quinta-feira, 12 de março de 2009

ALGUMA COISA ESTÁ FORA DA NOVA ORDEM MUNDIAL!

ALGUMA COISA ESTÁ FORA DA NOVA ORDEM MUNDIAL!

Ultimamente as enxurradas de acidentes econômicos estão invadindo nossos noticiários escritos, falados, virtuais e televisivos em tons tão alarmantes e cores tão sombrias feitas sistematicamente em chamadas diárias parecem prenunciar um terrível desastre iminente no capitalismo mundial. No entanto, talvez estes "incidentes de percurso" do capitalismo mundial possam servir para ajuda a indicar caminhos alternativos a serem trilhados por novos agentes em substituição aos velhos lobos da economia tradicional.
As velhas práticas econômicas das velhas economias agonizam, mas não querem entregar os pontos tão facilmente. Corporações poderosíssimas estão juntando-se umas com as outras na tentativa de superação de crises provocadas por elas mesmas.
Enquanto isso, a economia dos países que sempre foram relegados à periferia, parece ainda ter fôlego e possibilidade de superação dessas mesmas dificuldades e dicotomias que afligem o capitalismo dos países avançados.
Talvez um dos fatores da pujança de países latino-americanos seja a decisão tomada por governos progressistas em voltar-se para melhorias sociais e investimento em programas de assistência social e erradicação da miséria. A partir deste implemento, assistimos a ascensão de camadas sociais que nunca tiveram acesso a inúmeros tipos de produtos e as mais variadas ofertas de serviços.
Estas novas camadas têm como característica um padrão de consumo que, passado a euforia dos primeiros tempos, baseia-se em investimentos em bem- estar familiar e conforto técnico porem com um padrão de consumo diferente das classes tradicionais - menos voltada à opulência e à ostentação e mais direcionada ao consumo consciente e voltado a atender a necessidades mais elementares. Mesmo assim as classes C, D e até E, têm conseguido acesso a certos produtos e serviços para os quais sequer sonhavam a vinte ou trinta anos atrás.
No entanto, apesar das melhorias que tal estado de coisas poderia acarretar a todas as classes sociais de modo geral com a diminuição de pressões sociais de todos os tipos, não parece que as classes A e B estejam apreciando com muito entusiasmo essa ascensão social dos mais pobres. Atitudes, veladas ou abertas, demonstram certo mau humor e atitudes rancorosas localizados aqui e acolá no centro da elite pensante, atuante e influente. É fragrante a má vontade em aceitar políticos como Chaves e Lula que destoam das classes privilegiadas que sempre estiveram no centro do poder, principalmente as mais tradicionais e reacionárias.
Desse modo as conseqüências imediatas das políticas econômicas das novas lideranças dos países chamados emergente, quais sejam: melhoria econômica direcionada a setores específicos da pirâmide social proporcionando aos elementos destes setores, acesso a produtos e serviços dos quais desconheciam, parecem incomodar certos setores da intelligentsia. Comentários expressos em diversos círculos, às vezes conscientes e velados, escondendo interesses e ideologias, às vezes desinteressados e eloqüentes ditos de modo explícito, parecem contestar as formas culturais e filosóficas da nova classe ascendente.
A introdução de novos elementos que sempre estiveram à margem do jogo econômico e político - como mestiços, operários, mulheres, gays etc- e a execução de programas visando o melhoramento das infra-estruturas sociais e, como na Bolívia, na Venezuela e em outros países, enfatizando a nacionalização dos setores ligados a exploração das reservas naturais dos respectivos países – sobretudo na área do petróleo - tem despertado a ira de setores e interesses a muito estabelecidos, já que tais políticas não estão necessariamente em assonância com os interesses e práticas tradicionais sempre contemplados pela estrutura macro-econômica e planejamentos governamentais de longo prazo através de benesses e espoliações. Assim, seus porta-vozes insistem em bradar contra as políticas sociais e investimentos produtivos, chamando tais políticas de retrógradas e intervencionistas.
Assim, a agonia do capitalismo liberal tem posto em cheque o modelo de crescimento econômico mundial. Bancos sólidos se dissolvendo e mega- especuladores dando um banho em milhões de pessoas num golpe de 50 bilhões de dólares. Neste desprezível jogo de roleta que são as cirandas financeiras praticadas por tubarões famintos, ninguém é de ninguém! Depois desses escândalos financeiros e crises na economia mundial, este tipo de práticas econômicas estão com as suas bases extremamente minadas. Porém, o liberalismo agoniza, mas não entrega os pontos tão facilmente. A superação da crise está sendo tentada por velhas formas e práticas que só tem aprofundado a crise sem resolvê-la. Os conglomerados e corporações aplicam a velha fórmula de se concentrar, se fechar e demitir.
Cabe aos novos elementos que começam a ocupar os espaços que anteriormente eram somente ocupados pelos velhos estratos, seja na política seja no acesso a bens materiais e serviços, estabelecer novos padrões de produção e distribuição da riqueza que contemplem maiores contingentes e que sejam menos perniciosos para o planeta e o meio ambiente. Talvez o capitalismo, velho mutante, esteja precisando repensar seus dogmas e procurar entrar em uma nova fase na qual procure manter-se por sustentabilidades mais inteligentes e menos destrutíveis. A velha ordem está na hora de tirar seu time de campo para a entrada de um novo pensamento voltado para um equilíbrio mais racional para lidar com o meio ambiente natural e social.

Um comentário:

  1. texto publicado em "observatório da imprensa.com"

    TELENOVELAS
    Caminhos da Índia, caminhos do Brasil

    Por Lisandro Diego Giraldez em 10/3/2009

    Se os meios de comunicação são um reflexo da sociedade ou a sociedade um reflexo dos meios de comunicação é uma questão que já originou diferentes reflexões – que não são o ponto de discussão deste artigo. O que, sim, não podemos negar, é a influência que as distintas telenovelas tiveram (e continuam tendo) no modelo de sociedade brasileira.

    Não é de surpreender que dificilmente possamos esperar qualquer mudança profunda no Brasil, uma vez que de segunda a sábado as famílias assistem a telenovelas que mostram distintos enredos estabelecidos por um diretor com pouca ou nenhuma demonstração de interesse em ajudar a transformar o status quo. Atualmente, os personagens das telenovelas estão presentes nos diálogos das pessoas, quase como se fossem "um membro a mais da família".

    Até recentemente, era muito difícil vermos um negro em um papel de importância na sociedade. Ou era retratado como um bandido, ou, no melhor dos casos, o empregado da menor qualificação possível que as normas "politicamente corretas" permitissem, claro.

    Oportunidade perdida

    Logicamente que não devemos pedir que uma novela entretenha, forme, eduque ou tente transmitir melhores modelos de vida social, e muito menos se a sociedade não quer. Será? Talvez possamos começar a discutir sobre o tema, principalmente quando existe uma tendência a transmitir compactamente mensagens homogêneas sobre o porquê de as coisas serem como são, principalmente no que se refere aos diferentes aspectos da vida das pessoas.

    A novela Caminho das Índias, que vai ao ar de segunda a sábado no horário nobre da Rede Globo, não é uma exceção. Apresenta as diferenças existentes entre as distintas castas da Índia e a quase impossibilidade de vínculo entre as pessoas que pertencem a estas. Como é quase uma constante, o principal problema do sistema de castas se restringe a questões de amores impossíveis entre uma mulher da casta rica superior (Maya, representada pela atriz Juliana Paes) e o homem da casta inferior (Bahuan, interpretado pelo ator Márcio Garcia ). Fica a dúvida se a autora Glória Perez está tentando fazer uma comparação entre os fatos que se sucedem nas castas indianas e as "castas" brasileiras. Até agora nada parece sinalizar para isso. Pelo contrário, a história leva, em muitos casos, ao espectador ficar chateado com o estilo de vida indiano, ao conhecer os impedimentos nos relacionamentos que se originam no sistema de castas.

    Uma das cenas mais chocantes sucedeu no capítulo em que Bahuan procura atendimento médico para um menino vítima de espancamentos (por ter participado de uma passeata, com a mãe, pedindo direitos iguais para todos, sobretudo o direito à educação), mas o atendimento foi negado pelo fato de a criança pertencer a uma casta inferior – a dos Dalits. Se eu não soubesse que os fatos se narravam na Índia, teria a idéia de que a situação ocorrera em um hospital público do Brasil. Aí a grande oportunidade perdida para mostrar que impedimentos ou discriminações sociais não ocorrem somente em um sistema de castas.

    Espaços de convívio comum

    Em teoria, no Brasil não existe segregação por motivos religiosos, raciais, ou de gênero, existindo, inclusive, infinidade de leis e estatutos de proteção às crianças, aos idosos etc., mas na prática todos sabemos que só são leis de pouca ou nula aplicação. Basta assistirmos, por exemplo, algum que outro telejornal (dificilmente na Rede Globo) para vermos as condições de atendimento nos postos de saúde do país. Talvez se tivéssemos um sistema de castas, saberíamos, de fato, que "algo" tem que mudar, como tentam, há anos, alguns setores indianos.

    Tendo a novela momentos que transcorrem na Índia e outros no Brasil, fico com vontade de assistir a uma história comparativa que apresente as "castas" locais. Por acaso, quantos relacionamentos há entre pessoas da classe A/B e os das classes D/E? Infelizmente, muito poucos, até porque não existem (ou quase não existem) espaços de convívio comum entre as distintas fatias da sociedade, a não ser, provavelmente, nos estádios de futebol, onde a paixão por um time pode ser compartilhada sem grandes discrepâncias entre os torcedores de todos os segmentos sociais.

    Certezas duvidosas

    Desenvolver uma história com eixo baseada no sistema de castas não deixa de ser interessante, mas parece transmitir, subjetivamente, a idéia tão geral de que tudo em todo o mundo acontece do mesmo jeito, consolidando um discurso que, de tão repetido, parece ser inquestionável.

    Recentemente, o governador da Bahia, Jaques Warner, em resposta à violência crescente na cidade de Salvador, afirmou, sem ser questionado pelo repórter de uma afiliada da Globo: "O mundo sofre uma onda de violência e a Bahia não é alheia a esse fenômeno..." No entanto, dados da própria Secretaria da Segurança Pública da Bahia (SSP) dão conta de que em 2008 houve 2.189 homicídios em Salvador, representando um crescimento de 31,5% em relação a 2007, quando foram registrados 1.665 assassinatos. Portanto, o governador não falou dos índices e das porcentagens concretos. Caso o fizesse, não poderia afirmar o que afirmou. Quando uma mensagem é difundida afirmando certezas bastante duvidosas, sem serem questionadas, o dano que pode causar é pior que o conteúdo ruim.

    Se a novela difunde a idéia da quase impossibilidade de vínculo entre pessoas que pertencem a distintas castas ou as dificuldades de uma criança de ser atendida no pronto-socorro e considerando que os personagens são quase "um membro a mais da família", não vai demorar o momento no qual se acredite que a discriminação social, racial, ou a recusa de um médico, é normal no mundo todo. "O que fazer se em todo canto é o mesmo? Se até a novela mostra que a Índia é igual?!"

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