram a ter de lidar com os exageros e as exaltações dos leitores.

O curioso é quando alguém diz o que quer e ouve o que não quer. Na vida real, é fácil desligar o telefone, fechar a porta de casa, tapar os ouvidos. Na rede, fica tudo gravado para todo mundo ver e também dar o seu pitaco. E os pitacos costumam crescer como bolas de neve. Quando a apresentadora Xuxa se irritou, dias atrás, com internautas que debocharam de um erro de português de sua filha no Twitter, disse que eles não mereciam o contato com ela. Encastelada há tantos anos, a "rainha dos baixinhos" entrou de gaiata no fantástico reino das redes sociais onde, com um login e uma senha, todos são iguais.

Basta

Mais curioso ainda é quando isso acontece com alguém já acostumado ao ambiente online. E que fique claro que não defendo a falta de educação, os insultos e ofensas na rede. Internautas que se protegem atrás de seus computadores para passar dos limites do bom convívio social são pessoas covardes na vida real. Mas o que aconteceu com a jornalista americana Sarah Lacy na semana passada exemplifica bem a dinâmica do diálogo na internet. Sarah escreveu o que queria em um momento de irritação, e ouviu críticas e mais críticas. Até que as críticas viraram insultos e os insultos chegaram ao blog de seu marido (que não tinha nada a ver com a história), no que ela viu como o momento de dar um basta.

Sarah escreve sobre tecnologia para o site TechCrunch, tem um blog e é autora de um livro sobre o Vale do Silício. Desde o início de setembro, ela virou também objeto de ódio de internautas brasileiros. A história começou com o planejamento de uma viagem para o Brasil. A visita ao país fazia parte de uma série de viagens para a preparação de um livro sobre companhias empreendedoras em mercados emergentes.

Em um artigo no TechCrunch, Sarah conta que estava tão empolgada com a ida ao Brasil, marcada para este mês, que passou quatro meses aprendendo o português. Mas o zelo não foi tanto na hora de tirar o visto para entrar no país. Ela diz que seu visto deveria sair um dia antes da data marcada para a viagem. Por um desses azares da vida, o governo brasileiro havia decidido, na mesma época da viagem de Sarah, trocar o sistema dos computadores, o que causou problemas e atrasou a emissão de vistos. Sim, essas coisas costumam dar raiva, nos sentimos perseguidos, perguntamos por que tinha que acontecer justamente conosco.

Irritação

Sarah gastou mais de mil dólares para reorganizar seus planos e teve de desmarcar entrevistas e encontros. Tudo muito frustrante. A irritação da jornalista era compreensível. O problema foi quando ela resolveu expressar sua irritação na internet. No artigo no TechCrunch publicado em 3/9, em que conta por que não iria mais ao Brasil, Sarah destilou todo o seu ódio. Chamou o país de "maldito", citou a violência e os seqüestros e pichou a bandeira brasileira. Mesmo assim, ela diz que ainda espera viajar ao Brasil no fim do ano.

Os brasileiros não gostaram e lotaram o texto de Sarah com comentários. Alguns educados, outros nem tanto. Muitos internautas culparam a jornalista por não ter tirado o visto com mais antecedência. Outros lembraram que tirar o visto americano também não é nenhum mar de rosas. Sarah foi chamada de arrogante e egoísta. Diversos blogs repercutiram a polêmica.

Em post publicado em seu blog no domingo [6/9], Sarah conta que as pessoas ficaram "loucas" com a história, entrando até no blog de seu marido para insultá-la. "Já fui atacada em Austin, Israel, China e África por coisas aparentemente inofensivas que fiz ou escrevi, mas ninguém nunca tinha ido atrás do meu marido. Agora ele está com raiva e preocupado por minha segurança, e tenta me convencer a não viajar mais para o Brasil, a cortar o país do livro de vez", diz a jornalista. Por "motivos óbvios", afirma ela, seu último post sobre o assunto não permitia comentários de leitores. Quem quisesse falar alguma coisa, que tivesse cojones e lhe mandasse um e-mail.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

ORGULHO LGBT


Parada do Orgulho LGBT-Rio tem nova data


Grupo Arco-Íris
transfere a passeata para dia 1º de novembro e divulga
agenda de eventos

Devido à ampla
agenda de atividades culturais, sociais, políticas e
acadêmicas que farão parte da programação oficial da
14ª Parada do Orgulho LGBT-Rio, o Grupo Arco-Íris de
Cidadania LGBT adia a manifestação que se dará na orla de
Copacabana. Além disso, tendo como base o alto índice do
contágio no Rio de Janeiro da gripe A (H1N1) e este evento
de grande dimensão - que no ano passado reuniu 1,5 milhões
de participantes - aglomerar pessoas oriundas de diversas
localidades, o Grupo resolveu como medida preventiva,
transferir o evento. Fontes governamentais informam que
ainda existe uma possibilidade de um pico do surto da gripe
na segunda quinzena de setembro, podendo se arrastar ainda
na primeira quinzena de outubro. A nova data é dia 1º de novembro (domingo),
véspera de feriado, período que os fluminenses e os
turistas poderão aproveitar os points da Cidade
Maravilhosa.


“O Grupo
Arco-Íris tem como missão contribuir para a melhoria da
qualidade de vida da população e isso implica que nós
não podemos ficar omissos diante de um grave problema de
saúde coletiva, visto nossa trajetória de ações
preventivas em DST e HIV/AIDS”, afirma a presidente do
Grupo Arco-Íris de Cidadania LGBT, Gilza Rodrigues. A
presidente ainda completa: “A parada vai ser linda. Este
ano temos muitas surpresas! O cenário político do Rio de
Janeiro auxilia na produção de nosso evento. Pela primeira
vez, teremos a participação das três esferas
governamentais de maneira bastante proativa: prefeitura,
governo estadual e federal. Isto porque teremos atividades
acontecendo em espaços culturais da cidade, administrados
por órgãos do poder público como os Teatros João
Caetano, Gláucio Gill, Carlos Gomes e Sérgio Porto; e
outros equipamentos culturais, como: Terreirão do Samba;
Centro de Artes Calouste Gulbenkian; Sala Baden Powell;
entre outros”.


O coordenador geral da 14ª Parada do Orgulho LGBT-Rio, Cláudio
Nascimento, informa sobre a nova identidade visual da
campanha publicitária da 14ª Parada do Orgulho LGBT-Rio,
que utilizará um layout mais solar e colorido, sem perder o
seu sentido de reivindicação e luta pelos direitos LGBT.
“A homofobia é uma dura realidade em nosso país.
Continuaremos com a Campanha Não Homofobia, através da
coleta de assinaturas virtuais para cobrar a
criminalização da homofobia pelo Senado Federal.
Entretanto, utilizaremos outra estratégia: mostraremos o
futuro que queremos alcançar. A campanha publicitária
desse ano tem como slogan: eu tenho o direito de viver e
amar livremente. Diga não a homofobia. Uma forte
mensagem para convocar e transformar corações e mentes”.
A campanha publicitária foi idealizada pelo publicitário
Bruno Bertani, da Indústria Nacional
Design.


A 14ª Parada do
Orgulho LGBT-Rio conta com o patrocínio do Governo Federal,
através da Petrobrás; do Governo do Estado do Rio de
Janeiro, através das Secretarias Estaduais de Assistência
Social e Direitos Humanos, Cultura, Turismo, Esporte e
Lazer; Saúde e Defesa Civil; da Prefeitura Municipal do Rio
de Janeiro, através das Secretarias Municipais de Turismo,
Esporte e Lazer, Cultura; Assistência Social e Saúde; e
pela iniciativa privada possui o apoio da Vale. Ainda
conta com o apoio dos órgãos de controle urbano,
acautelamento de menores, limpeza, defesa civil e segurança
pública.


Informações
para a imprensa:
Márcia Vilella
Diego Cotta
Target
Assessoria de Comunicação
Telefone: 21
8158 9692 | 8158 9715 | 2284 2475
target@target.inf.br |
www.target.inf.br




PROGRAMAÇÃO
OFICIAL DA 14ª PARADA DO ORGULHO LGBT – RIO
2009

Data: 5 de outubro, às
19h

Local: Teatro
Carlos Gomes - Centro
Show de abertura
da Programação Oficial da 14ª. Parada do Orgulho LGBT-Rio
2009

Data: 5 de outubro a 5 de
novembro

Local: Galeria
do Centro Cultural Sergio Porto - Humaitá
Exposição:
“Nossa história, nossa força, nossa voz: 14 anos de
Parada do Orgulho LGBT-Rio”

Data: 9 e 10 de outubro, das
14h às 22h
Local:
Castelinho do Flamengo e outros locais a
confirmar.
Mostra de Filmes
Metáforas da Diversidade

Data: 9 de outubro, a partir de
23h30

Local: Cine
Ideal - Centro
Pride Ideal
Nacional com o DJ Edson Pride e a cantora Joe
Welsh

Data 11 de outubro, a partir de
23h30

Local: Cine
Ideal - Centro
Cine Ideal com
orgulho, com DJs Dupla Altar

Data: 14, 21 e 28 de outubro,
às 19h

Local: Sala Cecília Meirelles – Auditório Guiomar Novaes -
Lapa
Encontro de
Voluntários da Parada e de sua
programação

Data: de 22 a 25 de outubro,
às 19h

Local: Teatro
Gláucio Gil - Copacabana
Semana
Auto-Retratos – espetáculos e shows de resgate da cultura transformista do Rio

Data: 26 a 30 de outubro, das
15h às 22h

Local:
Castelinho do Flamengo e outros locais a
confirmar
Ciclo Arco-Íris
Pensando a Cidadania LGBT
Seminário
Estadual AIDS e Saúde LGBT

Data: 27 e 28 de outubro, às
19h

Local: Sala
Baden Powell - Copacabana
Vozes da
Diversidade – show musical com cantores e cantoras
LGBT

Data: 29 de outubro, às
21h

Local: Cine
Ideal - Centro
Festa Oficial de
Celebração da 14ª Parada do Orgulho LGBT Rio – 2009

(com a
Premiação das Cantoras Lésbicas da cena LGBT e
Lançamento da Quinta Lés)

Data: 30 de outubro, às
20h

Local: Teatro
João Caetano - Centro 8º Prêmio
Arco-Íris de Direitos Humanos
Data: 31 de outubro, das 10h às 22h

Local:
Terreirão do Samba e Centro de Artes Calouste Gulbenkian -
Centro (à confirmar) Feira Arco-Íris
de Cultura LGBT
Lesbifest –
Festival de Cultura e Diversidade entre lésbicas e mulheres
bissexuais

Data: 31 de outubro, às
22h

Local: Boate
1140 – Praça Seca - Jacarepaguá
Festa
Pré-Parada

Data: 1 de novembro, das 09h
às 18h

Local: Praia de
Copacabana, Posto 6 - Copacabana
Ação Orgulho,
Cidadania e Direitos Humanos (tendas de serviços e
informações para a população em geral)

Data: 1 de novembro, às
13h

Local: Praia de
Copacabana, Posto 6 - Copacabana
14ª Parada do
Orgulho LGBT-Rio 2009

Data: 1 de novembro, às 22h


Local: Le Boy -
Copacabana
Festa de
Encerramento da 14ª Parada do Orgulho LGBT – Rio
2009

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Lançamento Literário


O jornalista Altamiro Borges acaba de lançar o livro “A ditadura da mídia”. Faz parte da “Coleção Vermelho”.


“Não é uma obra acadêmica, mas uma peça de denúncia política”, avisa ele. “Não é neutra nem imparcial, mas visa desmascarar o nefasto poder da mídia hegemônica e formular propostas para a democratização dos meios de comunicação.”
O prefácio é do professor e pesquisador Venício A. de Lima, da Universidade de Brasília (UnB) e um dos maiores especialista no tema no país: “O precioso e oportuno ‘A ditadura da mídia’ oferece ao leitor, em linguagem simples e direta, não só um quadro atualizado sobre os grupos que disputam o controle da grande mídia no mundo e em nosso país, como também um roteiro justificado de metas que devem orientar as reivindicaçòes populares na 1* Conferência Nacional de Comunicação".
O jornalista Laurindo Lalo Leal Filho, ouvidor da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), faz um comentário: "O livro ‘A ditadura da mídia’ tem a justa pretensão de se tornar um instrumento de apoio para todos os que lutam pela construção de uma comunicação mais justa e equilibrada em nosso país”.

ver texto completo em: PROJETO PIG 2010

Hard times...


Aqui vai a reprodução de um trecho do texto de Celso Longaretti, publicado em seu blog "Náufragos da Utopia".
Segundo ele, nos anos 70 e 80 era dureza adquirir música devido às dificuldades e aos preços exorbitantes.
No entanto eu percebo que hoje, apesar da grande facilidade de acesso, ainda há certas barreiras que dificultam um acesso mais democrático às informações culturais: a qualidade do acesso (lenta, pelos padrões internacionais) e o preço do acesso (os preços no Brasil são caríssimos e a qualidade tecnica duvidosa.
Mas vamos a uma parte da historia do Celso, se quiser ler tudo acesse seu blog.

"Os jovens que, graças ao MP 3, conseguem encontrar e baixar, num abrir e fechar de olhos, todas as músicas do seu agrado, nem imaginam como penávamos para obter os discos que eram nossos objetos de desejo, três ou quatro décadas atrás.


Para os roqueiros, a busca era interminável. Além da grana escassa, mal crônico para a maioria de nós, havia as limitações do mercado brasileiro.

Tirando os carros-chefes como os Beatles e os Stones, contemplados com mais lançamentos, as demais bandas e artistas dependiam do sucesso ou não do primeiro LP que saía aqui.

Vendendo bem, as gravadoras iam lançando, aos poucos, as obras anteriores. Caso contrário, quanto muito, renovavam a aposta no disco seguinte, mas deixavam o passado pra lá. E roqueiro do meu tempo, quando gostava de uma banda, não descansava até conseguir toda sua discografia.

Então, quem cultuasse um Moody Blues ou um King Crimson, p. ex., tinha de esperar anos para que seus primeiros discos fossem finalmente disponibilizados no Brasil. Ou recorrer às raras lojas de importados".

terça-feira, 23 de junho de 2009

Editorial

Desculpem leitores e seguidores deste blog. Não tem havido muita postagem no mesmo porque o cidadão que vos escreve está desprovido de internet em sua residência. A causa principal desta carência digital é a falta de democracia no acesso a internet rápida e barata que aflige nosso país. E ainda somos um dos países que mais acessam a ferramenta...
O brasileiro é mesmo um povo heróico!